Adicção, A.A., N.A., Doze Passos, Reflexões, Literatura, Clínica, Comunidade, Espiritualidade

LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

domingo, 4 de novembro de 2007

O Evangelho Seg o Espiritismo (resumo)

PLATÃO, PRECURSOR DA DOUTRINA CRISTÃ E ESPÍRITA.

“O amor que adorna a natureza e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes... traz a paz aos homens, a calmaria aos mares, o silêncio aos ventos e o sorriso a dor.”

Política é um termo que as sociedades modernas herdaram dos antigos gregos, para os quais eles designavam a atividade dos homens que participavam do processo de tomada de decisões relativas ao interesse público. Atenas representava um ponto de convergência cultural, um centro de experiências sociais e políticas, onde se praticava pela uma vez na história dos povos um governo de caráter democrático, onde as funções públicas dos filósofos e oradores constituía importante instrumento de ação política. Durante a faze áurea da democracia ateniense, na pequena Ilha de Egina, próxima à capital grega, nasceu no ano de 428 aC. o célebre filósofo Platão.
Seu verdadeiro nome era Aristóteles, originário de “platys” (largo). O apelido Platão foi possivelmente conferido por um dos seus mestres. Descendente de Sólon, o grande legislador grego, membro de uma família aristocrática que tinha participação efetiva nos destinos políticos da Grécia, cresceu relacionado com as concepções democráticas da época. De temperamento gentil e interessado pelo belo, ainda jovem começou a estudar todas as artes de seu tempo, tendo conhecido bastante a música e a matemática. Amante dos esportes como todos os gregos de sua época, foi lutador, e participou dos jogos, obtendo significativas vitórias.
O acontecimento que mais marcou a juventude de Platão foi seu encontro, aos 20 anos, com Sócrates, mestre que, sem escola e sem livros, usando apenas o diálogo, levava seus discípulos ao conhecimento de si mesmos, do bem e das virtudes, ao mesmo tempo que abalava preconceitos e falsos valores. Com ele, Platão teria convivido durante 8 anos, iniciando-se na filosofia. Acusado de corromper os jovens, Sócrates foi condenado à morte (399 aC.). Esse acontecimento revelou a Platão as profundas falhas de um sistema político que fazia desaparecerem “o mais sábio e o mais justo de todos os homens.” Tornara-se evidente que a democracia grega deveria passar por profundas reformulações.
Após a morte do mestre, que lhe causou profundo abalo, Platão viajou alguns anos por algumas partes da Itália e esteve no Egito, onde entrou em contato com grandes revelações e os ritos de iniciação, pois a tradição egípcia era considerada a base e a mãe de toda sabedoria. visando concretizar seu projeto de educar o cidadão para a vida política, regressou à Grécia e nos Jardins de Acádemo, pequeno bosque perto de Atenas, instalou a “Academia”, que exerceria uma profunda influência em toda vida cultural grega. Lá, opondo-se aos sofistas (mestres de oratória), implantou seu pensamento e seu método de ensino, voltado para a “busca da verdade”.
Para concretizar seu projeto de educar o cidadão para a vida política, Platão dedicou-se ao exercício do magistério filosófico, até sua morte, ocorrida em 348 aC., aos 80 anos. Superando progressivamente as proposições da filosofia Socrática, foi formulando sua concepção Platônica, culminando com a elaboração de seu próprio sistema, que se tornaria o primeiro sistema completo de filosofia espiritualista produzido pelo pensamento humano. Contida nos “Diálogos”, obra literária de admirável profundeza, esses diálogos nasceram dos ensinamentos do mestre Sócrates, que sempre se esforçou para vir à luz as idéias que seus discípulos traziam dentro de si.
Em número de 28, os diálogos versam sobre psicologia, moral, estética, política e metafísica. Os principais são: O Fédon, O Sofista, O Pitágoras, O Górgias, O Banquete, A República, As Leis, etc. Os diálogos têm por coroamento a teoria das idéias, ponto central do idealismo Platônico. O filósofo atribuía às idéias a origem do mundo físico para cada objeto que está no mundo visível existe uma idéia da qual ela deriva; está no espírito de todo homem antes de seu nascimento e lhe permite conceber a realidade.
Ao olhar um sistema filosófico assentado na teoria das idéias, Platão legou à humanidade um modelo político, estabelecendo um paralelismo entre a moral e a política, com base na justiça. Segundo o filósofo, para se estabelecer um Estado político perfeito é necessário compreender e colocar em prática a justiça, virtude desenvolvida numa sociedade igualitária, onde os cidadãos, homens e mulheres, desempenham conscientemente suas funções harmonicamente. Platão foi o primeiro filósofo que vislumbrou a necessidade de um direito internacional para limitar os conflitos entre os Estados. Esse idealismo Platônico sobrevive até os tempos modernos.
O sistema filosófico de Platão também influi deforma decisiva na teologia do Cristianismo primitivo. Muitos séculos antes da vinda de Jesus, as idéias cristãs já foram pressentidas e Sócrates e Platão foram os seus principais precursores. Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou pelo menos nada deixou escrito, e combate as crenças tradicionais. Da mesma forma que o mundo só conheceu a Doutrina do Cristo pelos escritos de seus discípulos, também conheceu a filosofia de Sócrates através da escrita do discípulo Platão. Posteriormente, Santo Agostinho, grande admirador da obra Platônica, realizou a síntese entre Platonismo e os dogmas. Nela são verificadas tendências do grande filósofo grego.
Em sua época, Platão já revelava cuidado especial com a alma. Para ele o homem é uma alma encarnada que, pelo esforço próprio, no decorrer das sucessivas encarnações, passa por diferentes graus até atingir a elevação. O sábio conhecimento das grandes verdades que solidifica as virtudes e ilumina as imperfeições e a prática do amor universal, unindo todos pelo sentimento da fraternidade, contribui para a formação das consciências – ato de conhecer a si mesmo. Essa concepção Platônica inspirou diversas Escolas espiritualistas e preparou o caminho para o espiritismo .
As várias etapas do conhecimento estão metaforizadas na obra República através da Alegoria da Caverna, escrita em homenagem a Sócrates. Com muita inspiração, o filósofo Platão descreve o itinerário do homem saindo da caverna onde estivera prisioneiro, o esforço feito, os diversos graus de sombra e luz porque passa, que simbolizam os diversos graus de conhecimento, até olhar diretamente o sol, fonte de toda luz, símbolo do último grau na ascensão da alma quando se torna um homem liberto. Após conhecer o sol retorna, mas na condição de guia, para auxiliar outros a chegarem lá.

































Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão.
Precursores da Doutrina Cristã e do Espiritismo.

I - O homem é uma alma encarnada. Antes de sua encarnação, ela existia junto aos modelos primordiais, às idéias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se delas ao encarnar-se, e lembrando seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de a elas voltar.
Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência dos dois princípios, o inteligente e o material. Além disso, temos aí a doutrina da pré existência de alma, da vaga intuição que ela conserva. Da existência de outro mundo, ao qual aspira, de sua sobrevivência à morte do corpo, de sua saída do mundo espiritual, para encarnar-se; e da sua volta a esse mundo, após a morte. É enfim, o germe da doutrina dos anjos decaídos.

II – A alma se perturba e confunde, quando se serve do corpo para considerar algum objeto; sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, por sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla sua própria essência, ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, permanece nessa contemplação tanto tempo quanto possível. Cessam então, as suas perturbações, e esse estado da alma que chamamos sabedoria.
Assim, o homem que considera as coisas de baixo, terra à terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para apreciá-las com justeza, é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, portanto, de algum modo, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do espírito. É isso o que nos ensina o espiritismo.

III – Enquanto tivermos o nosso corpo e a nossa alma mergulhados nessa corrupção, jamais possuiremos o objeto de nossos desejos: a verdade. De fato, o corpo nos oferece mil obstáculos. Além da necessidade que temos de cuidar dele, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível sermos sábios por um instante. Mas, se nada se pode conhecer puramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas coisas se impõe: ou que jamais se conheça a verdade, ou que se conheça após a morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, como homens igualmente livres, e conheceremos por nós mesmos a essência das coisas. Eis porque os verdadeiros filósofos se preparam para morrer, e a morte não lhes parece de maneira alguma temível.
Temos aí o princípio das faculdades de alma obscurecidas pela mediação dos órgãos corporais e de expansão dessas faculdades depois da morte. Mas, trata-se, aqui, das almas evoluídas, já depuradas; não acontece o mesmo com as almas impuras.

IV – A alma impura, neste estado, encontra-se pesada, e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Ela erra, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos as vezes fantasmas tenebrosos. Como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente puras. E que conservam alguma coisa de forma material, o que permite aos nossos olhos percebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, que são forçadas a errar nesses lugares, onde carregam a pena de sua vida passada, e onde continuam a errar, até que os apetites inerentes a sua forma material as devolvam a um corpo. Então, elas retomam sem dúvidas os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram de sua predileção.
Não somente o princípio da reencarnação está aqui claramente expressa, mas também o estado das almas que ainda estão sob o domínio da matéria. E há mais pois, a reencarnação é uma conseqüência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela.
O espiritismo não diz outra coisa, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará menos defeitos ao renascer, mais virtudes e mais idéias intuitivas do que na existência precedente e que, assim, cada existência marca para ela um processo intelectual e moral.

V – Após a nossa morte, o gênio que nos havia sido designado durante a vida, nos leva a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao hades, para o julgamento. As almas, depois de permanecerem no hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida, por numerosos e longos períodos.
Esta é a doutrina dos anjos guardiões ou espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

VI – Os demônios preenchem o espaço que separa o céu da terra, são o laço que liga o grande todo consigo mesmo. A divindade não entra jamais em comunicação direta com os homens, mas é por meio dos demônios que os deuses se relacionam e conversam com eles. Seja durante o estado de vigília, seja durante o sono.
A palavra daimon, da qual se originou demônio, não era tomada no mau sentido pela antigüidade, como entre os modernos.
Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres malfazejos, mas os espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os espíritos menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicam diretamente com os homens. O espiritismo ensina também que os espíritos se comunicam conosco durante o estado de vigília e o sono.
Substitua a palavra demônio pela palavra espírito, e tereis a doutrina espírita; ponde a palavra anjo e tereis a doutrina cristã.

VII – A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendiam Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, menos em vista desta vida, que é apenas um instante, do que em vista da eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver com vistas à eternidade?
O cristianismo e o espiritismo ensinam a mesma coisa.
VIII – Se a alma é imaterial, ela deve passar, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma maneira que o corpo, ao se compor, retorna a matéria. Importa somente distinguir a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se nutre, como Deus, da ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais, que a impedem de elevar-se ao divino, retendo-o nos lugares de sua passagem pela terra.
Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Eles insistem sobre as diferenças de situação que resultam para ela, de sua maior ou menor pureza. Isso que eles diziam por intuição, o espiritismo o prova, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos.

IX – Se a morte fosse a dissolução total do homem, isso seria grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, dos seus corpos, de suas almas e de seus vícios. Aquele que adornou sua alma, não com enfeites estranhos, mas com os que lhes são próprios, ele somente poderá esperar com tranqüilidade a hora da partida para o outro mundo.
Em outros termos, quer dizer que o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação da responsabilidade moral ulterior., e por conseguinte um estímulo ao mal; que o malvado tem tudo a ganhar com o nada; que o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranqüilamente o despertar na outra vida. O espiritismo nos mostra, pelos exemplos que diariamente nos põe ante os olhos, quanto é penosa para o malvado a passagem de uma para a outra vida, a entrada na vida futura.

X – O corpo conserva os vestígios bem marcados dos cuidados que se teve com ele ou dos acidentes que sofreu. Acontece o mesmo com a alma. Quando ela se despoja do corpo, conserva os traços evidentes de seu caráter, de seus sentimentos, e as marcas que cada um dos seus atos lhe deixou. Assim, a maior desgraça que pode acontecer a um homem, é a de ir para o outro mundo com uma alma carregada de culpas. Não há porém, ninguém que possa provar que se deve seguir outra vida que nos seja mais útil, quando formos para lá. De tantas opiniões diversas, a única que permanece inabalável é a de que mais vale sofrer que cometer uma injustiça, e que antes de tudo devemos aplicar-nos, não a parecer, mas a ser um homem de bem.
Aqui se encontra outro capital, hoje confirmado pela experiência, segundo o qual a alma não purificada conserva as idéias, as tendências, o caráter e as paixões que tinha na terra. Esta máxima: mais vale sofrer do que cometer uma injustiça, não é inteiramente cristã? É o mesmo pensamento que Jesus exprime por esta figura: “se alguém te bater numa face, oferece-lhe a outra.”

XI – De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem de uma alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir-se, a morte é como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança, a passagem para um lugar em que os mortos devem reunir-se, que felicidade a de ali reencontrar os nossos conhecidos! Meu maior prazer será o de examinar de perto os habitantes dessa morada, e dentre eles distinguir, como aqui, os que são sábios dos que crêem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e nós para viver. (Sócrates a seus julgadores)
Segundo Sócrates, os homens que viveram na terra encontram-se depois da morte e se reconhecem. O espiritismo no-los mostra continuando suas relações, de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão se tivessem conhecido os ensinamentos que o cristo daria quinhentos anos mais tarde, e os que o espiritismo hoje nos dá, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender, se considerarmos que as grandes verdades são eternas, e que os espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a terra, para onde as trouxeram. Se considerarmos ainda que Sócrates, Platão, os grandes filósofos de seu tempo, podiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram o Cristo na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreender os seus sublimes ensinos. E que eles podem, por fim, participar hoje da grande plêiade de espíritos encarnados de vir ensinar aos homens as mesma verdades.

XII – Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito. Poucas pessoas, entretanto, admitem esse princípio, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se uma às outras.
Não é este o princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?

XIII – É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação segundo o que ela produz: chamá-la má quando a sua conseqüência é má, e boa quando produz o bem.
Esta máxima: “é pelos frutos que se reconhece a árvore”, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, no Evangelho.

XIV – A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza, não ama nem a ele nem ao que possui, mas a uma coisa que é ainda mais estranha do que aquilo que ele possui.

XV – As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à divindade, do que uma alma virtuosa que se esforça por assemelhar-se a ela. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Dessa maneira, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente sábios e justos os que, por suas palavras e seus atos, resgatam o que devem aos deuses e aos homens.

XVI – Chamo de homem vicioso ao amante vulgar, que ama mais o corpo que a alma. O amor está por toda natureza, e incita-nos a exercer a nossa inteligência: encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. É o amor que adorna a natureza com suas ricas alfombras, ele se enfeita e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz aos homens, a calmaria ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego a dor.
O amor que deve unir aos homens por um sentimento de fraternidade, é uma conseqüência dessa teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates, tendo dito que “o amor não é um Deus nem um mortal, mas um grande demônio”, ou seja, um grande espírito que preside ao amor universal, esta afirmação lhe foi sobretudo imputada como crime.

XVII – A virtude não pode ser ensinada; ela vem por um Dom de Deus aos que a possuem. É quase a doutrina cristã sobre a graça. Mas se a virtude é um Dom de Deus, é um favor, e pode perguntar-se por que ela não é concedida a todos. De outro lado, se ela é um Dom, não há mérito de parte daquele que a possui. O espiritismo é mais explícito. Ele ensina que aquele que a possui, a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições. A Graça é a força que Deus concede a todo homem de boa-vontade, para se livrar do mal e fazer o bem.

XVIII – Há uma disposição natural, em cada um de nós, para nos apercebermos bem menos dos nossos defeitos do que os defeitos alheios.
O Evangelho diz: “vês a aresta no olho do teu irmão, e não vês a trave do teu?”

XIX – Se os médicos fracassam na maior parte das doenças, é porque tratam do corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que a parte esteja bem.
O espiritismo oferece a chance das relações entre a alma e o corpo, e prova que existe incessante reação de um sobre o outro. Ele abre, assim, novo caminho à ciência: mostrando-lhe a verdadeira causa de certas afecções, dá-lhe os meios de combatê-las. Quando ela levar em conta a ação do elemento espiritual na economia orgânica, fracassará menos.

XX – Todos os homens desde a infância, fazem mais mal do que bem.
Estas palavras de Sócrates tocam à grave questão da predominância do mal sobre a terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da terra, onde se encontra apenas uma pequena fração da humanidade.

XXI – A sabedoria está em não pensares que sabes aquilo que não sabes.
Isso vai endereçado aqueles que criticam as coisas de que, freqüentemente, nada sabem. Platão completa esse pensamento de Sócrates, ao dizer: “tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras; se não o conseguirmos, não nos ocupemos mais deles, e não busquemos mais do que a verdade. Tratemos de nos instruir, mas não nos aborreçamos.” É assim que devem agir os espíritas, com relação aos seus contraditores de boa ou de má fé. Se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo, e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse de sua crença nos espíritos e o tratasse de louco, assim como ao seu discípulo Platão.
Por haver professado esses princípios, Sócrates foi primeiro ridicularizado, depois acusado de impiedade e condenado a beber a cicuta. Tanto é certo que as grandes verdades novas, levantando contra elas os interesses e os preconceitos que ferem, não podem ser estabelecidas sem lutas e seus mártires.


Não vim Destruir as Leis.

“Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destrui-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o céu e a terra não passarão até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto.”

MOISÉS.

Há duas partes distintas na lei mosaica: a lei de Deus, promulgada sobre o Monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, estabelecido por Moisés. Uma é invariável; a outra é apropriada aos costumes e ao caráter do povo, e se modifica com o tempo.
Os dez mandamentos tem um caráter divino. Todas as demais são leis estabelecidas por Moisés, obrigado a manter pelo temor um povo naturalmente turbulento e indisciplinado, no qual tinha de combater abusos arraigados e preconceitos adquiridos durante a servidão no Egito. Para dar autoridade às suas leis, ele teve de lhes atribuir uma origem divina, c. o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A autoridade do homem deve apoiar-se sobre a autoridade de Deus. mas só a idéia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos. É evidente que aquele que havia estabelecido em seus mandamentos “não matarás” e “não farás mal ao próximo”, não poderia contradizer-se, ao fazer do extermínio um dever: as leis mosaicas, propriamente ditas, tinham, portanto, um caráter essencialmente transitório.







CRISTO.

Jesus Não veio destruir a lei, o que quer dizer: a lei de Deus.
Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grande adiantamento dos homens. Eis porque encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base de Sua doutrina.
Quanto as leis de Moisés propriamente ditas, Ele, pelo contrário, as modificou profundamente, no fundo e na forma. Combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que reduzindo-as a estas palavras: “amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo” e ao acrescentar: “esta é toda a lei e os profetas.”? Jesus veio cumprir as profecias que haviam anunciado o Seu advento. Sua autoridade decorria da natureza excepcional de Seu espírito e da natureza divina da Sua missão. Ele veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está na terra, mas no Reino dos Céus; ensinar-lhes o caminho que o conduz até lá, os meios de se reconciliarem com Deus, e os advertir sobre a marcha das coisas futuras, para o cumprimento dos destinos humanos. Não obstante, Ele não disse tudo, e sobre muitos pontos limitou-se a lançar o germe de verdades que Ele mesmo declarou não poderem ser então compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos claros, de maneira que, para entender o sentido oculto de certas palavras, era preciso que novas idéias e novos conhecimentos viessem dar-nos a chave.


O ESPIRITISMO.

O espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de prova irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações com o mundo material. Ele nos mostra esse mundo, não mais como sobrenatural, mas, pelo contrário, como uma das forças vivas e incessantemente atuando da natureza, como a fonte de uma infinidade de fenômenos até então incompreendidas, e por esta razão rejeitadas para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo se refere em muitas circunstâncias, e é por isso que muitas coisas que Ele disse ficaram ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. O espiritismo é a chave que nos ajuda a tudo explicar com facilidade. O espiritismo diz: “Eu não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento.” Ela desenvolve, completa e explica, em termos claros, os ensinamentos de Cristo.


ALIANÇA DA CIÊNCIA COM A RELIGIÃO.

A ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, deve levar em conta o elemento espiritual; a religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria; assim essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirvam de apoio uma para outra.
A ciência e a religião não puderam entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas de seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé se dirigiu a razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. Mas nisto, como em tudo, há os que ficam retardados, até que sejam arrastados pelo movimento geral, que os esmagará, se quiserem resistir em vez de se entregarem. É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob a ação dos espíritos, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus. foi Moisés quem abriu o caminho, Jesus continuou a obra; o espiritismo a concluirá.




MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO.

“Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-Lhe: Tu és o Rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: o Meu Reino não é deste mundo; se o Meu Reino fosse desse mundo, certo que os Meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o Meu Reino não é daqui. Disse-Lhe então Pilatos: logo, Tu és Rei? Respondeu Jesus: tu o dizes, que Eu Sou Rei. Eu não Nasci nem Vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a Minha voz.”

Por estas palavras, Jesus Se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade, e como devendo ser o objeto das principais preocupações do homem sobre a Terra. Todas as Suas máximas se referem a esse princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos Seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não crêem na vida futura, pensando que Ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris. Para grande número, é apenas uma crença, sem nenhuma certeza definitiva, e daí as dúvidas, e até mesmo a incredulidade. Um fato porém, é inegável: ao crermos na posteridade, confiamos que nos encontramos numa condição temporária e não definitiva, encaramos as dificuldades da vida com mais indiferença, do que resulta uma calma espiritual que nos abranda as amarguras.
Deus não condena os gozos terrenos, mas o abuso desses gozos, em prejuízo dos interesses da alma. É contra esse abuso que se previnem os que compreendem estas palavras de Jesus: o Meu reino não é deste mundo.






HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DE MEU PAI.

“Não se turbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em Mim – há muitas moradas na casa de Meu Pai.
Se assim não fosse, Eu vo-lo teria dito, pois Vou preparar-vos o lugar, Virei outra vez e tomar-vos-ei para Mim, para que lá onde estiver, estejais vós também.”

A casa do Pai é o universo. As diferentes moradas são os mundos que circulam no espaço infinito, oferecendo aos espíritos desencarnados estações apropriadas ao seu adiantamento. Enquanto, o malvado, cheio de remorsos e pesares, freqüentemente só, sem consolações, separado dos objetos da sua afeição, geme sob a opressão dos sofrimentos morais, o justo, junto aos que ama, goza de uma indizível felicidade. Essas também são;, portanto, diferentes moradas, embora não localizadas nem circunscritas.

Vejamos As Idéias de Santo Agostinho Sobre Isso:

Que vos direis, que já não conheçais, do mundo de expiações, pois que basta considerar a terra que habitas? A superioridade da inteligência, num grande número de seus habitantes, indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de espíritos ainda mal saídos das mãos do Criador. Suas qualidades inatas são a prova de que já viveram e realizaram um certo progresso, mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o indício de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou num mundo ingrato, para expiarem sua falhas através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que se façam merecedores de passar para um mundo, mais feliz.
Não obstante, não são todos os espíritos encarnados na terra que se encontram em expiações. As raças que chamais de selvagens constituem-se de espíritos apenas saídos da infância, e que estão, por assim dizer, educando-se e desenvolvendo-se ao contato de espíritos mais avançados. Vêm a seguir as raças semicivilizadas, formadas por esses mesmos espíritos em progresso. Essas são, de algum modo, as raças indígenas da terra, que se desenvolveram pouco a pouco, através de longos períodos seculares, conseguindo algumas atingir a perfeição intelectual dos povos mais esclarecidos.
Os espíritos em expiação aí estão, se assim nos podemos exprimir, como estrangeiros. Já viveram em outros mundos, dos quais foram excluídos por sua obstinação no mal, que os tornava causa de perturbação para os bons. Foram relegados, por algum tempo, entre os espíritos mais atrasados, tendo por missão fazê-los avançar, porque trazem uma inteligência desenvolvida e os germes dos conhecimentos adquiridos. É por isso que os espíritos punidos se encontram entre as raças mais inteligentes, pois são estas também as que sofrem mais amargamente as misérias da vida, por possuírem maior sensibilidade e serem mais atingidas pelos atritos do que as raças primitivas, cujo senso moral é mais obtuso.
A terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, em que as variedades são infinitas, mas têm por caráter comum servirem de lugar de exílio para os espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os espíritos exilados têm de lutar, ao mesmo tempo, contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza, trabalho duplamente penoso, que desenvolve a uma só vez as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, na Sua bondade, torna o próprio castigo proveitoso para o progresso do espirito.
Entre essas estrelas que cintilam na abóbada azulada, quantas delas são mundos, como o nosso, designados pelo Senhor para expiação e provas! Mas há também entre elas mundos mais infelizes e melhores, como há mundos transitórios, que podemos chamar de regeneradores. Cada turbilhão planetário, girando no espaço em torno de um centro comum, arrasta consigo mundos primitivos, de provas, de regeneração e de felicidade. Já ouvistes falar desses mundos em que a alma nascente é colocada, ainda ignorante do bem e do mal, para que possa marchar em direção a Deus, senhora de si mesma, na posse do seu livre-arbítrio. Já ouvistes falar das amplas faculdades de que a alma foi dotada para praticar o bem. Mas ai! Existem as que sucumbem! Então Deus, que não quer aniquilá-las, permite-lhes ir a esses mundos em que, de encarnação em encarnação, podem fazer-se novamente dignos da glória a que foram destinadas.
Os mundos regeneradores servem de transição entre os mundos de expiação e os felizes. A alma que se arrepende, neles encontra a paz e o descanso, acabando por se purificar. Sem dúvida, mesmo nesses mundos, o homem ainda está sujeito às leis que regem a matéria. A humanidade experimenta as vossas sensações e os vossos desejos, mas está isenta das paixões desordenadas que vos escravizam. Neles, não há mais o orgulho que emudece o coração, a inveja que o tortura e o ódio que os asfixia. A palavra amor está escrita em todas as frontes; uma perfeita eqüidade regula as relações sociais; todos manifestam a Deus e procuram elevar-se a Ele, seguindo Suas leis.
Nesses mundos, contudo, ainda não existe a perfeita felicidade. Mas a aurora da felicidade. O homem ainda é carnal, e por isso mesmo sujeito ás vicissitudes de que só estão isentos os seres completamente desmaterializados. Ainda têm provas a sofrer, mas esta não se revestem dos pungentes angústias da expiação. Comparados a terra, esses mundos são mais felizes, e muitos de vós gostariam de habitá-los, porque representam a calma após a tempestade, a convalescença após uma doença cruel. Menos absorvido das coisas materiais, o homem entrevê o futuro melhor do que vós compreendes que são outras as alegrias prometidas pelo Senhor aos que se tornam dignos, quando a morte ceifar novamente os seus corpos, para lhes dar a verdadeira vida. É então que a alma liberta poderá pairar sobre os horizonte. Não mais os sentidos materiais grosseiros, mas os sentidos de um perispírito puro e celeste, aspirando as emanações de Deus, sob os aromas do amor e da caridade, que se expandem do Seu seio.
Mas, ah! Nesses mundos o homem ainda é falível, e o espírito do mal ainda não perdeu completamente o seu domínio sobre ele. Não avançar é regular, e se ele não estiver firme e no caminho do bem, pode cair novamente em mundos de expiação, onde o esperam novas e mais terríveis provas. Contemplai, pois, durante a noite, na hora do repouso e da prece, essa abóbada azulada, e entre as inumeráveis esferas que brilham sobre vossas cabeças, procurai as que levam a Deus, e pedi que um mundo regenerador vos abra o Seu seio, após a expiação na terra.
O progresso é uma das leis da natureza. Todos os seres da criação, animados e inanimados, estão submetidos a ela, pela bondade de Deus, que deseja que tudo se engrandeça e prospere a própria destruição, que parece, para os homens, o fim das coisas, é apenas um meio de levá-las, pela transformação, a um estado mais perfeito, pois tudo morre para renascer, e nada volta para o nada.
Ao mesmo tempo, que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse seguir um mundo em suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeram os primeiros átomos da sua constituição, o veria percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas em graus insensíveis para cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que eles também avançam na senda do progresso. Assim marcham paralelamente o progresso do homem, o dos animais seus auxiliares, o dos vegetais e o das formas de habitação, porque nada fica estacionário da natureza.
Quanto a idéia é grandiosa e digna da majestade do Criador! E como, ao contrário, é pequena e indigna do poder aquela que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia da terra, e restringe a humanidade a algumas criaturas que o habitam!
A terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao de hoje, e atingirá, sob esses dois aspectos, um grau mais avançado. Ela chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de mundo expiatório a mundo regenerador. Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a lei de Deus a governará.


NINGUÉM PODE VER O REINO DE DEUS SE NÃO NASCER DE NOVO.

“Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isso, mas sim meu Pai que está nos céus.” (Mateus 16. 13-17)
Herodes estava confuso, pois o povo lhe diziam da existência de Jesus cada qual a sua maneira (Marcos 6. 14-15; Lucas 9. 7-9).
Jesus afirma a Seus discípulos que Elias já veio, e não foi reconhecido, antes cortaram-lhe a cabeça, então compreenderam que era de João Batista que Ele falava (Mateus 17. 10-13; Marcos 18. 10-12)

Os judeus acreditavam que um homem podia reviver, mas não tinham noções de como a alma tinha ligação com o corpo. Porisso acreditavam que a ressurreição seria o retorno à vida do próprio cadáver, o que a ciência prova ser impossível.
“Nicodemus uma noite, veio buscar a Jesus, e disse-Lhe: Rabi, sabemos que És Mestre, vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer estes milagres, que Tu fazes, se Deus não estiver com ele. Jesus respondeu e lhe disse: na verdade, na verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus, se não aquele que renascer de novo. Nicodemus Lhe disse: como pode um homem nascer sendo velho? Porventura pode entrar no ventre de sua mãe e nascer outra vez? Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus. o que nascido da carne é carne, e o que é nascido do espírito é espírito. não te maravilhes de Eu te dizer que importa-nos nascer de novo. o Espírito sopra onde quer, e tu ouves a sua voz, mas não sabes de onde ele vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do espírito. perguntou Nicodemus: como se pode fazer isto? Respondeu Jesus: tu és mestre em Israel, e não sabes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo, que nós dizemos o que sabemos, e damos testemunhas do que vimos, e vós, com tudo isso, não recebeis o nosso testemunho. Se quando Eu vos tenho falado das coisas terrenas, ainda assim não Me credes, como creríeis, se eu vos falasse das celestiais? (João 3. 01-12)
Jesus faz aqui uma distinção positiva entre o espírito e a carne: “O que é nascido da carne é carne”, indica claramente que o corpo procede apenas do corpo, e que o espírito é independente dele.”
Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências, a maior parte das máximas do Evangelho são ininteligíveis, e por isso têm dado motivo a interpretações tão contraditórias. Esse princípio é a chave que deve restituir-lhes o verdadeiro sentido. Em resumo: Quatro alternativas se apresentam ao homem, para o seu futuro além-túmulo: 1) O nada, segundo a doutrina materialista; 2) A absorção do todo universal, segundo a doutrina panteísta; 3) A conservação da individualidade, como fixação definitiva da sorte, segundo a doutrina da igreja; 4) A conservação da individualidade, com o progresso infinito, segundo a doutrina espírita.


BEM AVENTURADOS OS AFLITOS.

1 – Bem aventurados os que sofrem, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. Bem-aventurados os que padecem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. (Mateus 6. 10)

2 – Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus. Bem-aventurados os que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados os que agora chorais, porque rireis. (Lucas 6. 20-21)

3 – Mas ai de vós, ricos, porque tendes no mundo a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rirdes, porque gemereis e chorareis. (Lucas 6. 24-25)
O que não se consegue compreender, é ver os bens e males tão desigualmente distinguidos entre o vício e a virtude; ver homens virtuosos sofrer ao lado de malvados que prosperam. A fé no futuro pode consolar e proporcionar paciência, mas não explica essas anomalias, que parecem desmentir a justiça de Deus.
Remontando à fonte dos males terrenos, reconhece-se que muitos são as conseqüências naturais do caráter e da conduta daqueles que o sofrem. São: suas próprias culpas, imprevidência, orgulho, ambição, falta de ordem, perseverança, mau comportamento, cálculos de interesse, vaidade, e ainda por não verem seus desejos concretizados.
Muitas vezes a experiência chega tarde; então o homem se diz: “se no começo da vida eu soubesse o que sei hoje, quantas faltas teria evitado; se tivesse de recomeçar, eu me importaria menos com as coisas menores e me comportaria de maneira inteiramente outra; mas já não há mais tempo!” como o trabalhador preguiçoso que diz: “perdi o meu dia”, ele também diz: “perdi a minha vida”. Mas, assim como para o trabalhador o sol nasce no dia seguinte, e começa uma nova jornada, em que pode recuperar o tempo perdido, para ele também brilhará o sol de uma vida nova, após a noite do túmulo, e na qual poderá aproveitar a experiência do passado e pôr em execução suas boas resoluções.


O MAL E O REMÉDIO.


Vossa terra é por acaso um lugar de alegrias, um paraíso de delícias? A voz do profeta não soa ainda aos vossos ouvidos? Não clamou Ele que haveria choro e ranger de dentes para os que nascessem neste vale de dores? Vós que Nele viestes viver, esperai portanto lágrimas ardentes e penas amargas, e quanto mais agudas e profundas forem as vossas dores, voltai os olhos ao céu e bendizei ao Senhor, por vos ter querido provar! Oh, homens! Não reconheceis o poder de vosso Senhor, senão quando ele curar as chagas de vosso corpo e encher os vossos dias de beatitude e de alegria? Não reconheceis o seu amor, senão quando ele adornar vosso corpo com todas as glórias, e lhe der o seu brilho e o seu amor? Imitai aquele que vos foi dado para exemplo. Chegado ao último degrau da abjeção e da miséria, estendido sobre um monturo, ele chamou a Deus: “Senhor! Conheci todas as alegrias da opulência, e vós me reduzistes à mais profunda miséria! Graças, graças, meu Deus, por terdes querido provar o vosso servo!” Procurai, pois, a consolação para os vossos males no futuro que Deus vos prepara, e vós, os que mais sofreis, julgar-vos-eis os bem-aventurados da terra.
Que remédio podemos dar aos que sofrem?: a fé, voltar os olhos para o céu. Se, no auge de vossos mais cruéis sofrimentos, cantardes em louvor do Senhor, o anjo de vossa guarda vos mostrará o símbolo da salvação e o lugar que devereis ocupar um dia. a fé é o remédio certo para o sofrimento. Ela aponta sempre os horizontes do infinito, ante os quais se esvaem os poucos dias de sombras do presente. Não mais nos pergunteis, portanto, qual o remédio que curará tal úlcera ou tal chaga, esta tentação ou aquela prova. Lembrai-vos de que aquele que crê se fortalece com o remédio da fé, e aquele que duvida da sua eficácia é punido, na mesma hora, porque sente imediatamente as angústias pungentes da aflição.
O Senhor pôs o seu selo em todos os que crêem Nele. Cristo vos disse que a fé transporta montanhas. Eu vos digo que aquele que sofre e que tiver a fé como apoio, será colocado sob a sua proteção e não sofrerá mais. os momentos mais dolorosos serão para ele como as primeiras notas de alegria da eternidade. Sua alma se desprenderá de tal maneira de seu corpo, que, enquanto este se torcer em convulsões, ela pairará nas regiões celestes, cantando com os anjos os hinos de reconhecimento e de glória ao Senhor.


BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles pé o Reino dos Céus.” (Mt5.3).
Naquele tempo, disse Jesus: graças Te dou a Ti, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e prudentes, e as revelaste aos simples e pequeninos. (Mt11.25).
Como pobres de espírito entende-se os humildes, e como sábios os que os que se julgam superiores, orgulhosos. É que precisamos entender pelos primeiros, os humildes, os que se humilham diante de Deus e não se consideram superiores aos outros; e, pelos segundos, os orgulhoso, enraivecidos com o seu saber mundano, que se julgam prudentes, pois que eles negam a Deus, tratando-O de igual para igual, quando não O rejeitam. Isso porque, na antigüidade, sábio era sinônimo de sabichão. Assim, Deus lhes deixa a busca dos segredos da terra, e revela as do céu aos humildes, que se inclinam perante Ele.


BEM-AVENTURADOS OS PUROS DE CORAÇÃO.

1 – “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” (Mt5.8)
2 – então lhe apresentaram uns meninos para que os tocasse; mas os discípulos ameaçavam os que lho apresentavam. O que, vendo Jesus, levou-o muito a mal, e disse-lhes: deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis, porque o Reino de Deus é daqueles que se lhes assemelham. Em verdade vos digo que todo aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele. E abraçando-os, e pondo as mãos sobre eles, os abençoava (Marc 10. 13-16).
A pureza de coração é inseparável da simplicidade e da humildade. Exclui todo pensamento de egoísmo e de orgulho. Eis porque Jesus toma a infância como símbolo dessa pureza, como já a tomara por símbolo de humildade.
Do ponto de vista da vida presente, ela é exata; porque a criança, não tendo ainda podido manifestar nenhuma tendência perversa, oferece-nos a imagem da inocência e da candura. Aliás, Jesus não diz de maneira absoluta que o Reino de Deus é para elas, mas para aqueles que se lhes assemelham.


PECADO POR PENSAMENTO E ADULTÉRIO.

A palavra adultério não deve ser aqui entendida no sentido exclusivo de sua acepção própria, mas com sentido mais amplo. Jesus a empregou freqüentemente por extensão, para designar o mal, o pecado, e todos os maus pensamentos, como por exemplo, nesta passagem: “porque, se nesta geração adúltera e pecadora alguém se envergonhar de Mim e de Minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de Seu Pai, acompanhado dos santos anjos” (Marc 8.38).
A verdadeira pureza não está apenas nos atos, mas também no pensamento, pois aquele que tem o coração puro nem sequer pensa do mal. Foi isso que Jesus quis dizer, condenando o pecado, mesmo em pensamento, porque ele é um sinal de impureza.


BEM-AVENTURADOS OS MISERICORDIOSOS.

“Se teu irmão pecar contra ti, vai, e corrige-o entre ti e ele somente; se te ouvir, ganhado terás a teu irmão. Então, chegando-se Pedro a Ele, perguntou: Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes.” (Mat 18. 15,21,22)
A misericórdia é o complemento da mansitude, pois os que não sem misericordiosos também não são mansos e pacíficos. Ela consiste no esquecimento e no perdão das ofensas. O ódio e o rancor denotam uma alma sem elevação e sem grandeza. O esquecimento é próprio das almas elevadas, que pairam acima do mal que lhe quiseram fazer. Uma está sempre inquieta, é de uma sensibilidade sombria e amargurada. A outra é calma, cheia de mansitude e caridade.


RECONCILIAR-SE COM OS ADVERSÁRIOS.

“Concerta-te sem demora com o teu adversário, enquanto estás a caminho com ele, para que não suceda que ele te entregue ao juiz, e que o juiz te entregue ao seu ministro, e sejas mandado para a cadeia. Em verdade te digo que não sairás de lá, enquanto não pagardes o último ceitil.” (Mat 5. 25-26)
“Não julgueis, pois, para não serdes julgados; porque com o juízo que julgardes os outros, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos medirão também a vós.” (Mat 7. 01-02)
São Paulo diz: “Perdoar aos inimigos, é pedir perdão para si mesmo, perdoar aos inimigos é dar prova de amizade. Perdoar as ofensas é mostrar que se melhora. Perdoai, pois, meus amigos, para que Deus nos perdoe.”
José nos diz: “A indulgência não vê os defeitos alheios, e se os vê, evita comentá-los e divulgá-los. Jamais se preocupe dos maus atos alheios, a menos que seja para prestar um serviço. Oh! Homens. Quando passareis a julgar os vossos pensamentos, sem vos ocupardes do que fazem os vossos irmãos? Quando fitareis os vossos olhos severos somente sobre vós mesmos?”


AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO.

Jesus disse: “amarás ao senhor teu Deus de todo o teu coração, e de tua alma, e de todo o teu entendimento, este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contem toda a lei e os profetas.” (Mat 22. 34-40)
Amar ao próximo como a si mesmo; fazer aos outros como queríamos que nos fizesse, eis a expressão mais completa da caridade. Com que direito exigiríamos de nossos semelhantes melhor tratamento, mais indulgências, benevolência e devotamento, do que lhe damos?


AMAI OS VOSSOS INIMIGOS.
PAGAR O MAL COM O BEM.

“Amai o os vossos inimigos, fazei bem ao que vos odeia, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de nosso Pai, que está nos céus, o qual faz nascer o Seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque, se não amardes aos que vos amam, que recompensa haveis de ter? não fazem os publicanos também assim? E se saudares somente aos vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? – Eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus. (Mat 5.20, 43-48; Luc 6.32-36)

A única razão para aceitarmos tal atitude, resulta de uma lei física: a da assimilação e repulsa dos fluídos. O pensamento malévolo emite uma corrente de fluídos no corpo que causa penosa impressão; o pensamento benévolo envolve-nos num eflúvio agradável. Daí a diferença de sensações que se experimenta, à aproximação de um inimigo ou de um amigo. O que é sugerido portanto, é perdoá-los sem Segunda intenção e incondicionalmente em nosso próprio íntimo, para não sofremos por eles.


QUE A MÃO ESQUERDA NÃO SAIBA O QUE FAZ A DIREITA.
(Mateus 6. 01-14)

Fazer o bem sem ostentação tem grande mérito. Esconder a mão que dá é ainda mais meritório, é o sinal incontestável de uma grande superioridade moral. Jesus disse: “os que fazem o bem com ostentação já receberam a sua recompensa.” Com efeito, aquele que busca a sua glorificação na terra, pelo bem que faz, já se pagou a si mesmo. Deus não lhe deve nada; só lhe resta a receber a punição do seu orgulho. Na falta de dinheiro, não dispõe cada qual do seu esforço, do seu tempo, do seu repouso, para oferecer um pouco aos outros? Isso também é a esmola do pobre. “Quando deres um banquete, disse Jesus, não convide os teus amigos, mas os pobres e os estropiados.” Essa é uma linguagem figurada, pois ao invés de nossos amigos, Jesus não queria que convidássemos aos mendigos. O fundo do pensamento se revela “e serás bem-aventurados, porque esses não têm com o que te retribuir.” O que vale dizer que não se deve fazer o bem com vistas à retribuição, mas pelo simples prazer de fazê-lo.


A CARIDADE SEGUNDO SÃO PAULO.

Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o Dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda fé, até ao ponto de transportar montes, e não tiver caridade, não sou nada.
Se eu distribuir todos os meus bens em favor do sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disso me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes; porém a maior delas é a caridade.” (Cor 8. 01.07,13)





A VISÃO DE SÃO LUÍS SOBRE AS FORTUNAS.

“O princípio segundo o qual o homem é apenas o depositário da fortuna, de que Deus lhe permite gozar durante a vida, tira-lhe o direito de transmitir aos descendentes?”

“O homem pode perfeitamente transmitir, ao morrer, os bens de que gozou durante a vida, porque a execução desse direito está sempre subordinada à vontade de Deus, que pode, quando quiser, impedir que os descendentes venham a gozá-los. É por isso que vemos ruírem fortunas que pareciam solidamente estabelecidas. A vontade do homem, de conservar a sua fortuna na linha de sua descendência, é portanto impotente. Mas isso não lhe tira o direito de transmitir o empréstimo recebido, desde que Deus o retirará quando julgar conveniente.”


MUITOS SÃO OS CHAMADOS E POUCOS OS ESCOLHIDOS.
(Mateus 22. 01-13)

REFLEXÃO:

Nesta parábola, por exemplo, Jesus compara o Reino dos Céus, onde tudo é felicidade e alegria, a uma festa nupcial. Os primeiros convidados são os judeus, que Deus havia chamado em primeiro lugar para o conhecimento da Sua lei. Os enviados do Rei são os profetas, que convidaram os judeus a seguir o caminho da verdadeira felicidade, mas cujas palavras foram pouco ouvidas, cujas advertências foram desprezadas, e muitos deles foram mesmo massacrados, como os servos da parábola. Os convidados que deixam de comparecer, alegando que tinham de cuidar de seus campos e de seus negócios, representam as pessoas mundanas, que, absorvidas pelas coisas terrenas, mostram-se indiferentes para as coisas celestes. Foi então, que Jesus apareceu, enviado para chamá-los à observação da lei e para abrir-lhes os novos horizontes da vida futura. Eles porém o sacrificaram. Seria injusto, entretanto, acusar o povo inteiro por essa situação. A responsabilidade coube principalmente aos fariseus e aos saduceus, que puseram a nação a perder, os primeiros pelo seu orgulho e fanatismo, e os segundos pela sua incredulidade. São eles, sobretudo, que Jesus compara aos convidados que se negaram a comparecer ao banquete de núpcias, e acrescenta que o Rei, vendo isso, mandou convidar a todos os que fossem encontrados nas ruas, bons e maus. Fazia entender assim que a palavra seria pregada a todos os outros povos, pagãos e idólatras, e que estes, aceitando-a, seriam admitidos à festa de núpcias em lugar dos primeiros convidados.
Mas não basta ser convidado; não basta dizer-se cristão, nem tampouco sentar-se à mesa para participar do banquete celeste. É necessário, antes de tudo, e como condição expressa, vestir a túnica nupcial, ou seja, purificar o coração e praticar a lei segundo o espírito, pois essa lei se encontra inteira nestas palavras: fora da caridade não há salvação. Quão poucos se tornam dignos de entrar no Reino dos Céus! Foi por isso que Jesus disse: muitos serão os chamados e poucos os escolhidos.


A PORTA ESTREITA.
(Lucas 13.23-30)

A porta da perdição é larga, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais freqüentado. A da salvação é estreita, porque o homem que deseja transpô-la deve fazer grandes esforços para vencer as suas más tendências, e poucos se resignam a isso.

Os que dizem: Senhor, Senhor... Leia: (Mateus 7. 21-27; Luc 6. 46-49).

Discernimento:

Todos que confessam a missão de Jesus, dizem: Senhor, Senhor! Mas de que vale chamá-Lo Mestre ou Senhor, quando não se seguem os Seus preceitos? Ser realmente cristão significa: não ter egoísmo, orgulho, cupidez e todas paixões torpes da carne; ódio, adultério, e desmentem suas palavras por suas ações. A única via que está aberta, para alcançarmos a Graça em Sua presença, é a da prática sincera da lei do amor e da caridade.



PARÁBOLA DA FIGUEIRA SECA.
(Mateus 17. 14-19)

A figueira seca é o símbolo das pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom: dos oradores que possuem mais brilho do que a solidez, dotados do verniz das palavras de maneira que estas agradam aos ouvidos; mas, quando as analisamos, nada revelam de substancial para o coração; e, quando as acabamos de ouvir, perguntamos que proveito tivemos. São árvores frondosas, mas sem frutos, e é por isso que Jesus as condena à esterilidade, pois dia virá em que ficarão secas até as raízes. Isso quer dizer que todos os homens voluntariamente inúteis, que não se utilizam dos recursos de que estavam dotados, serão tratados como a figueira seca.


A FÉ QUE TRANSPORTA MONTANHAS.
(Mateus 17. 14-19)

Discernimento:

A fé é o sentimento inato, no homem, da sua destinação. É a consciência das prodigiosas faculdades que lhe traz em germe e no íntimo, a princípio em estado latente, mas que ele deve fazer germinar e crescer, através da sua vontade ativa. Até o presente, a fé só foi compreendida no seu sentido religioso, porque o Cristo a revelou como poderosa alavanca, e porque Nele só viram um chefe de religião. Mas o Cristo, que realizou verdadeiros milagres, mostrou, por esses mesmos milagres, quanto pode o homem que tem fé, ou seja, que tem a vontade de querer e a certeza de que essa vontade pode realizar-se a si mesma.
A fé é terrena ou divina, segundo a aplicação de que o homem der as suas faculdades, em relação às necessidades terrenas ou às suas aspirações de um grande empreendimento, triunfa se tem fé, porque sente em si mesmo que pode e deve triunfar, e essa certeza intima lhe dá uma extraordinária força. O homem de bem que, crendo no seu futuro celeste, quer preencher a sua vida com nobres e belas ações, tira da sua fé, da certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e ainda nesse caso se realizam os milagres da caridade, do sacrifício e da abnegação. E, por fim, não há mais inclinações que, com a fé, não possam ser vencidas.

FALSOS CRISTOS E FALSOS PROFETAS.
(Lucas 6. 43-45; Mateus 7.15-20; 24.4-5,11-13,23-24; Marcos 13. 5-6, 21-22)

Discernimento.

Aos olhos do povo, todo fenômeno cuja causa é desconhecida passa por sobrenatural, maravilhoso e miraculoso. Conhecida a causa, reconhece-se que o fenômeno, por mais extraordinário que pareça, não é mais do que a aplicação de uma determinada lei da natureza. É assim que a área dos fatos sobrenaturais se restringe, à medida que se amplia a das leis cientificas. Desde todos os tempos, certos homens exploram, em proveito de sua ambição, de seus interesses e de seu desejo de dominação, certos conhecimentos que possuíam, para conseguirem o prestígio de um poder supostamente sobre-humano ou de uma pretensa missão divina.
São esses os falsos cristos e os falsos profetas. A difusão dos conhecimentos vem desacreditá-los, de maneira que o seu número diminui, à medida que os homens se esclarecem. O fato de operarem aquilo que aos olhos de algumas pessoas, parece prodígio não é, portanto, nenhum sinal de missão divina. Esses prodígios podem resultar de conhecimento que qualquer um pode adquirir, ou de faculdades orgânicas especiais, que tanto o mais indigno como o mais digno podem possuir. O verdadeiro profeta se reconhece por características mais sérias, exclusivamente de ordem moral.


BUSCAI E ACHAREIS.
(Mateus 7. 7-11; 5. 19-21,25-34; 10. 9-15)

e mais
PEDI E OBTEREIS.
(Mateus 6. 5-8; Marcos 11. 2424-26; Lucas 18. 9-14; I Cor 14. 11,14,16-17)

Discernimento.

O poder da prece está no pensamento, e não depende nem das palavras, nem do momento em que é feita. Pode-se, pois, orar em qualquer lugar ou a qualquer hora, a sós ou em conjunto. A influencia do lugar ou do tempo depende das circunstâncias que possam favorecer o recolhimento. A prece em comum tem ação mais poderosa, quando todos os que a fazem se associam de coração num mesmo pensamento e têm a mesma finalidade, porque então é como se muitos clamassem juntos em uníssono. Mas que importaria estarem reunidos em grande número, se cada qual agisse isoladamente e por sua própria conta? Cem pessoas reunidas podem orar como egoístas, enquanto duas ou três, ligadas por uma aspiração comum, orarão como verdadeiros irmãos em Deus, e sua prece terá mais força do que a daqueles cem.
A prece só tem valor pelo pensamento que a informa. Ora, é impossível ligar um pensamento àquilo que não se compreende, pois o que não se pode tocar o coração. Para a grande maioria, as preces numa língua desconhecida não passam de mistura de palavras que nada dizem ao espírito. para que a prece toque o coração, é necessário que cada palavra revele uma idéia, e se não a compreendermos, ela não pode revelar nenhuma. Podemos repeti-la como simples fórmula, cuja virtude estará apenas no menor ou maior número das repetições. Muitos oram por dever, alguns, mesmo, para seguir o costume; eis porque eles se julgam quites com o dever, depois de uma prece repetida por certo número de vezes e segundo determinada ordem. Mas Deus lê no intimo dos corações; perscruta o nosso pensamento e a nossa sinceridade; e considerá-Lo mais sensível à forma do que ao fundo seria rebaixá-Lo.


VENTURA DA PRECE.
(Por Santo Agostinho)

Vinde, todos vós que desejais crer: acorrem os espíritos celestes, e vem anunciar-vos grandes coisas! Deus, meus filhos, abre os Seus tesouros, para vos distribuir os Seus benefícios. Homens incrédulos! Se soubésseis como a fé beneficia o coração, e leva a alma ao arrependimento e à prece! A prece. Ah, como são tocantes as palavras que se desprendem dos lábios na hora da prece! Porque a prece é o orvalho divino, que suaviza o excessivo calor das paixões. Filha predileta da fé, leva-nos ao caminho que conduz a Deus. no recolhimento e na solidão. Encontrai-vos como Deus; e para vós o mistério se desfaz, porque se revela. Apóstolos do pensamento, a verdadeira vida se abre para nós! Vossa alma se liberta da matéria e se lança pelos infinitos e etéreos, que a pobre humanidade desconhece.
Marchai, marchai, pelos caminhos da prece, e ouvires a voz dos anjos! Que harmonia! Não são mais os ruídos confusos e as vozes gritantes da terra. São as liras dos arcanjos, as vozes doces e meigas dos serafins, mais leves que a brisa da manhã, quando brincam nas ramagens dos vossos arvoredos. Com que alegria então marchais! Vossa linguagem terrena não poderá exprimir jamais essa ventura, que vos impregna por todos os poros. Tão viva e refrescante é a fonte que bebemos através da prece! Doces vozes, inebriantes perfumes, que a alma ouve e respira, quando se lança, pela prece, a essas esferas desconhecidas e habitadas! São divinas todas as aspirações, quando livres dos desejos carnais. Vós também, com o Cristo, orai, carregando a vossa cruz para o Gólgota, para o vosso calvário. Levai-a, e sentireis as doces emoções que lhe passavam pela alma, embora carregasse o madeiro infamante. Sim, porque Ele ia morrer, mas para viver a vida celestial, na morada do Pai!
































COMO O ESPIRITISMO DEFINE A OBSESSÃO.

A obsessão é a ação persistente de um mau espirito sobre uma pessoa. Apresenta características muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais. Oblitera todas as faculdades mediúnicas.
Na mediunidade psicográfica, ou de escrever, revela-se pela obstinação de um espírito em se manifestar exclusivamente, sem permitir que outros o façam. Os maus espíritos pululam ao redor da terra, em conseqüência da inferioridade moral dos seus habitantes. Sua ação malfazeja faz parte dos flagelos que a humanidade suporte neste mundo. A obsessão como as doenças, e como todas as atribulações da vida, deve ser considerada, pois como uma prova ou uma expiação, e aceita nessa condição.
Assim como as doenças o resultado das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às influências perniciosas do exterior, a obsessão é sempre o resultado de uma imperfeição moral, que dá acesso a um mau espírito. A única causa física, opõe-se uma força física; a uma causa moral, é necessário opor uma força moral. Para preservar das doenças, fortifica-se o corpo; para garantir contra a obsessão, é necessário fortificar a alma. Disso resulta que o obsedado precisa trabalhar pela sua própria melhoria, o que na maioria das vezes é suficiente para o livrar do obsessor, sem socorrer-se de outras pessoas. Esse socorro se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação e em possessão, porque o paciente perde, por vezes, a sua vontade própria e o seu livre-arbítrio.
A obsessão é quase sempre a ação vingativa de um espírito, e na maioria das vezes tem sua origem nas relações do obsedado com o obsessor, em existência anterior.
Nos casos de obsessão grave, o obsedado está como envolvido e impregnado por um fluído pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É necessário livrá-lo desse fluido.
Mas um mau fluido não pode ser repelido por outro da mesma espécie. Por uma ação semelhante a que o médium curador exerce nos casos de doença, é preciso expulsar o fluido mau com a ajuda de um fluído melhor, que produz, decerto modo, o efeito de um reagente. Essa é a que podemos chamar de ação mecânica, mas não é suficiente. Faz-se também necessário, e acima de tudo, agir sobre o inteligente, com o qual se deve falar com autoridade, sendo que essa autoridade só é dada pela superioridade moral. Quanto maior for esta, tanto maior será a autoridade.
E ainda não é tudo, pois para assegurar a libertação, é preciso convencer o espirito perverso a renunciar aos seus maus intentos; despertar-lhe o arrependimento e o desejo do bem, através de instruções habilmente dirigidas, com a ajuda de evocações particulares, feitas no interesse da sua educação moral. Então, pode-se ter a dupla satisfação de libertar um encarnado e converter um espírito imperfeito.
A tarefa se torna mais fácil, quando o obsedado, compreendendo a sua situação, oferece o concurso da sua vontade e das suas preces. Dá-se o contrário quando, seduzido pelo espírito embusteiro, ele se mantém iludido quanto as qualidades da entidade que o domina, e se compraz nas suas mistificações, porque então, em vez de ajudar, ele mesmo repele qualquer assistência. É o caso da fascinação, sempre infinitamente mais rebelde do que a mais violenta subjugação. Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar da ação contra o espírito obsessor.

1 – Prece (para o obsedado proferir).

- Meu Deus, permiti aos bons espíritos me livrarem do espírito malfazejo que se ligou a mim. Se é uma vingança que ele pretende exercer, em conseqüência dos males que eu lhe teria feito outrora, vós o permitistes, meu Deus, e eu sofro por minha própria culpa. Possa o meu arrependimento me fazer merecedor do vosso perdão e da mas liberdade! Mas, seja qual for o motivo, suplico a vossa misericórdia para ele. Facilitai-lhe, Senhor, a senda do progresso, de que se desviou pelo pensamento de fazer o mal. Possa eu, de meu lado, retribuindo-lhe o mal com o bem, encaminhá-lo a melhores sentimentos.
Mas sei também, ó meu Deus, que são as minhas imperfeições que me tornam acessível às influências dos espíritos imperfeitos. Dai-me a luz necessária para as reconhecer; e afastai sobretudo o meu orgulho, que me torna cego para os meus defeitos. Como deve ser grande a minha indignidade, para que um ser malfazejo me possa dominar! Fazei, ó meu Deus, que este golpe desferido na minha vaidade me sirva de lição para o futuro, que ele me fortaleça na decisão de me depurar pela prática do bem, da caridade e da humildade, a fim de que possa opor, daqui por diante, uma barreira ao ataque das más influências. Senhor, dai-me a força de suportar esta prova com paciência e resignação! Compreendo que, como todas as demais provas, ela deve contribuir para o meu adiantamento, se eu não comprometer os seus resultados, com as minhas lamentações, pois ela me oferece uma oportunidade de demonstrar a minha submissão, e de praticar a caridade para com um irmão infeliz, perdoando-lhe o mal que me tenha feito.


2 – Prece (pelo espírito obsessor)

- Deus, infinitamente bom, suplico a vossa misericórdia para o espírito que obseda a mim! Fazei que ele perceba as divinas claridades, a fim de que reconheça a falsidade do caminho que está seguindo. Bons espíritos, ajudai-me a fazê-lo compreender que ele tem tudo a perder na prática do mal, e tudo a ganhar na prática do bem!
Espírito que vos comprazei em atormentar a mim ouvi-me, pois, que vos faço em nome de Deus! Se quiserdes refletir, compreendereis que o mal não pode levar o bem, e que não podeis ser mais forte do que Deus e os bons espíritos, que poderão preservar a mim de qualquer atentado de vossa parte. Se não o fizeram, foi porque eu tinha uma prova a sofrer. Mas quando essa prova terminar, eles vos impedirão de agir sobre mim.
O mal que me tiverdes feito, em vez de prejudicar-me, terá servido para o meu adiantamento, tornando-me mais feliz. Assim, a vossa maldade terá sido em vão, mas tornará fatalmente contra vós.
Deus, que é Todo-Poderoso, e os espíritos superiores, seus servidores, que são mais poderosos do que vós, poderão então por um fim a essa obsessão, quando quiserem, e a vossa tenacidade se quebrará contra essa autoridade suprema. Mas por ser bom, quer Deus vos deixar o mérito de interrompê-la pela vossa própria vontade. É uma concessão que vos faz, e se não a aproveitardes, tereis de sofrer deploráveis conseqüências, pois, grandes castigos e duros sofrimentos vos esperam. Sereis forçado a implorar a sua piedade e as preces da vossa vítima, que já vos perdoou e ora por vós, o que é um grande mérito aos olhos de Deus e apressará a sua libertação. refleti, pois, enquanto é tempo, porque a justiça de Deus pesará sobre vós, como sobre todos os espíritos rebeldes. Lembrai-vos de que o mal que fazeis neste momento terá forçosamente um fim, enquanto que, se persistirdes no vosso endurecimento, os vossos sofrimentos aumentarão sem cessar.
Ao lado disso, vede o que perdeis: observai os bons espíritos que vos cercam e dizei se a sua sorte não é preferível a vossa. A felicidade que desfrutam será também vossa, quando o quiserdes. O que é necessário para tanto? Implorar a Deus o seu auxílio, e fazer o bem em vez de fazer o mal. Bem sei que não podeis transformar-vos de um momento para outro; mas Deus não quer o impossível; o que deseja é apenas a boa vontade. tentai, portanto, e nós vos ajudaremos. Fazei que bem logo possamos dizer em vosso favor a prece pelos espíritos sem arrependimento, e não mais vos classificar entre os maus espíritos, enquanto esperamos o momento de vos encontrar entre os bons.

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