Adicção, A.A., N.A., Doze Passos, Reflexões, Literatura, Clínica, Comunidade, Espiritualidade

LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

domingo, 4 de novembro de 2007

Milagres

MILAGRES.

“Deus prova a Sua grandeza e Seu poder pela imutabilidade das Suas Leis e não pela Alteração Delas.”

Um dos caracteres do milagre propriamente dito é o ser inexplicável, por isso mesmo que se realiza com exclusão das leis naturais. É tanto essa a idéia que se lhe associa, que, se um fato milagroso, vem a encontrar explicação, se diz que já não constitui milagre por mais espantoso que seja. O que, para a Igreja, dá valor aos milagres é, precisamente a origem sobrenatural deles e a impossibilidade de serem explicados. Ela se formou tão bem sobre esse ponto, que o assimilarem-se os milagres aos fenômenos da natureza constitui para ela uma heresia, um atentado contra a fé, tanto assim que excomungou e até queimou muito gente por não Ter querido crer em certos milagres.
Outro caráter do milagre é o ser insólito, isolado, excepcional. Logo que um fenômeno se reproduz, quer espontânea, quer voluntariamente, é que está submetido a uma lei e, desde então, seja ou não seja conhecida a lei, já não pode haver milagres.
Aos olhos dos ignorantes, a ciência faz milagres todos os dias. Se um homem, que se ache realmente morto, for chamado à vida por intervenção divina, haverá verdadeiro milagre, por esse ser um fato contrário às leis da natureza. Mas, se em tal homem houver apenas aparências de morto, se lhe restar uma vitalidade aparente e a ciência, ou uma ação magnética, conseguir reanimá-lo, para as pessoas esclarecidas ter-se-á dado um fenômeno natural, mas, para o vulgo ignorante, o fato passará por miraculoso.
Foram fecundos em milagres os séculos de ignorância, porque se considerava sobrenatural tudo aquilo cuja causa não se conhecia. À proporção que a ciência revelou novas leis, o círculo do maravilhoso se foi restringindo; mas, como a ciência ainda não explorava todo o vasto campo da natureza, larga dele ficou reservada para o maravilhoso.
Deus, visto que nada Lhe é impossível, pode fazê-los. Mas, fá-los? Ou, por outras palavras, revoga as leis que Dele próprio emanaram? Não cabe ao homem préjulgar os atos da divindade, nem os subordinar à fraqueza do seu entendimento. Contudo, em face das coisas divinas, temos, para critério do nosso juízo, os atributos mesmo de Deus. ao poder soberano reúne Ele a soberana sabedoria, donde se deve concluir que não faz coisa alguma inútil.
Por que, então, faria milagres? Para atestar o Seu poder, dizem. Mas, o poder de Deus não se manifesta de maneira muito mais imponente pelo grandioso conjunto das obras da criação, pela sábia previdência que essa criação revela, assim nas partes mais gigantescas, como nas mínimas, e pela harmonia das leis que regem o mecanismo do universo, do que por algumas pequeninas e pueris derrogações que todos os prestímamos sabem imitar? Que se diria de um sábio mecânico que, para provar a sua habilidade, desmantelasse um relógio construído por suas mãos, obra-prima de ciência, a fim de mostrar que pode desmanchar o que fizera? Seu saber, ao contrário, não ressalta muito mais da regularidade e da precisão do movimento da sua obra?
Não sendo necessários os milagres para a glorificação de Deus, nada no universo se produz fora do âmbito das leis gerais. Deus não faz milagres, porque, sendo, como são, perfeitas as Suas leis, não Lhe é necessário derrogá-las. Se há fatos que não compreendemos, é que ainda nos faltam os conhecimentos necessários.
Admitindo que Deus houvesse alguma vez, por motivos que nos escapam, derrogado acidentalmente leis por Ele estabelecidas, tais leis já não seriam imutáveis. Mesmo, porém, que semelhante derrogação seja possível, ter-se-á, pelo menos, de reconhecer que só Ele, Deus, dispõe desse poder; sem se negar ao espírito do mal a onipotência, não se pode admitir Lhe seja dado desfazer a obra divina, operando, de Seu lado, prodígios capazes de seduzir até os eleitos, pois que isso implicaria a idéia de um poder igual a de Deus. E, no entanto o que ensinam. Se satanás tem o poder de sustar o curso das leis naturais, que são obras de Deus, sem a permissão Deste, mais poderosos é ele do que a Divindade. Logo, Deus não possui a onipotência e se, como pretendem, delega poderes a satanás, para mais facilmente induzir os homens ao mal, falta-Lhe a soberana bondade. Em ambos os casos, há negação de um dos atributos sem os quais Deus não seria Deus.
Daí vem a Igreja distinguir os bons milagres, que procedem de Deus, dos maus milagres, que procedem de satanás. Mas como diferenciá-los? Seja satânico ou divino um milagre, haverá sempre uma derrogação de leis emanadas unicamente de Deus. se um indivíduo é curado por suposto milagre, quer seja Deus quem o opere, quer satanás, não deixará por isso de ter havido a cura.
Sem falar do milagre da Criação, o maior de todos sem contestação possível, não vemos reproduzirem-se hoje, os êxtases, as visões, as aparições, as percepções a distância, as curas instantâneas, as suspensões, as comunicações orais e outras com seres do mundo invisível, fenômenos esses conhecidos desde tempos imemoráveis, tidos outrora por maravilhosos e que presentemente se demonstra pertencerem à ordem das coisas naturais. Que sabe o homem das descobertas e dois conhecimentos que o futuro lhe reserva? Os livros sagrados estão cheios de fatos desse gênero, qualificados de sobrenaturais; como, porém, outros análogos e ainda mais maravilhosos se encontram em todas as religiões pagãs da antigüidade, se a veracidade de uma religião dependesse do número e da natureza de tais fatos, não se saberia dizer qual a que devesse prevalecer.

“Eu Sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim.”

Ele viajava de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, pregando e declarando as boas novas do Reino de Deus. Lembrava que: “Ninguém, depois de acender uma lâmpada, a cobre com um vaso ou a põe debaixo de uma cama, mas a coloca num velador, para que os que entram possam observar a luz.” Tinha a certeza da importância de Sua vinda à Terra. Tanto que garantia: “Não há nada escondido que não se torne manifesto, tampouco nada cuidadosamente oculto que nunca se torne conhecido e nunca venha à tona.”
Assim era Jesus. Sábio. Autêntico. Alguém que sempre causava surpresa por onde passava. As pessoas chegavam para conhecê-Lo, para verificar o que havia acontecido, ou o que poderia acontecer. E foram várias as surpresas. Numa das vezes, por exemplo, encontraram 1conhecido endemoninhado da região, vestido e de juízo são, sentado tranqüilamente aos pés de Jesus. Os que presenciavam essas cenas, espalhavam pelas redondezas o que tinham visto, relatando fatos incríveis. Como: andar sobre as águas, multiplicar pães, expulsar demônios, fazer paralíticos andar, cego enxergar. Muitos, também, ficavam temerosos de tamanho poder e se sentindo ameaçados, expulsavam-No do local, por não compreenderem que a doutrina era aquela que vinha pregar.
Jesus sabia que precisava chamar a atenção do mundo, que deveria sacudir não só o pó das sandálias, mas a poeira encalacrada nos corações humanos. Com sabedoria, não perdia uma só oportunidade de anunciar o Reino de Deus. por onde passava, utilizava-se de exemplos simples da vida das comunidades da época para registrar algo mais importante: o sentido espiritual das coisas. Deixava a paz aos que O convidavam a Se retirar. Entristecia-se pela pouca evolução dos homens, mas não desistia da tarefa a que veio. No caso da cura do endemoninhado, por exemplo, tendo Sido convidado pelas autoridades locais a se retirar, entrou num barco, afastou-Se tranqüilamente e pediu: “volta para casa e persiste em relatar as coisas que Deus fez a ti.” Numa outra ocasião, João Batista, tendo ouvido falar das Suas obras, enviou seus próprios discípulos para perguntar: “És Tu Aquele que vem, ou devemos esperar alguém diferente?” Jesus respondeu-lhes: “Ide e relatai a João o que ouvis e vedes. Os cegos estão vendo novamente e os coxos estão andando, os leprosos estão sendo purificados e os surdos estão ouvindo, e os mortos estão sendo levantados, e aos pobres estão sendo declarados as boas novas; e feliz é aquele que não achar em Mim nenhuma causa para o tropeço.”

É preciso compreender de uma forma mais abrangente os milagres de Jesus. Essas obras poderosas foram necessárias, pois estavam relacionadas com a afirmação de Jesus de que Ele era o filho de Deus, o prometido Messias, conforme havia sido revelado nas escrituras, pois Seus atos demonstravam realmente que Ele estava preparado e amparado para desenvolver tão importante missão. “Jesus ensinava como quem tinha autoridade e não como os doutores da lei.” Marcos 01, 21-17. Assim, tanto as obras de Jesus como a Sua mensagem forneceram provas de que Ele era o Messias prometido. Mas, sem a compreensão espiritual dos textos bíblicos, o povo judeu da época, apegado à letra, aguardava por alguém poderoso, um Rei nos moldes da autoridade materialista da Terra, que os libertasse do julgo dos romanos pela força. Não percebiam que a força de Jesus era muito maior, advinda da sua autoridade moral.
Ele não somente afirmava que era o Messias como também agradecia ao Pai, enaltecendo a Sua perfeição absoluta, cujo poder era demonstrado através de Seus “milagres”, Suas palavras e outras ações, fornecendo evidências da Sua missão. Plenamente sintonizado e identificado com Deus, através do conhecimento prático das leis naturais – “Eu e o Pai somos um.” Ao realizar Suas obras Jesus chamou atenção para Si mesmo. Fazia questão de atribuir a Deus a glória e o mérito pelos resultados obtidos. Também nunca usou de artifícios – hipnose, truques, exibição ou ritual. Curava de modo simples, sem delongas, porque já entendia e refletia pelo Seu nível evolutivo a simplicidade do amor do Criador.
Nada de espetáculo, luz especial, cenários, impostação de voz ou acessórios. Jesus agia com misericórdia. Também não ficava dando longos sermões sobre os perigos da falta de fé, nem complicava a vida de ninguém com culpas ou penitências impossíveis. Nada queria em troca. Falava sobre a fé que existia em muitos, mas a falta de fé também não o impedia de fazer as curas de outros necessitados. Cada caso era singular, específico, mas sempre uma nova lição de aplicação universal. Nada de satisfazer curiosidades de ninguém, mas de atender às reais necessidades das pessoas. Afinal, sabia que não tinha vindo para ser servido, mas para servir. Não ensinava ditando regras de conduta. Convencia através de seus inúmeros exemplos, demonstrando que vivenciava em Si mesmo o Reino que anunciava.

Falar dos milagres de Jesus exige que analisemos não somente os fatos relatados, mas que despertemos para a melhor parte, percebendo a qualidade dos sentidos profundos que O impulsionavam – um intenso amor, um interesse inigualável pelo bem-estar do próximo. E aqui está a diferença, o que amedrontava os fariseus e poderoso da época. Afinal, durante os três anos de Seu ministério, continuaram a existir – como em todos os tempos – os milagreiros e curandeiros, que também provocavam seus fenômenos diversos, como embusteiros. O que impressiona era como Jesus curava – Seu estilo, Seu porte, Sua vibração, Sua humildade, Sua sabedoria, utilizando-se nas pregações do apelo combinado à razão e ao sentimento, por meio de parábolas ilustrativas das verdades morais, eternas, sabendo dosar com incrível equilíbrio e bom-senso momentos de brandura e coragem para cumprir a vontade de Deus, não por imposição ou capricho, mas por respeito e gratidão às leis estabelecidas para toda Criação – perfeita, justa e eterna. Exemplo de adoração a Deus “em espírito e verdade”.
Jesus não veio fundar nenhuma religião. A religião Dele era o amor a Deus e ao próximo, uma atitude de religiosidade diferenciada – a lei do amor, que Ele procurou instalar nos corações por meio de sermões e parábolas.
Jesus não veio destruir a lei, quer dizer, a lei de Deus; Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe seu verdadeiro sentido, e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens; por isso se encontra nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constituem a base de Sua doutrina. Quanto as leis de Moisés propriamente ditas, ao contrário, Ele as modificou profundamente, seja no fundo, seja na forma; combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não poderia fazê-la sofrer uma reforma mais radical do que as reduzindo a estas palavras: “Amar a Deus acima de todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo.” E dizendo: “Está aí toda a lei e os profetas”.

Não podemos ficar sempre à espera de milagres, enaltecendo afigura de Jesus Cristo apenas como grande milagreiro, numa adoração exterior, negligenciando o mais importante que foram os Seus ensinamentos, fonte inexaurível de salvação e libertação, desde que sejam adorados na prática, do coração e da razão. Não somente na letra, que há tanto tempo nos limita à condição de eternos pedintes e espectadores. Se tivermos Jesus como mestre, precisamos aprender com Ele. E ao discípulo, cabe a própria conquista pela dedicação, esforço e trabalho.
Uma das diferenças principais de Jesus em Suas pregações estava no compromisso de mudança que despertava nas meditações, convidando as a uma atitude nova, de comprometimento em reconhecer a bondade de Deus que oferece a liberdade e a responsabilidade ao homem para que ele trace seu próprio caminho. Não bastava ficar curado, era preciso que os enfermos despertassem para os prazeres da alma. Por isso ensinou o perdão e disse a Madalena “Vai e não peque mais”.
Façamos assim. Busquemos essa força interior de Deus em nós e não fora de nós, realizando o nosso próprio “milagre”, que nada terá de sobrenatural ou prodigioso, porque progredir, amar e ser feliz faz parte da lei da Criação.
Somente abandonando-se esses ranços milenares de uma postura contemplativa, ingênua e comprometedora de atrasos, por preguiça ou desconhecimento, é que será realmente fácil compreender qual o maior “milagre” que Jesus esperava – e espera – de todos nós, quando nos incentivou com uma grande verdade: “Sois deuses; podeis fazer o que faço e muito mais.”

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