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LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Entrevista (5º Passo)

Entrevistador: Antonio Moura.
Entrevistado: (anônimo) Membro de AA. )autorizou a divulgação)

Pergunta: Qual sua visão sobre a importância do quinto passo?

Quando se trata de desinflar o ego, poucos passos são mais duros de aceitar que o quinto passo. A experiência de Alcoólicos Anônimos nos indicou que não podemos viver sozinhos; fizemos um inventario e é hora de falar com alguém a esse respeito.
Recusar-se a pratica do quinto passo, é uma atitude atrapalhada que causa problemas. Algumas pessoas são incapazes de permanecerem sóbrias, outras recaem por não terem feito a verdadeira “limpeza de casa”.
Este sistema de admitir os próprios defeitos à outra pessoa é, sem duvida, muito antigo. Tem sido validada em todos os séculos, e caracteriza a vida de toda pessoa espiritualmente orientada e verdadeiramente religiosa. Hoje, a religião, psicólogos e psiquiatras apontam essa necessidade e Alcoólicos Anônimos, vai ainda mais longe, e afirma que a pessoa não consegue se manter sóbria. Diante desse consenso geral, parece claro que a graça divina não nos tocará para expulsar nossas obsessões destrutivas.
Com o quinto passo virá o beneficio de livrar-nos da terrível sensação de isolamento que sempre tivemos. Aquela sensação de que éramos atores num palco e subitamente descobríamos que não sabíamos uma só linha sequer de nosso papel. Era uma razão pela qual amávamos tanto o álcool. Ele nos permitia desempenhar nosso papel a qualquer tempo. Mas, acabou nos prejudicando; finalmente, nos arrasava e deixava numa solidão aterrorizante.
Vamos ter também na prática do quinto passo, a deliciosa sensação de que podemos ser perdoados, não importando o que tenhamos feito ou pensado. Além disso, pela primeira vez, nos sentíamos verdadeiramente capazes de perdoar aos outros, não importando quão profundamente sentíssemos que nos houvessem maltratado.
Outra grande dádiva que podemos esperar por confiar nossos defeitos a outro ser humano é a humildade.
Maior realismo e, portanto, mais honestidade a nosso respeito são os nossos grandes e positivos benefícios que ganhamos sob a influência do quinto passo. Precisamos da ajuda externa de Deus e de um ser humano para saber, com certeza, a verdade a nosso respeito e admiti-la. Unicamente através de uma discussão sobre nós mesmos, sem esconder nada, estando dispostos a receber advertências e aceitar conselhos, podemos começar a caminhar em direção ao pensamento correto, à honestidade sólida e à autêntica humildade.
Nosso próximo problema será descobrir a pessoa na qual iremos confiar. É preciso cuidado, pois será necessário compartilhar com ela, fatos a nosso respeito que ninguém mais deva saber.
Se a nossa confiança nela estiver bem desenvolvida, se ela se mantém abstêmia, tem experiência e conseguiu superar vários problemas, talvez iguais aos nossos, então será uma boa escolha.
Mesmo depois de ter encontrado a pessoa, o aproximar-se dela requer muita decisão.
Desde que você nada esconda, sua sensação de alivio aumentará de minuto a minuto. As emoções reprimidas durante anos saem de seu confinamento, e milagrosamente desaparecem ao serem expostas. À medida que a dor diminui, é substituída por uma tranqüilidade balsâmica. E quando a humildade e a serenidade se misturam desta maneira, outra importantíssima coisa é capaz de ocorrer. Muitos Alcoólicos Anônimos anteriormente agnósticos ou ateus, dizem que foi nessa fase do quinto passo que realmente sentiram, pela primeira vez, a presença de Deus. É um passo em direção a sobriedade plena e significativa.

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