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domingo, 4 de novembro de 2007

Uma visão macro sobre drogas

Uma Visão Macro Sobre as Drogas.

Autoridades de todo mundo estão preocupados, nesse início de milênio, não só com os limites do tráfico de drogas, mas também com o perfil do usuário que se tem delineado nos últimos anos.
Seguindo a cartilha da economia globalizada, esse mercado de delírio e loucura vem reduzindo custos e pessoal como qualquer outra atividade capitalista, além, de, perversamente, ter descoberto como segmentar e frutificar seu público. Nesse sentido hoje existe uma droga para cada comportamento.
No Brasil, a maconha é a droga ilícita mais tolerada pelos mais diversos setores.
Embora o consumo tenha aumentado significativamente nos últimos anos, a polícia prende – usuários, a justiça condena pouco e a escola aceita mais passivamente. Entre as maiores escolas particulares do país, o número de expulsões relacionadas com o uso de maconha também baixou; hoje, em apenas um de cada 10 casos o estudante é convidado a se desligar do estabelecimento, realmente quando fuma dentro das dependências escolares.
No ranking do consumo de drogas, a maconha vem quilômetros a frente do crack, da cocaína, da heroína e do ecstasy. O consumo freqüente da maconha quadruplicou em apenas 10 anos. O dado mais impressionante, no entanto, é outro. Conforme uma tendência também observada em outros países, esse aumento é maior entre adolescentes e jovens na faixa dos 16 aos 18 anos. Consta que 13% dos jovens fazem uso da maconha no Brasil.
O problema desse avanço da droga, ou da maconha mais precisamente, é a banalização do vício. A tolerância com o álcool e o cigarro produziu o fenômeno do “cigarrinho” e da “cervejinha”. Hoje há quem use a expressão “baseadinho” para identificar uma droga que, como o cigarro e o álcool, tem efeitos colaterais ruinosos. Na região de Porto Seguro, no sul da Bahia, fuma-se maconha abertamente e sem nenhum constrangimento, as praias paradisíacas de Trancoso, Arraial D’Ajuda e Caraíva são hoje consideradas o “paraíso das drogas”, e o preço sem inferiores aos dos grandes centros.
O impacto do crescimento desse verdadeiro mercado, o choque com o surgimento freqüente de novas drogas, sem falar as trágicas mortes por overdose e nas árduas e, muitas vezes, vãs lutas dos dependentes, deixam estarrecidos cidadãos, famílias e a sociedade em geral, que se vêem impotentes diante desse risco iminente que a todos ameaça devorar.
Preocupa ainda mais a atitude oficial de vários governos que se propõem que resolver o problema radicalmente de forma repressiva, como aconteceu na chamada “cracolândia”, antigo reduto de traficantes e dependentes de crack no centro de São Paulo. Em vez de criarem centros educativos para suprir o papel da droga na vida dos dependentes, tratando-os, por conseguinte, como uma questão social, preferem o caminho da investidura policial e, no caso concreto, da reformulação urbanística e cultural.
Ainda que o quadro seja extremamente agressivo e preocupante, na verdade os programas oficiais pouco ou nada contribuem para resgatar o dependente à sua condição humana, incutindo-lhe dignidade, auto-estima, respeito, amor pela vida própria e alheia. Muito pelo contrário, encaram-no e orientam-no na linha da convivência com o vício, a fim der evitar riscos maiores, como se o mantivessem no túnel da morte, porém, diminuindo o processo de aceleração. Morte lenta e gradual parece ser a regra.

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