ESPIRITUALIDADE, DOZE PASSOS, REFLEXÕES DIÁRIAS, TEMAS SÔBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

espiritualidade, dependência química, Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos, Alateen, Alanon, saúde física e mental, lazer, curiosidades, doze passos, passagens da bíblia, notícias, clínicas de recuperação. Espero com essas matérias, estar colaborando com alguém, em algum lugar, em algum momento de sua vida.

sábado, 3 de novembro de 2007

Crescimento e sobriedade

PODEMOS CRESCER E NOS MANTER SÓBRIOS AJUDANDO AOS OUTROS.

Há alguns anos, um de nossos membros viajou para certa cidade.
Os negócios ali, não foram os esperados e seu empreendimento não foi bem sucedido.
Tremendamente desanimado, encontrava-se num lugar estranho, desacreditado e quase sem dinheiro. Ainda fraco fisicamente e sóbrio há poucos meses, constatou que sua situação era perigosa. Queria muitíssimo falar com alguém. Mas quem?
Numa tarde sombria ele andava de um lado para o outro do saguão de um hotel, pensando como pagar sua conta. Num canto da sala havia uma relação das igrejas locais. Nos fundos estava a entrada para um bar atrativo. Podia ver lá dentro o pessoal se divertindo. Ali encontraria o companheirismo e a liberdade. Sem tomar alguns goles, possivelmente não teria coragem de pedir dinheiro emprestado e passaria a fim de semana bastante triste.
É claro que não podia beber, mas que mal havia em ficar sentado numa mesa com uma garrafa de refresco na sua frente, esperando? Afinal de contas, não tinha estado sóbrio durante 6 meses, não tinha? Talvez pudesse se controlar com apenas 3 “drinks” – nada mais! o medo se apoderou dele. Estava numa situação precária. Novamente, era aquela velha loucura – esse primeiro gole. Trêmulo, virou as costas e se encaminhou para a relação das igrejas, no outro lado do saguão. A música e a conversa alegre do bar ainda chegavam aos seus ouvidos.
Num sentido, veio a sua mente, sua responsabilidade, sua família. Telefonia para um pastor. Voltou sua sanidade e deu graças a Deus. escolhendo uma Igreja qualquer da região, pediu a ligação.
Seu telefonema ao clérigo o levou logo a um certo residente da cidade que, embora anteriormente capacitado e respeitado, estava naquele momento chegando ao ponto extremo de seu desespero alcoólico. Era a situação de sempre: o lar em perigo, a esposa doente, as crianças descuidadas, dívidas para pagar e a fama destruída. Tinha um desejo desesperado de parar, mas não via saída, pois tinha procurado sinceramente todos os meios de escape. Reconhecendo dolorosamente que algo tinha de anormal, o homem não compreendia bem o que era ser um alcoólatra.
Quando nosso amigo lhe relatou sua experiência, ele confessou que jamais teria força de vontade para parar de beber por muito tempo. Concordou que uma experiência espiritual era absolutamente necessária, mas o sacrifício parecia exagerado, na base em que fôra sugerido. Contou como vivia constantemente apavorado, de q outros viessem a saber de seu alcoolismo. Tinha, é claro, a conhecida obsessão alcoólica de que poucos sabiam de suas bebedeiras. Por que, argumentou ele, era necessário perder o resto dos seus negócios para trazer ainda mais sofrimento à sua família, ao ter que admitir sua condição às pessoas com quem ganhava sua vida? Faria qualquer coisa, disse ele.
No entanto, ficou intrigado e convidou seu novo amigo a ir a sua casa. Algum tempo depois, e justamente quando pensava controlar suas bebedeiras, recaiu na maior de todas as pândegas. Para ele, esta era a farra que acabaria com todas as outras. Viu que teria de encarar seus problemas diretamente, para que Deus lhe proporcionasse forças.
Certa manhã decidiu-se e foi contar, àqueles que ele temia, qual era o seu problema. Foi surpreendentemente bem recebido e verificou que muitos já sabiam de suas bebedeiras. Pegando seu carro, fez a ronda das pessoas que tinha maltratado. Tremia ao fazer as visitas, pois sabia que poderia arruinar-se, especialmente quando se tratasse de uma pessoa de sua profissão.
À meia-noite chegou à casa exausto, porém muito contente. Nunca mais tomou um gole. Hoje ele significa muito para a sua comunidade, e os seus principais problemas, causados em 30 anos de bebedeiras, foram reparados em apenas 4.
Nosso amigo do incidente no saguão do hotel permaneceu nessa cidade. Ficou ali 3 meses. Depois voltou a sua casa, deixando atrás de si seu primeiro companheiro, o advogado e mais um rapaz que a eles se ajuntou. Estes homens tinham descoberto algo inteiramente novo na vida. Embora soubessem que para se manterem sóbrios precisavam ajudar a outros alcoólicos, este motivo passou para segundo lugar. Foi superado pela felicidade que encontraram em dar de si próprios aos outros. Compartilharam seus lares, suas poucas finanças, e com alegria dedicaram suas horas extras a seus companheiros sofredores, estavam dispostos, quer fosse dia, quer fosse noite, a internar um novo homem no hospital e visitá-lo depois. O número deles aumentou. Experimentaram vários fracassos penosos, mas nesses casos se esforçaram por levar a família do homem a um modo espiritual de viver, aliviando dessa maneira muita inquietação e sofrimento.
Uma ano e meio depois, estas 3 pessoas haviam alcançado êxito com mais 7. Viam-se com grande freqüência e, praticamente, não havia uma noite em que a casa de um deles não abrigasse uma pequena reunião de homens e mulheres, felizes pela sua libertação, e pensando constantemente em como levar sua descoberta a algum outro candidato. Além dessas reuniões casuais, tornou-se hábito reservar um dia por semana para uma reunião, assistida por qualquer pessoa interessada nesse modo espiritual de viver. Além do companheirismo e da sociabilidade, o primeiro objetivo era fornecer uma hora e um lugar onde pessoas novas pudessem trazer seus problemas.
Gente de fora se interessou. Um senhor e sua esposa colocaram sua grande casa à disposição deste grupo misto. Desde então, esse casal ficou tão fascinado, que dedicava seu lar à obra. Muitas pessoas desenganadas já visitaram essa mansão para ali encontrar o companheirismo amável e compreensivo de mulheres que conheciam o problema, e ouvir, dos lábios das esposas, o que lhes havia acontecido, recebendo ainda conselhos a respeito de como hospitalizar e tratar o marido caprichoso quando da próxima recaída.
Muitos homens, perturbados ainda por suas experiências hospitalares, atravessaram a porta dessa casa para ali encontrar a libertação. Muitos alcoólatras que ali entraram, saíram com uma resposta. Entregaram-se àquela gente alegre que lá encontraram, que ria de suas próprias desventuras e que compreendia a deles. Impressionados com as pessoas que os tinham visitado no hospital, rendiam-se inteiramente quando, mais tarde, num quarto daquela casa, ou viam a história de algum homem cujas provações empatavam com as deles. A expressão do rosto das mulheres, aquele algo indefinível nos olhos dos homens, o ambiente estimulante e eletrizador do lugar, conspiravam para dar-lhes a entender que ali, por fim, tinham encontrado seu abrigo.
O modo de encarar tão praticamente os seus problemas, a ausência de qualquer tipo de intolerância, a informalidade, a genuína democracia, a incrível compreensão mostrada por essa gente, eram irresistíveis. Elas, e suas esposas, saiam entusiasmados com o pensamento do que poderiam agora fazer por algum doente conhecido e sua família. Sabiam que tinham ganho uma multidão de novos amigos. Parecia terem conhecido essa turma há muito tempo. Tinham presenciado milagres, e certamente um milagre também lhes iria acontecer. Haviam vislumbrado a grande realidade: seu criador amantíssimo e Todo-Poderoso.
Hoje esta casa quase não consegue acomodar seus visitantes semanais, pois, regra geral, ascendem a 60 ou 80 pessoas. Os alcoólatras são atraídos de perto e de longe. Dos povoados vizinhos, as famílias viajam distâncias consideráveis para estarem presentes. Uma comunidade a 48 km tem 15 membros de Alcoólicos Anônimos. Sendo um lugar amplo, acreditamos que algum dia sua irmandade atingirá a várias centenas.
Porém, a vida entre os Alcoólicos Anônimos é muito mais do que assistir a reuniões e visitar hospitais. Reparando os velhos mal-entendidos, ajudando a resolver problemas familiares, explicando a pais furiosos o caso do filho deserdado, emprestando dinheiro e conseguindo empregos uns para os outros, tudo isso são acontecimentos cotidianos. Ninguém é tão desacreditado, e nem desceu tanto na escala, que não possa ser cordialmente recebido – se levar o problema a sério. Distinções sociais, rivalidades e ciúmes insignificantes são coisas que se consideram absurdas. Náufragos do mesmo navio, salvos e unidos por um Deus, com os corações e as mentes atentos ao bem-estar de outros, as coisas que têm tanta importância para algumas pessoas, não mais significam muito para eles. Nem poderia ser de outra forma.
Sob condições praticamente iguais, a mesma coisa está acontecendo em muitas outras cidades. Numa destas existe um conhecido hospital para tratamento de alcoólatras e toxicômanos. Seis anos atrás, um de nossos membros aí esteve internado. Muitos de nós temos sentido, dentro dessas paredes, a presença e o poder de Deus, pela primeira vez. Estamos imensamente agradecidos ao médico que atende ali, pois ele, embora arriscando prejudicar seu próprio trabalho, falou-nos da crença que tem em nós.
Com grande freqüência, este médico sugere nosso programa a seus pacientes. Compreendendo nosso trabalho, ele pode fazê-lo, tendo em vista a seleção daqueles que estão dispostos e são capazes de se recuperar numa base espiritual. Muitos de nós, ex-pacientes, vamos lá para ajudar. Também nesta cidade existem reuniões informais, tais como já temos descrito, onde hoje se encontram dezenas de membros. Nela se vê as mesmas profundas amizades, a mesma maneira de se ajudarem uns aos outros, como sucede com nossos amigos de Alcoólicos Anônimos em qualquer parte. Há bastante comunicação entre as cidades e prevemos um grande aumento neste útil intercâmbio.
Esperamos que, algum dia, todo alcoólatra que viajar encontre a irmandade de Alcoólicos Anônimos no seu ponto de chegada. Até certo ponto isto já existe. Alguns de nós somos vendedores-viajantes. Grupinhos de 2,3,4 e 5 de nós floresceram em outras comunidades, através de contatos com os 2 maiores centros. Aqueles de nós q viajam, sempre os visitam quando possível. Essa prática permite-nos ajudá-los e, ao mesmo tempo, evitar certas distrações pelo caminho, coisas que qualquer viajante poderá descrever.
Tudo em Alcoólicos Anônimos é apenas sugerido. Reconhecemos que sabemos pouco. Deus, porém, revelará cada vez mais a verdade a nós. Pergunte-lhe, na sua meditação matinal, o que você poderá fazer cada dia pelo homem ainda doente. As respostas virão, se você mesmo estiver preparado. Mas evidentemente, você não poderá transmitir algo que não tenha. Procure fazer com que sua relação com Ele seja certa, e grandes eventos, acontecerão a você e a inúmeros outros. Esta é a grande realidade para nós.
Entregue-se a Deus da forma que você O entenda. Admita sua falhas a Ele e aos seus amigos. Desfaça-se das ruínas do seu passado com você na irmandade do espírito e, fatalmente, também se encontrará com alguns de nós na sua passagem pelo caminho do destino feliz.

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