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quarta-feira, 15 de março de 2017

A importância de AA na recuperação

Quem é Um Adicto? A maioria de nós não precisa pensar duas vezes sobre esta pergunta. Nós sabemos! Toda a nossa vida e nossos pensamentos estavam centrados em drogas, de uma forma ou de outra obtendo, usando e encontrando maneiras e meios de conseguir mais. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva, que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições e morte. Aqueles de nós que encontraram o programa de Alcoólicos Anônimos toma consciência de que a adicção é uma doença que envolve mais que o uso de drogas. Talvez a doença já estivesse presente, antes mesmo do uso pela primeira vez. A maioria negava a doença. Focava o parar de usar, não o uso. É uma doença que se manifesta de maneiras anti-sociais, e que torna difícil a detecção, o diagnóstico e o tratamento. Isolávamos-nos, a não ser quando usávamos ou ainda: hostis, ressentidos, egocêntricos e egoístas. Apesar de que usar e abusar era bom, as coisas que fazíamos refletiam nosso desespero. Para continuar a usar, manipulávamos as pessoas, mentíamos, roubávamos, trapaceávamos e por fim nos vendemos. O fracasso e o medo nos invadiam. Usávamos tentando encontrar uma fórmula mágica para resolver nossos problemas. Mas, sem perceber que éramos nós mesmos. Sentíamos-nos mal, as drogas haviam deixado de fazer nos sentirmos bem. Sentíamos orgulho do comportamento, às vezes ilegal e sempre bizarro. Mas esquecíamos nosso isolamento, medo e autopiedade. Evitávamos a realidade da adicção. Ficamos incapazes de amar, nosso viver baixou a um nível animal, o espírito em pedaços, nem nos sentíamos humanos. Não conseguíamos mais lidar com o dia-a-dia e muitos se viram entrando e saindo de instituições. Existia uma coisa errada conosco; queríamos uma saída fácil. Pensávamos em suicídio, muitas vezes até tentamos, sem conseguir e nos sentíamos então, mais inúteis. Estávamos presos à ilusão do “e se”, “se apenas” e “só mais uma vez”. Procurávamos ajuda para aplacar nossa dor, uma vez recuperados fisicamente voltávamos ao uso. Não temos controle sobre o uso, a droga nos subjuga. Porém, pode ser detida, apesar de incurável. Precisamos aceitar que, somos alérgicos a drogas, com honestidade e sem reservas. A medicina não pode curar nossa doença. O que nos faz adictos, não é a quantidade que usamos, mas, sim, nossa reação. Certas coisas foram acontecendo enquanto usávamos: esquecemos como eram as coisas antes do uso, dos comportamentos sociais, como se trabalha, se brinca, esquecemos ainda de expressar e demonstrar interesse pelos outros. Esquecemos como sentir. Vivíamos em outro mundo quando usávamos. Experimentávamos curtos períodos de realidade e de autoconsciência. Finalmente éramos duas pessoas, e não uma – o médico e o monstro. Por fim o médico morreu e o monstro assumiu. Talvez tenhamos tentado moderar, substituir ou, até mesmo, parar de usar, mas passamos de uma fase inicial de sucesso e bem-estar emocional para uma completa falência espiritual, mental e física. Alguns de nós podem passar o resto da vida numa prisão, morrer devido ao ambiente que cerca as “boquetas”, num assalto para conseguir a droga, inúmeras são as situações de morte, não decorrentes do uso e sim do ambiente e pessoas que a cercam. Chegamos ao fundo-do-poço (ou seria fundo da fossa – no fundo-do-poço ainda podemos encontrar água limpa). Ficou difícil negar nossa adicção quando os problemas saltavam aos nossos olhos. Motivamos-nos então, a procurar ajuda no último estágio. Lamentávamos o passado, temíamos o futuro e não tínhamos entusiasmo pelo presente. A adicção nos escravizava. Éramos prisioneiros da nossa própria mente e condenados pela nossa própria culpa. A adicção é uma doença crônica, progressiva e fatal. No entanto, é tratável e estacionária. Ótimo então, o que nos interessa é a recuperação. Começamos nosso tratamento, parando de usar. As pessoas em Alcoólicos Anônimos disseram-nos que eram adictos em recuperação, que tinham aprendido a viver sem drogas. Sem eles tinham conseguido, nós também conseguiríamos. Através da abstinência e prática dos doze passos de Alcoólicos Anônimos, nossas vidas tornaram-se úteis. Compreendemos que nunca estaremos curados e que conviveremos com a doença pelo resto de nossas vidas. Temos uma doença, mas nós nos recuperamos. A cada dia é-nos dada uma nova oportunidade. Em Alcoólicos Anônimos deixamos novas ideias fluírem dentro de nós. Fazemos perguntas. Partilhamos o que aprendemos sobre a vida sem drogas; vemos claramente, que não importa o porquê, os doze passos funcionam. Aprendemos princípios espirituais como rendição, humildade e serviço. Experimentamos que o relacionamento com o Poder Superior, corrige defeitos de caráter e nos leva a ajudar aos outros. Alcoólicos Anônimos não se interessa no que ou quanto você usou, quais era os seus contatos, no que fez no passado, quanto você tem ou deixa de ter; só interessa aos Alcoólicos Anônimos o que você quer fazer pela sua recuperação e como ajudá-lo. Antes de chegarmos á irmandade de Alcoólicos Anônimos, não podíamos controlas nossas próprias vidas. Não podíamos viver e apreciar a vida como as outras pessoas. Tínhamos que ter algo diferente e pensamos que havíamos encontrado isso nas drogas. Colocamos o uso de drogas acima do bem-estar de nossas famílias, esposas, maridos e filhos. Tínhamos que ter droga a qualquer custo. Prejudicamos muitas pessoas, mas, principalmente, prejudicamos a nós mesmos. Através da nossa inabilidade de aceitar responsabilidades pessoais, estávamos realmente criando nossos próprios problemas. Parecíamos incapazes de encarar a vida como ela é. A maioria de nós percebeu que, em nossa adicção, estávamos lentamente cometendo suicídio, mas a adicção é um inimigo tão traiçoeiro da vida, que tínhamos perdido o poder de fazer qualquer coisa. Em Alcoólicos Anônimos descobrimos que somos doentes, sem cura; mas que em algum ponto pode ser detida, e a recuperação é possível. Frequentando Alcoólicos Anônimos descobrimos três realidades perturbadoras: 1) Somos impotentes perante a adicção e nossas vidas estão incontroláveis. 2) Embora não sejamos responsáveis por nossa doença, somos responsáveis pela nossa recuperação. 3) Não podemos mais culpar pessoas, lugares e coisas pela nossa adicção. Temos que encarar nossos problemas e nossos sentimentos. Concentramos-nos em recuperação e sentimentos, não no que fizemos no passado. Velhos amigos, lugares e ideias são ameaças e precisam ser removidas. Que uma mudança na nossa maneira de ser! É uma grande dádiva nos sentirmos humanos novamente. O programa nos convenceu de que nós precisávamos nos modificar, em vez de tentar modificar as pessoas e situações à nossa volta. Descobrimos novas oportunidades, auto-estima, auto-respeito, aceitamos a vontade de um Poder Superior em nossas vidas. Perdemos o nosso medo do desconhecido. Somos libertados. Respostas são oferecidas e problemas solucionados. Se você quer o que nós temos a oferecer e está disposto a fazer um esforço para obtê-lo, então está preparado para dar certos passos. Os doze passos são os princípios que possibilitam nossa recuperação. Isto parece ser uma grande tarefa e não podemos fazer tudo de uma só vez. Não nos tornamos adictos num dia, lembre-se – vá com calma. Mais do que qualquer outra coisa, uma atitude de indiferença ou intolerância com os princípios irá derrotar nossa recuperação. Três destes princípios são indispensáveis: honestidade, mente aberta e boa vontade. A única maneira de não voltar à adicção ativa é não usar aquela primeira droga. Você sabe “uma é demais e mil não bastam”. Alcoólicos Anônimos coloca grande ênfase nisto, pois sabemos que, quando usamos qualquer droga, ou substituímos uma pela outra, liberamos nossa adicção novamente.

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