ESPIRITUALIDADE, DOZE PASSOS, REFLEXÕES DIÁRIAS, TEMAS SÔBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

REFLEXÕES SOBRE O SEGUNDO PASSO

No primeiro passo, convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informaram que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?
Alguns abrigam a ideia de que o homem, elevado tão majestosamente de uma simples e primitiva célula, é hoje a ponta de lança da evolução e, portanto, o único Deus que ele conhece.
Precisa renunciar a isto para se salvar?
Em primeiro lugar, Alcoólicos Anônimos não exige que você acredite em coisa alguma. Todos os doze passos são sugeridos. Em segundo lugar, para alcançar a sobriedade e para manter-se sóbrio, não é preciso aceitar todo o segundo passo de uma vez. em terceiro lugar, a única coisa que você realmente precisa é ter a mente aberta.
Quando deparar com Alcoólicos Anônimos pela primeira vez, você pode pensar que este negócio de Alcoólicos Anônimos é totalmente anticientífico, e simplesmente recusar-se a aceitar por considerar uma bobagem.
Os membros de Alcoólicos Anônimos seguem inúmeros caminhos a procura de fé. Se não se interessar por aquele que lhe sugerem, certamente descobrirá outro que lhe convirá, se ficar atento. Você pode começar a resolver o problema pelo método da substituição. Poderá, se quiser, considerar Alcoólicos Anônimos em si como sua força superior. Muitas pessoas, nele, resolveram seus problemas, com o álcool e, portanto, representam um Poder Superior a você, que nem sequer chegou perto da solução. Esse mínimo de fé bastará. Muitos libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, chegaram a acreditar no Poder Superior, e a maioria começou a falar em Deus.
Às vezes, Alcoólicos Anônimos é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé, do que pelos que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé e ambas as formas os decepcionaram.
A religião afirma que a existência de Deus pode ser comprovada; o agnóstico diz que não pode ser comprovada; e o ateu afirma que tem provas da inexistência de Deus. Afastado da fé, o problema é uma confusão profunda, sem qualquer crença nem alcança a convicção do crente, do agnóstico ou do ateu. Fica-se desnorteado. Ao começarmos a obter êxito material, estávamos felizes então, por que nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos, ou com o estado nossas almas na Terra e no além? Bastava-nos o aqui e agora. A vontade de ganhar nos levaria para frente. Então, o álcool começou a nos dominar. Finalmente, sem outra saída, tivemos que sair a procura de nossa fé perdida. Em Alcoólicos Anônimos a descobrimos de novo.
Há quem se julgue intelectualmente autossuficiente. Adoram ouvir as pessoas os chamar de “gênios”; inflam em balões orgulhosos; acham que podem flutuar acima dos outros utilizando apenas o poder de seus cérebros; a sabedoria é onipotente; o intelecto é capaz de conquistar a natureza. O Deus do intelecto substitui o Deus de seus pais. Porém, mais uma vez, a bebida alcoólica tem outras ideais. Eles, que tão brilhantemente haviam vencido sem esforços, converteram-se nos maiores derrotados de todos os tempos. Viram que seria necessário reconsiderar, senão morreriam. A humildade e o intelecto podem ser compatíveis, conquanto que a humildade esteja em primeiro plano. Quando começaram a entender isso, receberam a dádiva da fé, uma fé que funciona.
Outros se sentem desenganados com a religião e suas obras. A bíblia, dizem, está cheia de bobagens. Criticando as pessoas religiosas, sentem-se superiores a elas e não olham para si, para seus próprios defeitos. Esta falsa forma de respeitabilidade é uma desgraça, no tocante à fé. Contudo, compelidos ao Alcoólicos Anônimos, acabam por aprender melhor.
O desafio é a característica predominante de muitos alcoólicos, inclusive o desafio a Deus. Pedem para que Deus lhes dê tudo de bom, inclusive coisas utópicas, isso caso Ele exista, e, quando não conseguem, culpam ao próprio Deus por abandoná-los. Então se convertem em bêbados e rezam a Deus para que os salve. E nada acontece. Essa é a falha mais impiedosa de todas. “Para o diabo com este negócio de fé”, dizem.
Em Alcoólicos Anônimos conhecem o erro de sua rebeldia. A crença significa a confiança e não o desafio. Logo conhecem que a humildade é essencial para sua recuperação.
Vários são cheios de fé, embora cheirem a álcool. Eles se sentem devotos inveterados, mas se esquecem de que o mais importante é a qualidade da fé, e não o volume da prática religiosa. Esse é o ponto cego. Consideram praticar a sério suas religiões, mas são superficiais. Acreditam serem iluminados quando não o são. Confundem emocionalismo com sentimentos religiosos. Querem sempre receber sem dar. Sempre dizem: “concedei-me as coisas que eu desejo”, em vez de: “seja feita a vossa vontade”.
Alguns estarão dispostos a se classificarem de “bebedores problema”, mas não aceitarão a simples insinuação de que estão mentalmente doentes. São amparados nesta cegueira por um mundo que não compreende a diferença entre o beber racional, e o alcoolismo. A “sanidade” se define como “saúde mental”. Contudo, nenhum alcoólico analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, poderia se considerar possuidor de “saúde mental”, caísse a destruição sobre um objeto, ou sobre sua estrutura moral. Sejamos agnósticos, ateus ou ex-crentes, podemos nos agrupar neste passo. A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé, e toda reunião de Alcoólicos Anônimos é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com Ele.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO PASSO


Quase ninguém se dispõe a admitir a derrota completa; os instintos naturais gritam contra essa ideia. O álcool nos esvazia de toda auto-suficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Só conseguimos pensar nele desde o acordar até o “desmaiar”, e não percebemos nossa falência total como seres humanos. 
O álcool, além de sua propriedade viciante, possui também um efeito psicológico que modifica o pensamento e o raciocínio. Uma dose pode mudar o processo mental de um alcoólico, de modo que ele acha que pode aguentar outra, outra e outra... Para ele, viver sem o álcool é o mesmo que não ter vida. Uma vez ingerida a primeira dose, a compulsão se desencadeia. Soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula, preguiça, manipulação emocional, negação, justificativas, autopiedade e racionalizações, se tornaram para o alcoólatra como o ar que respiram. 
São três as falências totais a que são submetidos os alcoólicos: “física”, o organismo passa a rejeitar o álcool; o alcoólatra tenta parar ou diminuir a quantidade mais daí, o corpo passa a exigi-lo através dos sintomas da crise de abstinência esse então, ingere o álcool para poder superar as dores desse sintoma, em doses maiores ainda, virando dessa forma um ciclo vicioso que se repete diariamente. “Mental”, é a obsessão, pensamentos ininterruptos de como vamos usar mais álcool, mesmo que isso signifique manipular pessoas, roubar, mentir, adiar um compromisso etc. “Espiritual”, a parte espiritual da doença é o total egocentrismo, o alcoólatra passa por cima de amigos, responsabilidades, pai, mãe, esposa, trabalho ou qualquer um que tente de alguma forma, impedir seu desejo incontrolável de usar mais álcool. 
A palavra “admitir” no primeiro passo é insuficiente, e ele vai além da palavra “aceitar”. Um fato deve ser observado, ou seja, a necessidade de distinguir entre submissão e rendição. No primeiro caso, um indivíduo aceita a realidade consciente, mas não no subconsciente. Ele aceita como fato pratico que momentaneamente não pode derrotar a realidade, mas espera que um dia vá vencer, o que implica a não-aceitação real e presença de tensão. Por outro lado, quando um indivíduo se rende, a habilidade de aceitar a realidade funciona num nível inconsciente e a tensão desaparece. O ato de rendição é uma ocorrência inconsciente, não provocada pelo paciente, mesmo que ele assim o deseje. Uma pessoa não pode simplesmente declarar que aceita qualquer coisa – senão a aceitação não é total, mas só da boca para fora. Existem palavras que descrevem essa meia aceitação, como: submissão, resignação, cessão, complacência, reconhecimento, concessão e assim por diante. O importante além de admitir, é se render ao fato de que somos completamente impotentes perante o tirano “Rei-álcool”. No primeiro gole, ele já começa a nos empurrar para o fundo-do-poço. E de lá só sairemos quando nos prontificarmos a aceitar e escutar, como os que se encontram à beira da morte, as palavras de tantos outros companheiros que, com certeza, já passaram por esse caminho de destruição, e através de Alcoólicos Anônimos conseguiram se manter em recuperação. 
Devemos nos prontificar a fazer qualquer coisa que nos livre da obsessão impiedosa, e a primeira delas, é rendermo-nos totalmente e nos conscientizar da nossa impotência perante o álcool. 
Talvez não sejamos culpados pela nossa doença, mas certamente somos responsáveis por mantê-la estacionária.franquias baratas

sábado, 5 de agosto de 2017

IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA CONTRA DROGAS LICITAS OU NÃO

Álcool também é droga e o ponto de entrada para outras.

No início dos anos 90, o crack chegava com virulência atacando nossa juventude e matando-os sem dó. A nova droga que parece ter vindo para ficar, colecionava, como ocorre ainda hoje, centenas de adolescentes, os quais sem conhecerem o altíssimo poder das “pedras”, de gerar rápida e grave dependência, caiam vitimados, pela promessa do falso prazer. Caiam em um submundo repleto de mortes, prisões, suicídios, prostituição. Se tonavam jovens castigados por uma ansiedade fora de controle, com movimentos corporais agitados, olhos assustadiços e expressivamente magros, em alguns casos, ficavam com os ossos da face em evidência. Negavam-se a receber ajuda (como hoje se vê na cracolândia) ou quer de centros de tratamento, profissionais da área ou grupos de ajuda mútua. 
Os avanços da neurociência permitem identificar problemas bioquímicos que contribuem e muito, para levar o indivíduo portador de imperceptíveis transtornos neurológicos à severa dependência do álcool (droga lícita) sem terem esses dependentes, nenhuma doença mental. No máximo, são portadores de “desconforto mental” que os leva ao uso, para “acalmar” ou “se sentirem bem.” Alguns psicanalistas chegam a afirmar que “vivemos uma cultura tóxica”, porque nos inclinamos à dependência de alguma coisa para atenuar nossas ansiedades, que poderá ser a comida, álcool, tabaco, sexo, medicamentos e agora a internet etc.
Ponto relevante é a educação, no sentido de transmitir valores éticos-morais. Tradicionalmente, a família e as religiões cuidavam de educar as crianças e adolescentes. Hoje os pais têm transferido essa tarefa para a escola, que na verdade, tem o papel de intelectualizar o aluno. Esquecendo assim, de que o lar é o melhor educandário, porque sua lições são vivas e impressionáveis, carregadas de emoção e força. Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pelas alegrias de viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, cujas práticas demonstram o contrário.
Pesquisas apontam que 20,0% dos adolescentes matriculados nas escolas públicas bebem com frequência, o que significa “um em cada cinco alunos” faz uso do álcool. Indicadores revelam ainda que, em relação ao álcool e ao tabaco, as meninas superam os meninos no seu uso. Quanto à mudança dessa cultura suicida, o processo histórico nos indica que as alterações sócio-culturais costumam ocorrer somente depois de espalhar dores cruéis no organismo social. O toxicômano não se importa em se livrar do desejo de usar drogas, ele deseja apenas “fazer calar a sua dor.” Tanto o usuário eventual, como o dependente químico, sente na própria carne, o quanto as drogas são perigosas, mas está enredado num processo psicótico e obsessivo. O “tempo” do usuário é diferente do nosso, pois está “contaminado de velocidade” e porque perdeu a capacidade de esperar. Paradoxalmente, não tem capacidade de agir e apenas é levado pelas circunstâncias interiores e exteriores comparando-se a um zumbi. Os níveis de ansiedade são tão altos que vive a cada dia, como se fosse o último. 
A vontade de ajudar um adicto a sair da situação degradante na qual se encontra, é enorme por parte de algumas pessoas, bem-intencionadas. Porém, é necessário algumas cautelas. Posto que é alguém que está sempre buscando comover *(manipular) as pessoas, para tentar facilitar o uso . Na maioria dos casos, o dependente químico procura ajuda, para se aperfeiçoar em sua droga adição e muitos acreditam que podem descobrir um jeitinho de usar drogas sem pagar o preço das sequelas físicas, psicológicas, mentais, morais e sociais. Desse modo, em razão da complexidade do problema, o seu enfrentamento não admite amadorismos. Exige um somatório de paciência e amor, estudos sobre a personalidade humana e estrutura psicológica do adicto, sobretudo cautela e energia, para não se deixar fazer parte do jogo manipulador, tão próprio dessa enfermidade. Uma das maiores causa do uso de drogas atualmente é o isolamento. Esse isolamento impõe severa solidão, às vezes, começa dentro do próprio lar, onde vivemos acossados para atender às necessidades que nós criamos. Demoramos a perceber que nossos filhos têm sentimentos próprios e que não são projeções de nós mesmos. O silêncio prolongado, sem longas horas de internet, a porta do quarto fechada, a ciranda de festas ruidosas, “falam” dessa solidão, não de pessoas, mas de afeto e diálogo. Por isso, cabe aos pais adentrar no mundo interno do filho, para sentar no chão de sua intimidade e ali conversar com ele, para tentar descobrir as dores da sua alma. O egoísmo também está presente no adicto ao eleger o caminho das drogas. Para busca de um prazer, ignora os afetos mais caros, rompendo seus vínculos familiares e destrói-se tudo pela tentativa de fazer calar seus conflitos. Somente mais tarde vem a descobrir que perdeu a liberdade. Por certo não podemos perder de vista que se a dependência tem por base os conflitos emocionais, outros fatores não menos relevantes devem ser considerados como os defeitos de caráter (abordados nas literaturas de Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos).
A importância da família na formação do ser é indiscutível. Não se vence a dependência de drogas sem sua efetiva e afetiva participação.
A compreensão dos pais e outros familiares, lhe surgirá como grande alívio e estímulo para “aceitar” o tratamento. Tendo em vista que a primeira reação do dependente químico é a de não reconhecer o seu problema, valendo-se dos chavões “não sou viciado, paro quando quero.” A melhor atitude da família é não se escandalizar e adotar a postura de quem vai efetivamente ajudá-lo. Somente estabelecendo um clima de confiança se poderá saber até onde e com quem o dependente químico está envolvido. Esta é a maneira mais adequada de se saber qual droga está sendo consumida, o grau de sua dependência e outros riscos. A espiritualidade, de forma ecumênica e voltada ao evangelho, é capaz de desenvolver um elo emocional com as lições e seu conteúdo ético-moral. Pouco a pouco, o dependente químico sente o despertar de uma nova consciência, que o leva para uma realidade até então desconhecida.
As drogas fazem uma “blindagem emocional” do ser, como se congelassem seus sentimentos e a mensagem do Evangelho pulveriza esse bloqueio, abrindo novas e ricas possibilidades para proporcionar uma vida sem drogas, de onde poderá emergir o homem integral.Abandonar o consumo de drogas implica na “transformação cultural”, significa também uma ”reforma íntima”. O processo de reabilitação não é simples e nem breve. Na verdade, é marcado por muitas fases, escritas com dolorosas lágrimas e rudes sofrimentos. Razão pela qual, a prevenção é o melhor caminho. A prevenção na família equivaleria a preencher os seus vazios emocionais, que muitas vezes não são detectados a tempo. Evitar o consumo, ainda que eventual, de bebidas alcoólicas em casa, porque não sabemos se um membro de nossa família traz as tendências para esse vício. “Faça o que eu digo e não o que faço” é o pior dos exemplos. Acompanhar de perto os pensamentos e atitudes de um membro da família, pode ajudar a detectar a adicção antes mesmo que ele venha a ocorrer.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

A RESPOSTA ESTÁ EM NOSSA ESPIRITUALIDADE

Muitas vezes nos sentimos sem rumo, sem razão para viver, com um vazio, uma sensação de que algo está faltando ou que algo está incompleto, temos um sentimento de angústia, uma insatisfação total com a vida... Nesse momento, começamos a errar. Sem possuir a cultura e o conhecimento necessários, vamos buscar respostas em lugares errados. Vem então a ideia de que talvez fazer compras pode nos ajudar, como se coisas materiais adquiridas compulsivamente ou de forma desnecessária, trouxessem alívio para nossas dores da alma. Outra opção que nos ocorre é sair com amigos para uma noitada ou ainda nos entregarmos a atividades promíscuas, sempre em busca de uma sensação boa, de preenchimento do vazio inexplicável. Estamos no campo do “escapismo” e precisamos alimentar essas atitudes, para manter a sensação de atividade, de ação, da ideia de sermos adequados e pertencentes a algo importante, de estarmos enturmados. Alguns encontram alternativas mais perigosas, como o álcool, as drogas ou simplesmente se tornam alienados e amargurados. Não temos coragem de enfrentar essa sensação de vazio interior, não aprendemos a fazer isso. Ficamos assustados com nossas fraquezas, com nossa superficialidade e tentamos então evitar todas as maneiras de ficarmos a sós com nossos pensamentos. Há pessoas que precisam de atividade constante, rádio ou televisão ligados o tempo todo, sempre na intenção de afastar pensamentos mais profundos e questionadores. É chegado o dia. Pelo cansaço de uma vida sem sentido, por influência da família ou por alguma força interior, nos vemos forçados a parar e a refletir sobre o real sentido da vida. Começa, então, nossa busca, nossa jornada em direção à fonte. Tem início nossa peregrinação por religiões, crenças, doutrinas, seitas adivinhos ou qualquer outra coisa que nos possa ajudar, continuando nossas perguntas íntimas sem respostas adequadas. É hora de olharmos para dentro de nós mesmo. E ver até que ponto nossa espiritualidade está evoluída, o quanto está faltando para termos a paz de espírito tão necessária para nosso equilíbrio físico, psíquico e emocional. É hora de prestarmos mais atenção, a nós mesmos. Logo, não fique esperando grandes momentos para agir, nem fique apegado ao medo ou ao adiamento indefinido. Tão logo se acenda a chama da vontade em seu coração, aplique-se e faça o melhor possível por você mesmo. Uma gotinha hoje, outra amanhã é o que faz a diferença no rumo a sobriedade. Lembre-se: As torrentes que moldaram as pedras gigantes do cânion, fizeram-se das minúsculas gotículas que, por milhares e milhares de anos desempenharam sua parte sem conhecerem-se uma às outras. Se entender a comparação, entenderá também a importância de sua ação para alcançar seus objetivos de equilíbrio e não esperará, indefinidamente, as grandes correntezas.ideias para ganhar dinheiro

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

UMA VISÃO SOBRE AS DROGAS.

Autoridades de todo mundo estão preocupados, não só com os limites do tráfico de drogas, mas também com o perfil do usuário que se tem delineado nos últimos anos.
No Brasil, a maconha é a droga ilícita mais tolerada pelos mais diversos setores.
Entre as maiores escolas particulares do país, o número de expulsões relacionadas com o uso de maconha baixou; hoje, em apenas um de cada 10 casos o estudante é convidado a se desligar do estabelecimento, mais exatamente quando fuma dentro das dependências escolares.
No ranking do consumo de drogas, a maconha vem quilômetros a frente do crack, da cocaína, da heroína e do ecstasy. O dado mais impressionante, no entanto, é outro. Conforme uma tendência também observada em outros países, esse aumento é maior entre adolescentes e jovens na faixa dos 16 aos 18 anos. Consta que 13% dos jovens fazem uso da maconha no Brasil.
Há uma banalização do vício. A tolerância com o álcool e o cigarro produziu o fenômeno do “cigarrinho” e da “cervejinha”. Hoje há quem use a expressão “baseadinho”.
Preocupa ainda mais a atitude oficial de vários governos que se propõem em resolver o problema radicalmente de forma repressiva, como aconteceu na chamada “cracolândia”, reduto de traficantes e dependentes de crack no centro de São Paulo. Deve-se criar centros educativos para suprir o papel da droga na vida dos dependentes, tratando-os, por conseguinte, como uma questão social.
Ainda que o quadro seja extremamente agressivo e preocupante, na verdade os programas oficiais pouco ou nada contribuem para resgatar o dependente à sua condição humana, incutindo-lhe dignidade, autoestima, respeito, amor pela vida própria e alheia. Há ainda, entraves burocráticos que não permitem internações compulsórias e dessa forma, muito pelo contrário, prejudicam o dependente, mantendo-o na linha da convivência com o vício, a fim der evitar riscos maiores, como se o mantivessem no túnel da morte, porém, diminuindo o processo de aceleração. Morte lenta e gradual parece ser a regra.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DOMINANDO O VÍCIO

O vício começa quando buscamos a coisa certa que é nosso prazer, no lugar errado.
Em todas as culturas e épocas os homens sentiram a necessidade de uma experiência estática, de alegria que transcende a realidade cotidiana.
O álcool, as drogas e o comportamento sexual perigoso são essencialmente reações materiais a uma necessidade que não possui realmente uma base física.

As pessoas procuram evitar a dor e sentir prazer. Se perdermos o contato com nossas fontes internas de alegria, se a felicidade que se origina fora de nós mesmos é a única que conhecemos, então essa é a experiência que iremos buscar em nós. Dependendo das circunstâncias, esse empreendimento pode ser positivo e proveitoso. Lamentavelmente, esse também pode se manifestar como o vício em suas múltiplas formas. Vivendo num mundo de dor e violência, uma pessoa poderá encontrar um tipo de escape que lhe proporcionará prazer. A repetição dessa escolha se transforma em necessidade e compulsão. Na vida de certas pessoas altamente emocionais, existe sempre uma experiência que passa a dominar todas as ações futuras enquanto o indivíduo se esforça para recriar a simulação externa desse momento único. Esta é a descrição do comportamento do vício. Depois de praticarmos uma ação específica, ela é permanentemente gravada no nosso ser, junto com seus componentes igualmente duradouros da memória e do desejo. Para tudo o que dizemos, falamos ou pensamos, uma tríade (ação – memória –desejo) é codificada em nossas mentes, e esse código simplesmente não pode ser apagado. Não devemos tentar “nos livrar” das memórias e desejos subjacentes ao comportamento do vício. Devemos nos concentrar em criar sentimentos novos e altamente positivos que ofusquem os impulsos destrutivos do vício e os tornem impotentes. Uma verdadeira camada de problemas mentais, físicos, espirituais e emocionais, isola o viciado do mundo exterior e de suas verdadeiras necessidades e sentimentos. A memória da perfeição interior, uma vez desperta, gera um desejo mais forte do que o vício em si. É o alerta espiritual. É possível recorrer à experiência da alegria que ainda está disponível. É preciso que se conheça a experiência do verdadeiro prazer para poder renunciar as sensações dos comportamentos de vício. E o primeiro passo em direção ao conhecimento da alegria é simplesmente conhecer a si mesmo. O bem estar mental, físico e espiritual é o mesmo que alegria.cupom desconto extra

terça-feira, 25 de julho de 2017

PASSOS EM FORMA DE ORAÇÃO

Oh! Senhor! Venho diante de ti suplicar humildade para admitir que sou impotente perante minha adicção e confessar que perdi o domínio sobre a minha vida. Rogo-te para devolver-me à sanidade há muito perdida. Conduz minha vontade hoje e sempre e dá-me coragem para colocar minha vida em tuas mãos. Fazei-me compreendê-Lo segundo meu entendimento. Ilumine os meus passos para que eu possa transformar o meu orgulho, amor próprio e minha luxúria em energia vital. Dê-me força para que eu aplaque minha ira, e que transforme minha gula em necessidade de alimento. Não deixe que eu sucumba diante da inveja. Permita-me que enxergue além das minhas falhas e possa fazer delas instrumento para meu aprendizado. Remova os defeitos do meu caráter. Que eu possa reparar todo o mal que pratiquei sem prejudicar a quem quer que seja. E que a partir de hoje eu possa admitir meus erros sem me sentir culpado. Que eu leve esta mensagem, Senhor, a todos aqueles que assim como eu, sofreram por não conseguir se entregar a Ti.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

VIVER O PROGRAMA E GRATIDÃO

Antes de ficarmos entusiasmados demais com a perspectiva de concluir os doze passos, devemos nos conscientizar do contrário – ainda não terminamos. Não apenas continuaremos praticando os princípios espirituais de todos os doze passos, o que muitos de nós chamam de “viver o programa”, como revistaremos, formalmente, cada um deles, provavelmente muitas vezes durante nossas vidas. Alguns de nós começam imediatamente a trabalhar os passos de novo, com a perspectiva adquirida em nossa jornada até então. Outros esperam algum tempo ou se concentram em certos aspectos dos passos seja como for, o que importa é que, toda vez que nos sentirmos impotentes perante nossa adicção, sempre que mais for revelado sobre nossas falhas ou pessoas a quem prejudicamos, os passos estão disponíveis como nosso caminho para a recuperação. Devemos nos sentir bem com relação ao que fizemos. Percorremos, em muitos casos pela primeira vez, um caminho até o fim. Isto é uma grande conquista, algo de que devemos nos orgulhar. 
De fato, uma das recompensas de trabalhar o programa de A.A. e/ou N.A. é descobrir o quanto nossa autoestima tem crescido. Descobrimo-nos participando da sociedade. Podemos realizar ações que nos pareciam impossíveis antes: cumprimentar o vizinho, o balconista do mercado local, assumir posições de liderança em nossas comunidades, participar de eventos sociais com pessoas que não sabem que somos adictos, e não nos sentirmos “menores”. 
De fato, provavelmente olhávamos com desprezo para estas iniciativas no passado, porque não nos sentíamos capazes de nos adequar; mas, agora sabemos que isso é possível, tornamo-nos acessíveis. As pessoas podem até procurar nossas opiniões e conselhos profissionais. Quando pensamos no nosso passado e no quanto a recuperação trouxe para nossas vidas, só podemos ficar repletos de gratidão. A gratidão se transforma na força que sustenta tudo o que fazemos. Nossa própria vida pode ser a expressão da nossa gratidão. Tudo depende da maneira como escolhemos viver. 
Com gratidão, cada um de nós tem algo muito especial e único a oferecer.http://img.segredosdoadsense.com/selo-adsense.gif


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Reflexões Diárias

“A fé pode remover montanhas.” Essa expressão significa que a fé pode mudar qualquer situação no campo dos relacionamentos pessoais. Se você confia Nele, Deus lhe mostra o caminho para “remover montanhas”. Se você é humilde o suficiente para saber que sozinho pouco pode fazer para mudar a situação, se tem fé o suficiente para pedir a Deus que lhe dê a força de que você precisa e se é agradecido o suficiente para pedir a Deus que lhe dê a força de que você precisa e se é agradecido o suficiente pela Graça que Deus lhe dá, você pode “remover montanhas.” As situações mudarão para melhor, por você estar presente. A esta altura com toda a probabilidade já teremos adotado, de certo modo, medidas capazes de remover os obstáculos que mais nos prejudicam. Desfrutamos momentos em que sentimos algo parecido à verdadeira paz de espírito. para aqueles de nós que, até então, conheceram somente a excitação, a depressão ou a ansiedade, esta nova paz conquistada é uma dádiva inestimável. Estou aprendendo a soltar-me e deixar Deus agir, a ter uma mente aberta e um coração disposto a receber a Graça de Deus em todos os meus assuntos; desta maneira posso experimentar a paz e liberdade que vêm como resultado da minha entrega. Tem sido provado que um ato de entrega originado do desespero e da derrota pode crescer num progressivo ato de fé e esta fé significa liberdade e vitória.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

APRENDENDO COM OS ERROS

Na verdade, os erros são uma parte bastante vital e importante do fato de sermos humanos. 
Para pessoas particularmente teimosas, os erros são muitas vezes os melhores professores. 
Não há vergonha em cometer erros. De fato, cometer novos erros frequentemente mostra nossa vontade de nos arriscar e crescer.
Porém, aprender com nossos erros nos ajuda : Repetir os mesmos pode ser um sinal de que estamos parados. Esperar resultados diferentes dos mesmos velhos erros, bem, isto é o que chamamos “insanidade”. Simplesmente não funciona. 
Vir a acreditar que somos capazes, apesar de nossos erros, é um processo que brota da experiência pessoal.  
Cada um de nós tem essa experiência. Todos os adictos que encontram a recuperação em Narcóticos / Alcoólicos Anônimos têm provas concretas de um poder benevolente agindo para o bem em suas vidas.
Aqueles de nós que estão em recuperação hoje, afinal, são os afortunados. Vivamos isso um dia de cada vez.
Milhares de adictos morrem sem nunca, infelizmente, terem experimentado o que encontramos no programa, no Poder Superior e nas salas.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

REFLEXÕES SOBRE O TERCEIRO PASSO

Acreditei que fundamentalmente, tudo está bem. Vão me acontecer coisas boas. Acredito que Deus cuidará de mim e me proverá. Não tentarei planejar o futuro. Sei que o caminho me será revelado, passo a passo. Entregarei a Deus a carga do amanhã, porque é Ele quem suporta o peso maior. Ele só espera que eu carregue meu quinhão do dia.
Rendição é apenas o começo. Uma vez rendidos, precisamos aprender a viver na paz que encontramos.
Acredito que a presença de Deus traz a paz e que a paz, como um rio que corre tranquilo, eliminará todas as preocupações. Nesses momentos tranquilos, Deus me ensinará a proporcionar descanso a meus nervos. Não terei medo. Vou aprender a relaxar. Uma vez relaxado, as força de Deus fluirá dentro de mim. Estarei em paz.
Em nossa primeira reunião podemos ter ficado surpresos quando os membros partilharam como a doença da adicção tinha afetado suas vidas. Pensamos: “doença? Eu só tenho um problema com drogas! O que afinal eles estão falando?”
Depois de algum tempo no programa, começamos a perceber que nossa adicção era mais profunda do que nosso obsessivo e compulsivo uso de drogas. Vimos que sofríamos de uma doença crônica que afetava várias áreas de nossas vidas. Não sabíamos como tínhamos “pego” esta doença, mas ao nos examinar percebemos que ela tem estado presente em nós por muitos anos.
Assim como a doença da adicção afeta todas as áreas de nossas vidas, o mesmo acontece com o programa de Narcóticos Anônimos. Assistimos à nossa primeira reunião com todos os sintomas presentes: o vazio espiritual, a agonia emocional, a impotência, o descontrole.
Tratar nossa doença envolve muito mais do que mera abstinência. Usamos os doze passos e, embora não “curem” nossa doença, eles começam a nos fortalecer. À medida que nos recuperamos, experimentamos a dádiva da vida.
O significado de Deus atinge silenciosamente o coração. Não posso saber o momento em que Ele aí entra. Posso apenas julgar pelos resultados. A palavra Deus é dirigida aos lugares secretos de meu coração e, num eventual momento de tentação, pela primeira vez descubro essa palavra e percebo seu valor. Quando eu dela precisar, ela aí estará. “Seu Pai, que vê as coisas secretas, o recompensará abertamente.”




quinta-feira, 6 de julho de 2017

REFLEXÕES SOBRE O PRIMEIRO PASSO

Você é feito de tal maneira, que só pode carregar o peso de vinte e quatro horas, nada mais. Se você se curva sob o peso dos anos passados e dos dias futuros, suas costas quebram. Deus prometeu ajudá-lo a carregar só o peso do dia. se você é bastante tolo para juntar outra vez a carga do passado e carregá-la, então você não pode, na verdade, esperar que Deus o ajude a suportá-la. Esqueça, então, o que ficou para trás e viva a felicidade de cada novo dia.
Completa derrota, que ideias! Isto deve significar rendição. Render-se – desistir completamente abandonar sem nenhuma restrição. Mãos ao alto e abandonar a luta. Talvez, levantar a mão em nossa primeira reunião e admitir que somos adicto.
Como saber que demos um primeiro passo que nos permitirá viver livre das drogas? Sabemos porque, uma vez dado esse passo gigantesco, não temos que usar nunca mais – só por hoje. É isso aí. Não é fácil mas é muito simples.
Nós trabalhamos o primeiro passo. Aceitamos, sim, que somos adictos. “uma é demais e mil não bastam.” Já provamos isso a nós mesmos o suficiente. Admitimos que não conseguimos lidar com drogas de nenhuma maneira. Admitimos isso; proclamamos em voz alta, se necessário.
Damos o primeiro passo ao começar nosso dia. Por um dia. esta admissão nos liberta, só por hoje, da necessidade de reviver nossa adicção ativa novamente. Nós nos rendemos a esta doença. Desistimos. Abandonamos. Renunciamos. Mas, renunciando, vencemos. E este é o paradoxo do primeiro passo: nós nos rendemos para vencer e, em nossa rendição, adquirimos um poder muito maior do que jamais poderíamos imaginar.
Eu me renovarei. Estarei transformado. Para isso, preciso da ajuda de Deus. Seu espírito fluirá através de mim e, ao fluir, varrerá para longe todo o amargo passado. Vou criar coragem. O caminho se abrirá para mim. Cada dia me revelará alguma coisa boa, sempre que eu estiver tentando viver da maneira que acredito que Deus quer que eu viva.
Aprendi que não tenho o poder e o controle que uma vez pensei que tinha. Sou impotente sobre o que as pessoas pensam sobre mim. Sou impotente até por ter perdido o ônibus. Sou impotente sobre como as outras pessoas agem ou deixam de agir. Mas, também aprendi que não sou impotente perante algumas coisas. Não sou impotente perante minhas atitudes. Não sou impotente perante a negatividade. Não sou impotente sobre assumir responsabilidade por minha própria sobriedade. Tenho o poder de exercer uma influência positiva sobre mim mesmo, as pessoas que amo e o mundo no qual vivo.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

ALCOOL - ANÁLISE COMPORTAMENTAL E SOCIAL

Uma droga que mata, principalmente quando não tem utilidade terapêutica, é uma espécie de veneno. Quando imaginamos qualquer tipo de veneno, sempre pensamos em algo nocivo do qual devemos nos afastar, ou na melhor das hipóteses, nos proteger.

O álcool possui essas propriedades. É uma droga sem utilidade terapêutica, capaz de provocar a morte, portanto poderia ser encarada como um veneno, no entanto, isso não acontece, pelo contrário, nem como droga é considerado por muitos. A que se deve tamanha deturpação dos fatos?

O álcool tem um valor social inquestionável, é considerado o “lubrificante” das relações sociais, produto sempre encontrado na grande maioria dos encontros lúdicos, festivos ou profissionais. Tem o papel de diminuir nossa inibição natural, facilitando as relações interpessoais, favorecendo aproximações de negócios, românticas, sentimentais ou simplesmente de adequação ao meio ambiente circunstancial. Além disso cumpre um papel econômico importante pois, sendo um produto de uso das massas, gera o interesse de diversas indústrias, que usando os nossos ídolos nacionais através dos diversos meios de comunicação, popularizam indiscriminadamente a droga, atingindo até mesmo as crianças; mesmo que os impostos coletados na sua comercialização cubram apenas uma fração das despesas com hospitais gerais e psiquiátricos e jamais consigam compensar o sofrimento humano causado a cada família de um desses bebedores sociais, que sutil e progressivamente transformara-se em alcoólicos.

É nesse ponto, que a dependência é instalada, que o álcool, o “veneno sutil” apresenta o seu paradoxo. Como qualquer outro tipo de veneno, a sua suspensão traz alívio; porém, o álcool aliou-se de tal forma ao organismo que esse não consegue mais funcionar adequadamente sem a sua presença. Quando o indivíduo deixa de ingeri-lo passa em curto espaço de tempo a apresentar um mal estar orgânico e psicológico que progride, em casos graves, a um quadro dramático conhecido por “delirium-tremens”, onde se observam tremores pelo corpo todo, chegando até a convulsões tipo epiléticas, suores profusos, delírios e alucinações com insetos que lhe cercam ou invadem o corpo. Um pavor indescritível se apodera do indivíduo que tenta fugir ou se mutilar de forma agressiva, intempestiva e desorientada. O indivíduo está frente a frente com a morte.

Mas atentemos bem para o termo “retarda a morte”, pois não há salvação com o uso continuado do álcool. Simplesmente alivia esses sintomas dramáticos da abstinência enquanto continua o seu trabalho de alterar a fisiologia orgânica até chegar ao ponto do colapso inevitável.
Poderíamos então pensar que nossa preocupação deveria ficar restrita à situação acima, quando os efeitos do álcool são bastante evidentes. No entanto, nossa preocupação deve se voltar para a prevenção, para evitar que a doença se instale. Devemos entender que o álcool é uma droga letal, que cumpre um papel social entre as pessoas adultas, sadias, de forma circunstancial. Nunca transformar esse uso de circunstancial em habitual, pois assim começa a haver a transformação fisiológica do organismo. Mesmo que esse uso se restrinja a fins de semana. Uma forma de percebermos se o nosso organismo está sendo alterado pelo álcool, é procurar sentir o nosso estado de espírito quando temos oportunidade de usar o álcool e voluntariamente não o fazemos. Se isso traz desconforto psíquico (irritação, mau humor, inquietação) é um sinal de alerta que apenas a pessoa que sente pode avaliar (ou disfarçar, se ele quer aparentar normalidade, mostrando que o álcool não cumpre nenhum papel em sua vida).

Neste ponto da prevenção, a mudança corretiva dos hábitos depende exclusivamente da honestidade de cada um. O que podemos e devemos informar é sobre a estratégia que a doença usa para o domínio do corpo. Como o álcool tem uma preferência para agir em nível cerebral, onde existem bilhões de neurônios responsáveis por nossa percepção, processamento das informações recebidas e execução do comportamento desejado, ele vai alternando progressivamente a função dos diversos neurônios atingidos. Se eles individualmente passam a necessitar do álcool para executarem com mais “eficácia” suas funções, começam a interferir no processo cognitivo encontrando justificativas para o uso e negando qualquer argumento que ameace sua interrupção. Essa é a grande tática utilizada estrategicamente pelo álcool para minar nossa resistência e iniciar o processo de destruição orgânica. Portanto, a honestidade do indivíduo que usa o álcool habitualmente é fundamental para frustrar o desenvolvimento da doença. Somente ele é responsável por sua própria recuperação. a nós, que adquirimos esse conhecimento, cabe apenas o papel de atingir a consciência das pessoas na faixa de risco, confrontando suas defesas (negação, racionalização) com os prejuízos reais que começam a surgir, de forma solidária, compreensiva, sem cair no campo emocional, atacando impiedosamente com nossa razão a fragilidade de quem já se encontra doente ou no mínimo, já começou o processo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Reflexão - A importância dos 12 passos

A dor e a miséria eram realidades em nossas vidas de ativa. Não queríamos aceitar nossa situação de vida ou mudar aquilo que era inaceitável. Tentávamos escapar das dores da vida pelo uso de drogas, mas o uso somente aguardava nossos problemas. Nossa percepção alterada da vida tornou-se um pesadelo.
Através da vivência do programa dos doze passos, aprendemos que nossos sonhos podem substituir nossos pesadelos. Crescemos e mudamos. Adquirimos a liberdade de escolha. Somos capazes de dar e receber amor. Podemos compartilhar honestamente sobre nós mesmos, não mais aumentando ou minimizando a verdade. Aceitamos os desafios que a vida real nos oferece, encarando-a de uma maneira responsável e madura.
Mesmo que a recuperação não nos dê imunidade para as realidades da vida, através do programa e da irmandade podemos encontrar apoio, atenção verdadeira e o interesse de que precisamos para enfrentar essas realidades. Não precisamos nunca mais nos esconder da realidade pelo uso de drogas, pois nossa unidade com outros adictos em recuperação nos dá força. Hoje, o apoio, a atenção e a empatia da recuperação nos dão uma janela limpa e clara através da qual enxergamos, vivenciamos e apreciamos a realidade como ela é.
Na nossa recuperação, não consideramos essencial aceitar a realidade. Quando conseguimos, não sentimos necessidade de usar drogas na tentativa de mudar a nossa recuperação.
As drogas costumavam servir para amortecer em nós a força da vida. Quando paramos de usar drogas e começamos a recuperação, nos confrontamos diretamente com a vida. Poderemos experimentar os sentimentos de decepção, frustração ou raiva. As coisas podem não acontecer da forma que gostaríamos que acontecessem. O egocentrismo que cultivávamos em nossa adicção distorceu nossa percepção de vida; é difícil abrir mão de nossas expectativas e aceitar a vida como ela é.
Aprendemos a aceitar nossas vidas trabalhando os 12 passos. Descobrimos uma forma de mudar nossas atitudes e abrir mão de nossos defeitos de caráter. Não precisamos mais distorcer a verdade ou fugir de situações. Quanto mais praticarmos os princípios espirituais contidos nos passos, mais fácil se torna aceitar a vida exatamente como se apresenta. É importante praticar a autoaceitação trabalhando os 12 passos.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Admitir a derrota completa

Quase ninguém se dispõe a admitir a derrota completa; os instintos naturais gritam contra essa ideia. O álcool nos esvazia de toda autossuficiência e toda vontade de resistir às suas exigências. Só conseguimos pensar nele desde o acordar até o “desmaiar”, e não percebemos nossa falência total como seres humanos. O álcool, além de sua propriedade viciante, possui também um efeito psicológico que modifica o pensamento e o raciocínio. Uma dose pode mudar o processo mental de um alcoólico, de modo que ele acha que pode aguentar outra, outra e outra... Para ele, viver sem o álcool é o mesmo que não ter vida. Uma vez ingerida a primeira dose, a compulsão se desencadeia. Soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula, preguiça, manipulação emocional, negação, justificativas, autopiedade e racionalizações, se tornaram para o alcoólatra como o ar que respiram. São três as falências totais a que são submetidos os alcoólicos: “física”, o organismo passa a rejeitar o álcool; o alcoólatra tenta parar ou diminuir a quantidade mais daí, o corpo passa a exigi-lo através dos sintomas da crise de abstinência esse então, ingere o álcool para poder superar as dores desse sintoma, em doses maiores ainda, virando dessa forma um ciclo vicioso que se repete diariamente. “Mental”, é a obsessão, pensamentos ininterruptos de como vamos usar mais álcool, mesmo que isso signifique manipular pessoas, roubar, mentir, adiar um compromisso etc. “Espiritual”, a parte espiritual da doença é o total egocentrismo, o alcoólatra passa por cima de amigos, responsabilidades, pai, mãe, esposa, trabalho ou qualquer um que tente de alguma forma, impedir seu desejo incontrolável de usar mais álcool. A palavra “admitir” no primeiro passo é insuficiente, e ele vai além da palavra “aceitar”. Um fato deve ser observado, ou seja, a necessidade de distinguir entre submissão e rendição. No primeiro caso, um indivíduo aceita a realidade consciente, mas não no subconsciente. Ele aceita como fato pratico que momentaneamente não pode derrotar a realidade, mas espera que um dia vá vencer, o que implica a não-aceitação real e presença de tensão. Por outro lado, quando um indivíduo se rende, a habilidade de aceitar a realidade funciona num nível inconsciente e a tensão desaparece. O ato de rendição é uma ocorrência inconsciente, não provocada pelo paciente, mesmo que ele assim o deseje. Uma pessoa não pode simplesmente declarar que aceita qualquer coisa – senão a aceitação não é total, mas só da boca para fora. Existem palavras que descrevem essa meia aceitação, como: submissão, resignação, cessão, complacência, reconhecimento, concessão e assim por diante. O importante além de admitir, é se render ao fato de que somos completamente impotentes perante o tirano “Rei-Álcool”. No primeiro gole, ele já começa a nos empurrar para o fundo-do-poço. E de lá só sairemos quando nos prontificarmos a aceitar e escutar, como os que se encontram à beira da morte, as palavras de tantos outros companheiros que, com certeza, já passaram por esse caminho de destruição, e através de Alcoólicos Anônimos conseguiram se manter em recuperação. Devemos nos prontificar a fazer qualquer coisa que nos livre da obsessão impiedosa, e a primeira delas, é rendermo-nos totalmente e nos conscientizar da nossa impotência perante o álcool. Talvez não sejamos culpados pela nossa doença, mas certamente somos responsáveis por mantê-la estacionária.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Reflexões Sobre o Primeiro Passo

O primeiro passo é a admissão da nossa derrota perante nós mesmos. Temos uma doença progressiva, incurável e de determinação fatal e, se continuarmos orgulhosos, poderemos ficar completamente insanos ou perder nossas próprias vidas.
Se analisarmos tudo o que perdemos, as pessoas que magoamos, as justificativas e as racionalizações que demos a nós mesmos e os absurdos que racionalizamos, veremos que, se não tomarmos alguma decisão em relação a nossas vidas, elas tomarão uma decisão em relação a nós. Todos ou quase todos que queremos bem estão profundamente magoados com nossas atitudes e manipulações. Muitos de nós chegamos a um estado de desespero, em que não conseguem mais usar drogas e ao mesmo tempo não conseguem viver sem elas. O fundo do poço é diferente para cada um mas, se não perdermos o emprego, a namorada, os estudos, ou não formos para a cadeia não significa que temos qualidade de vida ou que podemos nos controlar. Aceitação social, não significa recuperação. Tudo na nossa vida se relaciona com as drogas e ainda assim insistimos em negar os fatos. Não somos impotentes perante as drogas apenas, mas também nos tornamos impotentes, perante nossos defeitos de caráter. Coisas horríveis no ser humano como soberba, avareza, luxúria, inveja, ira, gula (compulsão), preguiça, manipulação emocional, negação, justificativas, autopiedade e racionalizações tornaram-se para nós como o ar que respiramos.
A doença da adicção é composta por três partes distintas, porém unidas entre si: Física – uma vez ingerida a primeira dose, a compulsão se desencadeia e não paramos mais de consumir drogas. Mental – é a obsessão de consumir drogas. Só conseguimos pensar nisso e na forma de obtê-la não importando se tivermos que roubar ou matar. O que vale é consegui-la. Espiritual – é o total egocentrismo, passamos por cima de amigos, responsabilidades, pai, mãe, esposa, enfim qualquer um que tente impedir nosso desejo incontrolável de usar mais drogas.
Desenvolvemos tanto nossos defeitos de caráter que nos tornamos pessoas super egocêntricas. Se não trabalharmos nossos defeitos de caráter por meio dos princípios contidos nos doze passos, voltaremos a usar drogas. A recaída é sempre pior, não importa quanto tempo demore, sempre voltamos ao fundo do poço. Alguns, depois de terem experimentado uma recaída, ainda conseguem voltar para o programa, outros, a maioria, acabam presos ou morrem.
Muitas vezes fazemos o que não queremos, o que sugere que algo em nós possui um poder que nos desvia de nossas melhores intenções. São os defeitos de caráter.
Após admitirmos nossa impotência perante as drogas, nossos defeitos de caráter e o descontrole de nossas vidas, nos é apresentado o princípio espiritual do primeiro passo, a rendição.
Render-nos não significa ser covarde, pelo contrário é preciso muita coragem, humildade e mente aberta para aceitar que nossas melhores idéias e atitudes quase nos mataram.
Ao render-nos, a liberdade de podermos honestamente reavaliar nossos conceitos nos proporciona a sensação de que pela primeira vez na vida somos livres de verdade. Quando chegamos a esse ponto, parece que começamos a enxergar quem realmente somos, quem realmente são nossos amigos e que talvez nossos familiares só queiram nos ajudar.
Felizmente, chegamos até aqui. E agora? Como viveremos daqui para frente?
Precisamos nos lembrar de viver um dia de cada vez. Não resolveremos todos os problemas que causamos em nossas vidas em um dia. 
Para levantar uma nova casa é preciso demolir a antiga; para nascer uma nova maneira de viver, é preciso que a antiga morra.
Não podemos nos enganar, precisamos mudar nossos hábitos, deixar de frequentar certos lugares e nos desligar de muitas pessoas, sob pena de não o fazendo, voltarmos a usar drogas.
Este é um programa de total abstinência não só da droga de nossa preferência, mas também de qualquer uma que nos altere o humor. Por isso, haja o que houver, não use drogas. A primeira dose desencadeia a compulsão.
Se não mudarmos nossa antiga maneira de ser, pensar e agir, não teremos sucesso em nossa recuperação. É preciso que antigas ideias desapareçam para que novas possam florescer. Em copo cheio não cabe mais água, é preciso esvaziá-lo primeiro.
Temos grande facilidade de nos esquecer dos “maus momentos” relacionados ao uso de drogas. Nossa tendência é lembrar apenas das sensações de prazer que tivemos, a isso chamamos memória eufórica.
Os dependentes químicos temem o desconhecido e agarram-se ao que já conhecem. Infelizmente o que conhecemos até aqui não nos fez muito bem.
Tememos procurar emprego, relacionar com novas pessoas, conhecer outros lugares e abrirmos a mente para novas idéias. Por outro lado, não tememos usar drogas, andar em locais de risco, roubar, mentir, manipular e andar com pessoas perigosas.
Essa insanidade é uma característica dos adictos. Muda um pouquinho de um para outro, porém, as histórias são bem parecidas no final.
A rendição total, sem reservas, ou meias idéias, é a chave para abrirmos a porta da recuperação.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Breve Entrevista Sobre Terceiro Passo


Entrevistado: (anônimo) membro de AA. (autorizou a divulgação)
Pergunta: Qual é sua visão da importância do terceiro passo?
- Nos primeiros dois passos estivemos refletindo. Vimos que éramos impotentes perante o álcool, mas também percebemos que alguma espécie de fé, mesmo que fosse somente em Alcoólicos Anônimos, estava ao alcance de qualquer um. Essas conclusões não requereram ação; requereram apenas aceitação. Através de ação conseguimos interromper a vontade própria que sempre impediu a entrada de Deus – ou, se preferir, de um Poder Superior – em nossas vidas. 
Pergunta: Podemos ter fé, mas manter o Poder Superior fora de nossas vidas. Como deixá-lo entrar? Como entregar a vontade e a própria vida aos cuidados do Poder Superior que se pensa possa existir? 
- O passo inicial é a boa-vontade e se libertar do egoísmo. Saber que quanto mais nos dispomos a depender de um Poder Superior, mais independentes nos tornamos. A dependência ao Poder Superior, como se pratica em Alcoólicos Anônimos, realmente é um meio de ganhar a verdadeira independência do espírito. Na vida cotidiana, é alarmante descobrir o quanto somos realmente dependentes e quão inconscientes somos dessa dependência. Toda casa moderna tem fios elétricos que levam força e luz ao seu interior. Ficamos encantados com essa dependência, nossa maior esperança é que nada possa a vir a interromper o suprimento da corrente. Aceitando nossa dependência dessa maravilha da ciência, descobrimos que somos mais independentes pessoalmente. E não somente somos independentes como também nos sentimos mais confortáveis e seguros. A força corre justamente para onde ela é necessária silenciosa e confortavelmente, a eletricidade – essa estranha energia que tão poucas pessoas compreendem – supre nossas necessidades mais simples, e as mais desesperadas também. Porém, no momento em que entra em jogo nossa independência mental e emocional, como nos comportamos diferentemente! 
Pergunta: Mantemos uma filosofia valente, na qual cada um de nós faz o papel de Deus, para nós soa muito bem, mas será que funciona mesmo? 
- Uma boa olhada no espelho servirá de resposta para qualquer alcoólico. A auto-suficiência é uma filosofia que não está dando certo e o final é a única ruína. Já sofremos o bastante e é hora de procurar os Alcoólicos Anônimos. Alguns alcoólicos rebeldes concluem que qualquer tipo de dependência é intoleravelmente prejudicial. Mas a dependência de um grupo de Alcoólicos Anônimos ou de um Poder Superior jamais produziu qualquer efeito pernicioso.  
Pergunta: Como faria um indivíduo de boa disposição para seguir entregando sua vontade e sua vida aos cuidados do Poder Superior?
- Não é só livrar-se da dependência do álcool, mas também arrumar toda a bagunça moral, espiritual, física e psíquica que o álcool causou. Nada poderá ser feito apenas com a sua coragem e a vontade desassistida. Certamente, chegou a hora de depender de alguém ou alguma coisa. Ao início, esse “alguém” provavelmente será seu amigo mais próximo em Alcoólicos Anônimos. A vontade humana de nada serve. Além do álcool existem muitos outros problemas que também não se vencem apenas com a força de vontade. É preciso haver boa disposição e um ato de vontade própria, um esforço pessoal contínuo para se adaptar aos princípios dos doze passos e, assim se espera, à vontade de Deus. É quando tentamos adaptar a nossa vontade à de Deus que começamos a usá-la corretamente. Para todos nós esta foi uma revelação maravilhosa. Todo nosso problema resultou do abuso da vontade. Havíamos tentado atacar nossos problemas com ela, ao invés de modificá-la, para que estivesse de acordo com a vontade de Deus para conosco. O terceiro passo abre as portas para todos os doze passos. Cada vez que aparecer um momento de indecisão ou de distúrbio emocional, podemos fazer uma pausa, pedir silêncio, e dizer simplesmente: “Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para distinguir uma das outras”.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A importância de AA na recuperação

Quem é Um Adicto? A maioria de nós não precisa pensar duas vezes sobre esta pergunta. Nós sabemos! Toda a nossa vida e nossos pensamentos estavam centrados em drogas, de uma forma ou de outra obtendo, usando e encontrando maneiras e meios de conseguir mais. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva, que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições e morte. Aqueles de nós que encontraram o programa de Alcoólicos Anônimos toma consciência de que a adicção é uma doença que envolve mais que o uso de drogas. Talvez a doença já estivesse presente, antes mesmo do uso pela primeira vez. A maioria negava a doença. Focava o parar de usar, não o uso. É uma doença que se manifesta de maneiras anti-sociais, e que torna difícil a detecção, o diagnóstico e o tratamento. Isolávamos-nos, a não ser quando usávamos ou ainda: hostis, ressentidos, egocêntricos e egoístas. Apesar de que usar e abusar era bom, as coisas que fazíamos refletiam nosso desespero. Para continuar a usar, manipulávamos as pessoas, mentíamos, roubávamos, trapaceávamos e por fim nos vendemos. O fracasso e o medo nos invadiam. Usávamos tentando encontrar uma fórmula mágica para resolver nossos problemas. Mas, sem perceber que éramos nós mesmos. Sentíamos-nos mal, as drogas haviam deixado de fazer nos sentirmos bem. Sentíamos orgulho do comportamento, às vezes ilegal e sempre bizarro. Mas esquecíamos nosso isolamento, medo e autopiedade. Evitávamos a realidade da adicção. Ficamos incapazes de amar, nosso viver baixou a um nível animal, o espírito em pedaços, nem nos sentíamos humanos. Não conseguíamos mais lidar com o dia-a-dia e muitos se viram entrando e saindo de instituições. Existia uma coisa errada conosco; queríamos uma saída fácil. Pensávamos em suicídio, muitas vezes até tentamos, sem conseguir e nos sentíamos então, mais inúteis. Estávamos presos à ilusão do “e se”, “se apenas” e “só mais uma vez”. Procurávamos ajuda para aplacar nossa dor, uma vez recuperados fisicamente voltávamos ao uso. Não temos controle sobre o uso, a droga nos subjuga. Porém, pode ser detida, apesar de incurável. Precisamos aceitar que, somos alérgicos a drogas, com honestidade e sem reservas. A medicina não pode curar nossa doença. O que nos faz adictos, não é a quantidade que usamos, mas, sim, nossa reação. Certas coisas foram acontecendo enquanto usávamos: esquecemos como eram as coisas antes do uso, dos comportamentos sociais, como se trabalha, se brinca, esquecemos ainda de expressar e demonstrar interesse pelos outros. Esquecemos como sentir. Vivíamos em outro mundo quando usávamos. Experimentávamos curtos períodos de realidade e de autoconsciência. Finalmente éramos duas pessoas, e não uma – o médico e o monstro. Por fim o médico morreu e o monstro assumiu. Talvez tenhamos tentado moderar, substituir ou, até mesmo, parar de usar, mas passamos de uma fase inicial de sucesso e bem-estar emocional para uma completa falência espiritual, mental e física. Alguns de nós podem passar o resto da vida numa prisão, morrer devido ao ambiente que cerca as “boquetas”, num assalto para conseguir a droga, inúmeras são as situações de morte, não decorrentes do uso e sim do ambiente e pessoas que a cercam. Chegamos ao fundo-do-poço (ou seria fundo da fossa – no fundo-do-poço ainda podemos encontrar água limpa). Ficou difícil negar nossa adicção quando os problemas saltavam aos nossos olhos. Motivamos-nos então, a procurar ajuda no último estágio. Lamentávamos o passado, temíamos o futuro e não tínhamos entusiasmo pelo presente. A adicção nos escravizava. Éramos prisioneiros da nossa própria mente e condenados pela nossa própria culpa. A adicção é uma doença crônica, progressiva e fatal. No entanto, é tratável e estacionária. Ótimo então, o que nos interessa é a recuperação. Começamos nosso tratamento, parando de usar. As pessoas em Alcoólicos Anônimos disseram-nos que eram adictos em recuperação, que tinham aprendido a viver sem drogas. Sem eles tinham conseguido, nós também conseguiríamos. Através da abstinência e prática dos doze passos de Alcoólicos Anônimos, nossas vidas tornaram-se úteis. Compreendemos que nunca estaremos curados e que conviveremos com a doença pelo resto de nossas vidas. Temos uma doença, mas nós nos recuperamos. A cada dia é-nos dada uma nova oportunidade. Em Alcoólicos Anônimos deixamos novas ideias fluírem dentro de nós. Fazemos perguntas. Partilhamos o que aprendemos sobre a vida sem drogas; vemos claramente, que não importa o porquê, os doze passos funcionam. Aprendemos princípios espirituais como rendição, humildade e serviço. Experimentamos que o relacionamento com o Poder Superior, corrige defeitos de caráter e nos leva a ajudar aos outros. Alcoólicos Anônimos não se interessa no que ou quanto você usou, quais era os seus contatos, no que fez no passado, quanto você tem ou deixa de ter; só interessa aos Alcoólicos Anônimos o que você quer fazer pela sua recuperação e como ajudá-lo. Antes de chegarmos á irmandade de Alcoólicos Anônimos, não podíamos controlas nossas próprias vidas. Não podíamos viver e apreciar a vida como as outras pessoas. Tínhamos que ter algo diferente e pensamos que havíamos encontrado isso nas drogas. Colocamos o uso de drogas acima do bem-estar de nossas famílias, esposas, maridos e filhos. Tínhamos que ter droga a qualquer custo. Prejudicamos muitas pessoas, mas, principalmente, prejudicamos a nós mesmos. Através da nossa inabilidade de aceitar responsabilidades pessoais, estávamos realmente criando nossos próprios problemas. Parecíamos incapazes de encarar a vida como ela é. A maioria de nós percebeu que, em nossa adicção, estávamos lentamente cometendo suicídio, mas a adicção é um inimigo tão traiçoeiro da vida, que tínhamos perdido o poder de fazer qualquer coisa. Em Alcoólicos Anônimos descobrimos que somos doentes, sem cura; mas que em algum ponto pode ser detida, e a recuperação é possível. Frequentando Alcoólicos Anônimos descobrimos três realidades perturbadoras: 1) Somos impotentes perante a adicção e nossas vidas estão incontroláveis. 2) Embora não sejamos responsáveis por nossa doença, somos responsáveis pela nossa recuperação. 3) Não podemos mais culpar pessoas, lugares e coisas pela nossa adicção. Temos que encarar nossos problemas e nossos sentimentos. Concentramos-nos em recuperação e sentimentos, não no que fizemos no passado. Velhos amigos, lugares e ideias são ameaças e precisam ser removidas. Que uma mudança na nossa maneira de ser! É uma grande dádiva nos sentirmos humanos novamente. O programa nos convenceu de que nós precisávamos nos modificar, em vez de tentar modificar as pessoas e situações à nossa volta. Descobrimos novas oportunidades, auto-estima, auto-respeito, aceitamos a vontade de um Poder Superior em nossas vidas. Perdemos o nosso medo do desconhecido. Somos libertados. Respostas são oferecidas e problemas solucionados. Se você quer o que nós temos a oferecer e está disposto a fazer um esforço para obtê-lo, então está preparado para dar certos passos. Os doze passos são os princípios que possibilitam nossa recuperação. Isto parece ser uma grande tarefa e não podemos fazer tudo de uma só vez. Não nos tornamos adictos num dia, lembre-se – vá com calma. Mais do que qualquer outra coisa, uma atitude de indiferença ou intolerância com os princípios irá derrotar nossa recuperação. Três destes princípios são indispensáveis: honestidade, mente aberta e boa vontade. A única maneira de não voltar à adicção ativa é não usar aquela primeira droga. Você sabe “uma é demais e mil não bastam”. Alcoólicos Anônimos coloca grande ênfase nisto, pois sabemos que, quando usamos qualquer droga, ou substituímos uma pela outra, liberamos nossa adicção novamente.

terça-feira, 14 de março de 2017

A importância da família na recuperação

    No início dos anos 90, o crack chegava com virulência atacando nossa juventude e matando-os sem dó. A nova droga que parece ter vindo para ficar, colecionava, como ocorre ainda hoje, centenas de adolescentes, os quais sem conhecerem o altíssimo poder das “pedras”, de gerar rápida e grave dependência, caiam vitimados, pela promessa do falso prazer. Caiam em um submundo repleto de mortes, prisões, suicídios, prostituição. Se tonavam jovens castigados por uma ansiedade fora de controle, com movimentos corporais agitados, olhos assustadiços e expressivamente magros, em alguns casos, ficavam com os ossos da face em evidência.                   Negavam-se a receber ajuda, quer de centros de tratamento, profissionais da área ou grupos de ajuda mútua. Seu fim invariavelmente era o único caminho a que leva as drogas: a morte. A sociedade simplesmente os tratavam de marginais, drogados, maconheiros etc. e não se importava nem um pouco com o destino do adicto.
 Hoje, o usuário de drogas é visto como um enfermo, portanto, necessitado de tratamento médico, psicológico e espiritual especializados, por pior que seja seu comportamento sócio-familiar. A nova lei penal não mais impõe pena de prisão ao dependente químico, e sim o obriga ao tratamento, além de prestar serviços sociais à comunidade.
 Os avanços da neurociência permitem identificar problemas bioquímicos que contribuem e muito, para levar o indivíduo portador de imperceptíveis transtornos neurológicos à severa dependência do álcool (droga lícita) sem terem esses dependentes, nenhuma doença mental. No máximo, são portadores de “desconforto mental” que os leva ao uso, para “acalmar” ou “se sentirem bem”. Alguns psicanalistas chegam a afirmar que “vivemos uma cultura tóxica”, porque nos inclinamos à dependência de alguma coisa para atenuar nossas ansiedades, que poderá ser a comida, álcool, tabaco, sexo, medicamentos e agora a internet etc.
 Outro ponto relevante é a educação, no sentido de transmitir valores éticos-morais. Tradicionalmente, a família e as religiões cuidavam de educar as crianças e adolescentes. Hoje os pais têm transferido essa tarefa para a escola, que na verdade, tem o papel de intelectualizar o aluno. Esquecendo assim, de que o lar é o melhor educandário, porque sua lições são vivas e impressionáveis, carregadas de emoção e força. Os modelos devem ser silenciosos, falando mais pelos exemplos, pelas alegrias de viver, pelos valores comprovados, ao invés das palavras sonoras, cujas práticas demonstram o contrário. Segundo o último relatório anual da ONU, o consumo de drogas ilícitas no Brasil estabilizou, com ligeira redução da maconha. Todavia, o consumo de bebidas alcoólicas registra crescimento.
 Pesquisas apontam que 12,5% dos adolescentes matriculados nas escolas públicas bebem com frequência, o que significa “um em cada cinco alunos” faz uso do álcool. Esses indicadores revelam ainda que, em relação ao álcool e ao tabaco, as meninas superam os meninos no seu uso. Quanto à mudança dessa cultura suicida, o processo histórico nos indica que as alterações sócio-culturais costumam ocorrer somente depois de espalhar dores cruéis no organismo social. O toxicômano não se importa em se livrar do desejo de usar drogas, ele deseja apenas “fazer calar a sua dor”. Tanto o usuário eventual, como o dependente químico, sente na própria carne, o quanto as drogas são perigosas, mas está enredado num processo psicótico e obsessivo. O dependente químico desenvolve uma relação psicótica com os entorpecentes, ao deixar que as drogas se transformem no centro de suas preocupações. Por outro lado, o “tempo” do usuário é diferente do nosso, pois está “contaminado de velocidade” e porque perdeu a capacidade de esperar. Paradoxalmente, não tem capacidade de agir e apenas é levado pelas circunstâncias interiores e exteriores comparando-se a um zumbi. Os níveis de ansiedade são tão altos que vive a cada dia, como se fosse o último. Movidos pela “hipnose” das drogas, o dependente químico fica furioso quando os pais se negam a lhe dar dinheiro para a compra das drogas. Quando, então, é capaz de “removê-los” da frente, como se fossem meros obstáculos ao seu insano prazer, podendo feri-los ou mesmo matá-los.
  A vontade de ajudar um adicto a sair da situação degradante na qual se encontra, é enorme por parte de algumas pessoas, bem-intencionadas. Porém, é necessário algumas cautelas. Posto que é alguém que está sempre buscando comover as pessoas, para tentar facilitar o uso de drogas. Na maioria dos casos, o dependente químico procura ajuda, para se aperfeiçoar em sua droga adição e muitos acreditam que podem descobrir um jeitinho de usar drogas sem pagar o preço das sequelas físicas, psicológicas, mentais, morais e sociais. Desse modo, em razão da complexidade do problema, o seu enfrentamento não admite amadorismos. Exige um somatório de paciência e amor, estudos sobre a personalidade humana e estrutura psicológica do adicto, sobretudo cautela e energia, para não se deixar fazer parte do jogo manipulador, tão próprio dessa enfermidade. 
   Uma das maiores causa do uso de drogas atualmente é o egoísmo. Ele se traduz numa conduta humana, capaz de lançar a maior onda de indiferença sobre as pessoas e por isso se isolam, nos campos da competitividade, gerando medo uns dos outros. Esse isolamento impõe severa solidão, às vezes, começa dentro do próprio lar, onde vivemos acossados para atender às necessidades que nós criamos. Demoramos a perceber que nossos filhos têm sentimentos próprios e que não são projeções de nós mesmos. O silêncio prolongado, longas horas de internet, a porta do quarto fechada, a ciranda de festas ruidosas, “falam” dessa solidão, não de pessoas, mas de afeto e diálogo. Por isso, cabe aos pais adentrar no mundo interno do filho, para sentar no chão de sua intimidade e ali conversar com ele, para tentar descobrir as dores da sua alma. O egoísmo também está presente no adicto ao eleger o caminho das drogas. Para busca de um prazer, ignora os afetos mais caros, rompendo seus vínculos familiares e destroi-se tudo pela tentativa de fazer calar seus conflitos. Somente mais tarde vem a descobrir que perdeu a liberdade. Por certo não podemos perder de vista que se a dependência tem por base os conflitos emocionais, outros fatores não menos relevantes devem ser considerados como os defeitos de caráter (abordados nas literaturas de Alcoólicos Anônimos e Narcóticos Anônimos).
  A importância da família na formação do ser é indiscutível. Não se vence a dependência de drogas sem sua efetiva e ativa participação.
  Quando um de seus membros cai na dependência química, é sinal que o grupo familiar está enfermo. Pelo que, a família precisa participar da terapia, pela descoberta de que alguém está usando drogas. Sendo comum a instalação de um “tribunal familiar” para a apuração dos culpados e a condenação de quem caiu. O que o usuário menos precisa é de reprovação, posto que é portador de baixa-estima.
  A compreensão dos pais e outros familiares, lhe surgirá como grande alívio e estímulo para “aceitar” o tratamento. Tendo em vista que a primeira reação do dependente químico é a de não reconhecer o seu problema, valendo-se dos chavões “não sou viciado, paro quando quero”.     A melhor atitude da família é não se escandalizar e adotar a postura de quem vai efetivamente ajudá-lo. Somente estabelecendo um clima de confiança se poderá saber até onde e com quem o dependente químico está envolvido. Esta é a maneira mais adequada de se saber qual droga está sendo consumida, o grau de sua dependência e outros riscos. A espiritualidade, de forma ecumênica e voltada ao evangelho, é capaz de desenvolver um elo emocional com as lições e seu conteúdo ético-moral. Pouco a pouco, o dependente químico sente o despertar de uma nova consciência, que o leva para uma realidade até então desconhecida.
  As drogas fazem uma “blindagem emocional” do ser, como se congelassem seus sentimentos e a mensagem do Evangelho pulveriza esse bloqueio, abrindo novas e ricas possibilidades para proporcionar uma vida sem drogas, de onde poderá emergir o homem integral. Abandonar o consumo de drogas implica na “transformação cultural”, significa também uma "reforma íntima". O processo de reabilitação não é simples e nem breve. Na verdade, é marcado por muitas fases, escritas com dolorosas lágrimas e rudes sofrimentos. Razão pela qual, a prevenção é o melhor caminho. A prevenção na família equivaleria a preencher os seus vazios emocionais, que muitas vezes não são detectados a tempo. Evitar o consumo, ainda que eventual, de bebidas alcoólicas em casa, porque não sabemos se um membro de nossa família traz as tendências para esse vício. “Faça o que eu digo e não o que faço” é o pior dos exemplos. Acompanhar de perto os pensamentos e atitudes de um membro da família, pode ajudar a detectar a adicção antes mesmo que ele venha a ocorrer.
  É extremamente necessário garantir-se um ambiente saudável à família, onde os filhos têm a liberdade de expressarem o que sentem, para que sejam melhor compreendidos.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Evitar o Primeiro Gole (visão científica)


Metabolismo Anormal do Fígado

     Como já foi dito, o álcool não sofre qualquer processo digestivo. Ele é eliminado do corpo pelo processo de decomposição, realizado pelo fígado.



  Quando o álcool chega ao fígado na corrente sanguínea, uma enzima, chamada desidrogenose do álcool, retira dele uma molécula de hidrogeno, transformando-o em acetaldeído (ou aldeído acético). Depois, uma outra enzima, chamada desidrogenasse do acetaldeído retira mais uma molécula de hidrogeno, transformando-o em acetato. Este é decomposto em dióxido de carbono e água, e assim eliminado do organismo pela transpiração, pelos pulmões e pelos rins.



Como o acetadeído é mais tóxico que o álcool, o corpo faz com que a pessoa beba mais para diminuir sua toxidez. Aí o fígado aumenta a velocidade de transformação do álcool em acetaldeído, mas não aumenta a velocidade da transformação deste em acetato, do que decorre um acúmulo de acetaldeído na corrente sanguínea e no encéfalo.



Esse acúmulo acarreta complicados processos químicos com vários efeitos, culminando com a interação do acetaldeído com a dopamina, criando uma substância chamada tetrahidroisoquinolina (THIQ), também chamada tetrahidropapaverolina (THP), responsável pela compulsão física, pelo desejo irresistível de mais e mais álcool, de quanto mais beber mais vontade de beber.

Neste ponto é que o predisposto tornou-se verdadeiramente um alcoólatra, perfeito e acabado, e para o resto da vida, porquanto esta substância não é reduzível nem eliminável pelo organismo.

Daí para frente, só resta ao alcoólatra um único poder: o de não tomar o primeiro gole, o de não deixar entrar em seu corpo uma gota sequer de álcool, porque, não existindo álcool no corpo o THIQ fica inerte, como se não existisse.

Experiências médicas comprovaram que a THIQ (ou THP) não se reduz nem se elimina. Foram injetadas determinadas quantidades em cérebros de macacos. Depois de alguns anos esses macacos foram sacrificados e encontrados em seus cérebros as mesmíssimas quantidade que haviam sido injetadas anos antes.

Quanto a ser a substância causadora da compulsão física, também existem experiências médicas que a comprovam. Para mim, a seguinte experiência é suficiente.

Em uma gaiola colocaram dois pires: um com água pura e outro com água e pequena quantidade de álcool.

Algumas cepas, ou espécies, de ratos, bebiam normalmente da água pura e excepcionalmente da água com álcool. Eram os bebedores de fim de semana. Outras só bebiam de água pura. Eram os abstêmios.

Essa espécie que só bebia da água pura, se tirassem esse pires e deixassem só o de água com álcool, os ratos morriam de sede, mas não bebiam daquela com álcool.

Então, no cérebro de ratos dessa espécie injetaram o tetrahidrosoquinolina. O resultado foi que passaram a beber em quantidades excessivas até vodka pura. Bebiam até embriagar-se e sofriam os sintomas de síndrome de abstinência quanto eram privados de álcool e curtiam ressacas, igualzinho aos homens alcoólatras.




ANÁLISE COMPORTAMENTAL E SOCIAL 

Uma droga que mata, principalmente quando não tem utilidade terapêutica, é uma espécie de veneno. Quando imaginamos qualquer tipo de veneno, sempre pensamos em algo nocivo do qual devemos nos afastar, ou na melhor das hipóteses, nos proteger.


O álcool possui essas propriedades. É uma droga sem utilidade terapêutica, capaz de provocar a morte, portanto poderia ser encarada como um veneno, no entanto, isso não acontece, pelo contrário, nem como droga é considerado por muitos. A que se deve tamanha deturpação dos fatos?



O álcool tem um valor social inquestionável, é considerado o “lubrificante” das relações sociais, produto sempre encontrado na grande maioria dos encontros lúdicos, festivos ou profissionais. Tem o papel de diminuir nossa inibição natural, facilitando as relações interpessoais, favorecendo aproximações de negócios, românticas, sentimentais ou simplesmente de adequação ao meio ambiente circunstancial. Além disso cumpre um papel econômico importante pois, sendo um produto de uso das massas, gera o interesse de diversas indústrias, que usando os nossos ídolos nacionais através dos diversos meios de comunicação, popularizam indiscriminadamente a droga, atingindo até mesmo as crianças; mesmo que os impostos coletados na sua comercialização cubram apenas uma fração das despesas com hospitais gerais e psiquiátricos e jamais consigam compensar o sofrimento humano causado a cada família de um desses bebedores sociais, que sutil e progressivamente transformara-se em alcoólicos.



É nesse ponto, que a dependência é instalada, que o álcool, o “veneno sutil” apresenta o seu paradoxo. Como qualquer outro tipo de veneno, a sua suspensão traz alívio; porém, o álcool aliou-se de tal forma ao organismo que esse não consegue mais funcionar adequadamente sem a sua presença. Quando o indivíduo deixa de ingeri-lo passa em curto espaço de tempo a apresentar um mal estar orgânico e psicológico que progride, em casos graves, a um quadro dramático conhecido por “delirium tremens”, onde se observam tremores pelo corpo todo, chegando até a convulsões tipo epilépticas, suores profusos, delírios e alucinações com insetos que lhe cercam ou invadem o corpo. Um pavor indescritível se apodera do indivíduo que tenta fugir ou se mutilar de forma agressiva, intempestiva e desorientada. O indivíduo está frente a frente com a morte.



Mas atentemos bem para o termo “retarda a morte”, pois não há salvação com o uso continuado do álcool. Simplesmente alivia esses sintomas dramáticos da abstinência enquanto continua o seu trabalho de alterar a fisiologia orgânica até chegar ao ponto do colapso inevitável.





Poderíamos então pensar que nossa preocupação deveria ficar restrita à situação acima, quando os efeitos do álcool são bastante evidentes. No entanto, nossa preocupação deve se voltar para a prevenção, para evitar que a doença se instale. Devemos entender que o álcool é uma droga letal, que cumpre um papel social entre as pessoas adultas, sadias, de forma circunstancial. Nunca transformar esse uso de circunstancial em habitual, pois assim começa a haver a transformação fisiológica do organismo. Mesmo que esse uso se restrinja a fins de semana. Uma forma de percebermos se o nosso organismo está sendo alterado pelo álcool, é procurar sentir o nosso estado de espírito quando temos oportunidade de usar o álcool e voluntariamente não o fazemos. Se isso traz desconforto psíquico (irritação, mau humor, inquietação) é um sinal de alerta que apenas a pessoa que sente pode avaliar (ou disfarçar, se ele quer aparentar normalidade, mostrando que o álcool não cumpre nenhum papel em sua vida).



Neste ponto da prevenção, a mudança corretiva dos hábitos depende exclusivamente da honestidade de cada um. O que podemos e devemos informar é sobre a estratégia que a doença usa para o domínio do corpo. Como o álcool tem uma preferência para agir em nível cerebral, onde existem bilhões de neurônios responsáveis por nossa percepção, processamento das informações recebidas e execução do comportamento desejado, ele vai alternando progressivamente a função dos diversos neurônios atingidos. Se eles individualmente passam a necessitar do álcool para executarem com mais “eficácia” suas funções, começam a interferir no processo cognitivo encontrando justificativas para o uso e negando qualquer argumento que ameace sua interrupção. Essa é a grande tática utilizada estrategicamente pelo álcool para minar nossa resistência e iniciar o processo de destruição orgânica. Portanto, a honestidade do indivíduo que usa o álcool habitualmente é fundamental para frustrar o desenvolvimento da doença. Somente ele é responsável por sua própria recuperação. a nós, que adquirimos esse conhecimento, cabe apenas o papel de atingir a consciência das pessoas na faixa de risco, confrontando suas defesas (negação, racionalização) com os prejuízos reais que começam a surgir, de forma solidária, compreensiva, sem cair no campo emocional, atacando impiedosamente com nossa razão a fragilidade de quem já se encontra doente ou no mínimo, já começou o processo.

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