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LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

domingo, 4 de novembro de 2007

Ecumenismo

ECUMENISMO

Fala-se, hoje, por toda parte, em “atitude ecumênica”, “linha ecumênica”, “relações ecumênicas” e assim por diante.
Ecumenismo é, realmente, uma das palavras mais popularizadas no momento. Dão-lhe um sentido tão elástico, tão indeterminado atualmente, que já não se sabe aonde vai sua extensão.
Ecumênico, pura e simplesmente, quer dizer universal. A semântica moderna deu-lhe, entretanto, uma acepção mais prática ou mais humana, significando entendimento com todos, convivência pacífica, a despeito de todas as divergências doutrinárias.

A situação da Igreja católica frente ao ecumenismo.

Convém notar, que a Igreja se viu na contingência de modificar sua maneira de ver a vida e o mundo, para que não fique desatualizada ou marginalizada, o que seria ainda pior. Até certo ponto é uma questão de sobrevivência. Antigamente, e vem de todos os tempos, como se sabe, havia a idéia generalizada, dentro e fora dos círculos sacerdotais, de que a Igreja era a detentora exclusiva da verdade. Com esta concepção, que deu motivo a muitos erros e abusos, excomungou-se, perseguiu-se, condenou-se implacavelmente. É fato histórico, não é lenda. Na suposição de que somente ela possuia a verdade, a Igreja evitou, durante muito tempo, qualquer contato com outros rebanhos religiosos, mas antes, até procurou tratá-los à grande distância. E muitos de seus fiéis chegavam ao exagero de repelir os outros crentes com desprezo odioso. Tudo isso foi no passado. Não há instituição humana que não tenha cometido erros, através de suas experiências históricas, ainda mais que muitos desvios do bom caminho correm por conta do elemento humano, nem sempre da corporação a que pertence. Em grande parte, são atitudes individuais. Todos nós, afinal de contas, se pudermos olhar para o passado, teremos muitos erros para corrigir... Com os novos tempos, porém, e com as descobertas científicas e a expansão tecnológica, naturalmente a Igreja sentiu, ou está sentindo, que precisa rever antigas posições e reformar certos conceitos. Imposição dos acontecimentos, é óbvio. Embora o qualificativo católico signifique universal, a Igreja não demonstrou, no curso da história, que possuia, realmente, a consciência da universalidade. Não era uma ordem secreta, mas verdade é que se manteve sempre como instituição fechada a comunicações com as outras área religiosas. Em virtude das mudanças por que está passando o mundo, é natural que a Igreja tome posição diferente, procurando, agora, entender-se com todos – judeus, maometanos, protestantes – e até, em último caso, com os que dizem que não têm crença, pois todos, creiam ou não creiam, são “filhos de Deus.” e um sentido mais amplo de ecumenismo, permitindo ou forçando concessões que, antes, seriam impossíveis – uma política religiosa, que se pode chamar de “boa vizinhança”, por necessidade. A Igreja não tem apenas problemas de fé – e é preciso observar este ângulo – pois é também uma organização de ordem temporal e, por isso, tem problemas políticos. A “linha ecumênica” da Igreja pode ser muito flexível, adaptar-se às circunstâncias de tempo e lugar.
O ecumenismo para quem praticar a espiritualidade pressupõe espírito compreensivo, convivência com todos, tolerância à todas as crenças, prestando auxílio indistintamente, sem cogitar de credo religioso nem de opinião filosófica, nem de cor, nem de origem racial.
A instituição ecumênica, deve trabalhar, antes de tudo, pela reforma do homem, sem se desinteressar, todavia, do melhoramento da sociedade e das instituições humanas. Sua consciência de participação no mundo pode muito bem afirmar-se pelo trabalho edificante. Não deve modificar textos básicos para justificar interesses políticos; aplicar sofismas na interpretação de passagens inequívocas; colocar preocupações transitórias acima de necessidades definitivas.
Ser ecumênico, no bom sentido, é ser aberto intelectualmente, é ser tolerante, é ter mentalidade esclarecida para descobrir o lado bom das coisas em qualquer parte. Ecumenismo é compreensão, não é confusão. Não vamos, pois, levar o ecumenismo a ponto de perder a noção do bom senso. Se formos por esse caminho, daqui a algum tempo, teremos missas espíritas, como poderemos ter sessões espíritas com sambas, etc., etc. é preciso não perder nunca a velha linha mestre do meio-termo.
Entre as posições extremadas, seja em, matéria de fé, seja em que matéria for; entre a agitação e a displicência; entre o radicalismo e a omissão; entre os que se afastam de tudo e os que misturam tudo, há a necessidade de certas áreas religiosas, interferirem no momento psicológico, não para estimular a improdutividade nem muito menos para incentivar a divisão ou inflamar as paixões, mas necessariamente para estabelecer o ponto de equilíbrio.




















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