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quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Álcool (estudando o vício)

O VÍCIO DO ÁLCOOL.

· Precocidade: a bebida se torna importante, reconhecida em outras horas e atividades programadas em função dela.

· Aumento da tolerância: mais álcool para provocar o efeito desejado.

· Sintomas da privação: aumento dos tremores, insônia, agitação, ansiedade, confusão. Torna-se um ciclo vicioso.

· Ansiedade: bebendo um, já se anseia pelo próximo gole.

· Conflito interior: sente desejo de parar, mas na retomada o descontrole se tona mais sério.

· Problemas externos: trabalho, amigos, família, polícia, bebe em segredo. O alcoolismo é interpretado como um problema de saúde crônico, sistêmico e degenerativo, análogo a doenças de incapacidade como a sífilis e a esclerose múltipla.

· 1º Estágio: ao usar o álcool, a pessoa experimenta uma dramática redução do estresse e níveis mais baixos de tensão. Beber diário para relaxar. Tem mais tolerância que pessoa comum.

· 2º Estágio: pessoa começa a ter amnésia (apagão); tensão e culpa; bebe em segredo.

· 3º Estágio: comportamento descontrolado; reage a tensão bebendo; cria incidentes ou fantasias para justificar o álcool e um relacionamento com o próximo altamente desgastado.

· 4º Estágio: fase crônica com intoxicação longa; debilidade física e mental, relacionamentos problemáticos, tolerância ao álcool diminuída.

Muitos nessa fase de “fundo-do-poço”, desesperados, de súbito vivenciam uma nova experiência espiritual. É a descida ao inferno que precisa preceder a visão do paraíso.

Carl Jung: “Um homem comum, não protegido pela ação vinda de cima e isolado na sociedade, não consegue resistir ao poder do mal, que é adequadamente chamado de o demônio...“álcool” em latim é “spiritus”, a mesma palavra tanto para a mais elevada experiência religiosa quanto para o veneno mais depravado: poderíamos observar que, para muitos a “solução espirituosa” do álcool acaba por conduzir a uma solução espiritual para o alcoolismo”.

William James: “A verdadeira cura para o excesso de bebida é a paixão pela religião. Diria que a única cura de vicio é a descoberta de uma espiritualidade intensamente sentida”.

Com essa base espiritual, o viciado em recuperação pode começar a realizar em sua vida as mudanças práticas necessárias à real transformação.
O poder da bebida de transformar um viciado em uma pessoa diferente é abordado pelos Alcoólicos Anônimos. Ao sugerir que se evite o primeiro gole, se insiste que o viciado impeça que os efeitos destrutivos do álcool tenham início. Isso é necessário porque ele será sempre um alcoólatra, com toda vulnerabilidade que isto sugere. O primeiro passo sugere a impotência perante o álcool, e tão logo uma pessoa ingira um drinque não tem mais sobriedade que aquele que se embebeda e nunca ouviu falar de Alcoólicos Anônimos.
Um ponto forte dos Alcoólicos Anônimos é reconhecerem um poder espiritual (Poder Superior) que precisa ser invocado para que o problema do vicio seja solucionado. Também a voluntariedade e a ausência de uma estrutura hierárquica, permite que o viciado assuma plena responsabilidade pela recuperação. Os aspectos mais extraordinários dos Alcoólicos Anônimos é o fato de somente o primeiro passo mencionar o álcool que resulta em efeitos benéficos para o adicto, ou sejam:
Enfatizam que o vício da bebida não diz respeito ao que simplesmente está no corpo, mas também na mente e coração.
Oferecem ao alcoólatra em recuperação a oportunidade de compreender a bebida não apenas como uma tribulação, mas como uma espécie de oportunidade, o primeiro degrau do autodesenvolvimento que pode conduzir à genuína realização espiritual. Os doze passos não são só um programa para que a pessoa se torne sóbria; eles ajudam o indivíduo a se tornar uma pessoa verdadeiramente excelente em todas as tarefas da vida.
Por outro lado a ênfase dos Alcoólicos Anônimos na impotência do viciado parece problemática. Enquanto ele caminha sobre a estreita linha divisória entre o poder maligno do álcool, de um lado, e a graça salvadora de um poder espiritual superior do outro, a verdadeira natureza do viciado permanece desconhecida ou talvez irrelevante. Colocando as coisas de maneira simples, ele é o que faz, e nunca terá certeza do que irá fazer de um dia para outro. De acordo com a máxima conhecida dos Alcoólicos Anônimos “um dia de cada vez”.
A essência da natureza humana não é tão indeterminada. Quando crianças tínhamos o uso do coração e encontrávamos a alegria à nossa volta. Esta criança feliz ainda está dentro de nós, e o impulso natural em direção à saúde e à felicidade ainda está presente. Não somos emocional ou espiritualmente neutros, e nem igualmente inclinados a fazer o bem e o mal a nós mesmos. Os perigos e tentações desaparecerão quando nossa satisfação com relação aos verdadeiros prazeres da vida se tornar mais uma vez disponível.
O sonho de uma substancia que transforma a realidade está profundamente enraizado na imaginação humana.
O vicio das drogas se apodera de homens e mulheres cuja vida cotidiana é como vagar pelo deserto, destituída de prazer e alimento espiritual. Quando algo (como as drogas ou álcool) se oferece para transportar essas pessoas para uma realidade ilusória, diferente daquela que vivem, muitas delas aceitam a oferta simplesmente porque nada mais parece oferecer qualquer tipo de promessa. Mas uma das ironias do vício, é que aquilo que se começa como uma busca do prazer, logo se transforma em uma luta constante para evitar a dor.
A sociedade através da história encontrou muitas maneiras diferentes de condenar os chamados “comportamentos que se desviam da norma”. Quase sempre essa condenação tinha uma base religiosa, embora a observação da ortodoxia religiosa fosse freqüentemente uma máscara para o poder e o controle dos políticos. Hoje nossa crença na ciência nos leva em direção de uma diferente terminologia de desaprovação, e o uso das drogas é visto como uma doença em vez de uma blasfêmia.
O fato de certas drogas serem ilegais é provavelmente uma parte fundamental da sua sedução. Com essas substâncias, o indivíduo rejeita os valores da corrente principal da sociedade e se separa dela, ingressando num subgrupo cuja vida é definida pelo vício.
Todos os vícios têm uma coisa em comum: seu poder depende de algo externo, algo que está lá fora no mundo, algo extrínseco ao eu individual. O contraste disso é a meditação que vem inteiramente do interior. Cada um tem tudo para meditar e já tinha quando veio ao mundo. Ninguém pode tirá-lo de você. A meditação é o oposto, a antítese do comportamento do vício, e é recomendável que se preste particular atenção sobre ela.
O aspecto mais admirável da meditação é seu poder de abranger estados mentais aparentemente diversos em uma única experiência que pode ser descrita como vigilância repousante.
Em todos há um “você” observador que não participa dos pensamentos e sentimentos que se nutre durante o dia. A meditação ajuda a reconhecer a existência desse mágico e silencioso observador. Aprende-se a usar esse estado de vigilância repousante como uma espécie de bússola interna ou ponto central, um lugar de poder a partir do qual, a influência do espírito pode se espalhar para todas as áreas da vida.

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