Adicção, A.A., N.A., Doze Passos, Reflexões, Literatura, Clínica, Comunidade, Espiritualidade

LITERATURA DE ALCOÓLICOS E NARCÓTICOS ANÔNIMOS, OS DOZE PASSOS, REFLEXÕES, CLÍNICAS, COMUNIDADES, ESPIRITUALIDADE. ESPERO COM ESSAS MATÉRIAS, ESTAR COLABORANDO COM ALGUÉM, EM ALGUM LUGAR, EM ALGUM MOMENTO DE SUA VIDA !

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Adicção e a bíblia

Minha Adicção e a Bíblia.

Provérbios

Cap. 05.18 – “Seja bendita a tua fonte, alegre-se com a esposa da sua juventude”.

O meu poço, de onde brota a minha água original que me dá vida e me sacia, é o que me deve inspirar em minha recuperação. Por tanto tempo, tateei por outros caminhos em busca da paz e da felicidade. Arranjei desculpas, justificativas e racionalizações para encobrir minha culpa e desvios.
Não fui honesto com minha culpa e desvios. Não fui honesto com minhas origens. A dor e sofrimento me perseguiram porque abandonei o riacho da minha juventude e quis afastar-me com o banquete que o vizinho e os bares me ofereciam. Esqueci-me do temor do meu Senhor, meu próprio poço, da esposa da minha juventude, meus primeiros amores. Ali deveria ser construída a história da minha vida e meus ideais, lutas e conquistas. Ao deixar essas historias para copiar projetos totalmente alheios à minha própria cultura e índole, foi como me prostituir, negando e perdendo minha própria identidade.
A solução sempre esteve dentro de mim e ao meu lado e não quis enxergar. Paguei caro por tudo isso. Mas me foi dado um novo tempo que espero saiba usá-lo da melhor maneira possível.

Cap. 19.2 – “Não adianta agir sem refletir, pois quem apressa o passo acaba tropeçando”.

Toda ação ou exposição merece, nem que por uma fração de segundo, uma reflexão, um repensar. Toda reação impensada pode desencadear conseqüências indesejadas. Preciso absorver e introspectar o que me vem do interior para que meu interior possa crescer e a resposta represente sempre motivação e um desejo de serenidade, paz e conforto.
A pressa é como um raio que pode iluminar por um segundo, mas sua conseqüência é uma ruidosa destruição. Os antigos já me diziam: a pressa é inimiga da perfeição. Paciência é a grande virtude.

Cap. 19.2 – “O homem de bom senso reprime a ira e tem como honra ignorar uma ofensa”.

A ira e a explosão demonstram o despreparo interior; externa o recôndito de uma alma atribulada, orgulhosa e cheia de razão; foi atingido no ponto mais fraco. A quietude como resposta desaponta o agressor, desarma o ignorante, inquieta o violento e leva o insensato a um questionamento eficaz e construtivo.

Cap. 20.1 – “O vinho provoca insolência, e o licor causa barulho; quem se embriaga com eles não chega a ser sábio”.

O alcoolismo tornou-me um homem cego, tedioso e obsessivo. Conseguia enxergar apenas o meu próprio nariz e o destaque era meu orgulho. O barulho da vida destroçou-me e tornei-me um homem árido e sem conteúdo. Minha consciência permanecia entorpecida e meu mundo desconhecia os limites do certo ou do errado. Os desvios e compulsividade me tornaram um insano e justificador desregrado. O amor adormeceu e a imaginação viajava pelos espaços e lacunas de uma mente perturbada.

Cap. 20.17 – “É gostoso para o homem o pão ganho com fraude, mas depois sua boca fica cheia de grãos de areia”.

Na vida nada se consegue sem suor. A acomodação é imprópria para quem pretende alcançar uma vida com dignidade e fundamentada em princípios de honestidade. O dissabor da ação perniciosa incomoda o coração e a dor pelo não cumpridos princípios arde como chibatadas e machucam como tempestades em noites insones atormentadas pela devastação do pecado.

Cap. 21.13 – “Quem tapa o ouvido quando o fraco suplica, não terá resposta quando clamar.” 23 – “Quem guarda a boca e a língua evitará muitos apertos”.

As portas de minha alma, de meu ser como um todo, devem estar sempre atentas aos apelos, até os mais sutis, do meu próximo. Permanecendo de antena ligada e mente aberta sou capaz de ouvir o clamor e encontrar o momento propício para estender as mãos. Deste modo torno minha vida uma via de mão dupla. No eu clamor cruzarei também com alguém que está equipado a me socorrer. Tudo o que planto, eu o colho em abundância. A minha busca honesta e sincera para estabelecer ao meu redor um ambiente melhor, de aconchego e de calor, naturalmente verterá águas puras e cristalinas que haverão de purificar o mundo com a honra da justiça, da paz e do amor.
O meu silêncio pode falar por si, e o meu falar inoportuno poderá devastar ou atropelar a criatividade de muitos, ou destruir a vida de tantos outros. O falar irrefletido é como a pena dispersada do alto da montanha: jamais poderá ser recolhida, pois o vento a levará para várias direções e terras áridas e longínquas.
Assim, a boca maldita e a palavra mentirosa causarão danos irreparáveis.

Cap. 22.24 – “Não se junte com pessoa colérica, nem freqüente gente raivosa. Você poderia acostumar-se com o modo deles e criar uma armadilha para si mesmo”.

Os antigos já alertavam: “diga-me com quem andas que eu te direi quem és”. A convivência é sempre complexa, e o espírito fraco facilmente deixar-se-á influenciar pelo mais forte.
A pessoa colérica e de espírito raivoso, tende naturalmente ansear adeptos impondo-lhes seus pensamentos e modos de ação. É sempre uma liderança negativa que provoca alarido e contraría a complacência e a humildade sincera. Seus atos e palavras truculentas arrastam adeptos, tantas vezes, inocentes e que se tornarão vitimas de sua própria opção e convivência enganosa. O espírito raivoso provoca o ódio e ao seu redor, impera o medo e desconhece-se o amor e o sentido do perdão. Por isso essa liderança provocará sempre o enfrentamento, e ele, o líder, será sempre o primeiro a cair fora, deixando os que o seguem, ao Deus dará.

Cap. 23.29ss “Para quem sem os gemidos? Para quem os lamentos? Para quem as brigas? Para quem os ferimentos sem motivo? Para quem os olhos vermelhos? São para aqueles que bebem o dia inteiro e vivem procurando bebidas misturadas. Não fique fascinado pelo vinho, vendo sua cor e seu brilho, enquanto escorre suavemente no copo. No fim, ele morde como cobra e fere como víbora. Então seus olhos verão coisas estranhas, e sua mente imaginará coisas absurdas. Você ficará como quem está deitado em alto mar ou sentado no topo de um mastro. Bateram em mim, e eu não senti nada! Eles me deram uma surra,e eu nem percebi! Quando me levantar, vou continuar a beber”.

O meu alcoolismo é a expressão verdadeira desta passagem. Os meus gemidos solitários, as lamentações pelo acúmulo dos fracassos e a agressão que infligi aos que me amam provocaram perdas, conflitos, desamor, apreensão e um viver sem sentido. O meu beber compulsivo envenenou-me por completo, e a mente insana provocou as crises e os desencontros familiares. Custou-me “cair a ficha” e rogo ao criador o seu perdão e misericórdia. A esperança de uma renovação me reanima e busco recuperar o tempo perdido. Espero alcançar a graça de uma nova oportunidade.

Cap. 27.1 – “Não se glorie do amanhã, porque você não sabe o que o dia de hoje vai gerar”. 19 – “O rosto se reflete na água, e o homem se reflete em sua consciência”.

O que importa é dar graças pelo acordar, pelo amanhecer de um novo dia. Ontem plantei o meu hoje e já não me cabe mais modificá-lo. A alegria e a serenidade me impulsionam a viver ainda melhor o dia de hoje porque o amanhã ainda não me pertence. Se hoje, espalho o mal ou o bem, o amor ou o ódio, é no amanhã que se refletirá, e é nas águas cristalinas do amor de Deus que verei a identidade do meu futuro: o amargor do fruto silvestre, ou a abundância do meu pomar cultivado.
A consciência e o exercício da fraternidade e das virtudes gerarão as sementes para que cresça o homem novo. Não sei o dia nem a hora; só sei que nesse momento respiro e clamo à misericórdia de meu criador para que o tempo que não me pertence se torne ainda realidade para um novo abraço, um novo encontro, uma nova oportunidade.

Cap. 29.1 – “O homem que não aceita repreensões fracassará de repente e sem remédio”.

Todo homem impulsivo age conforme seus instintos primários, não sabe contar até dez e suas reações quase sempre causam danos irreparáveis a si próprio e aos que o cercam, e não há recurso nenhum, ou remédio algum, que faça cicatrizar as feridas expostas. Não aceitar correção é a afirmação da prepotência, do orgulho, e da personalidade arredia, incontrolável e desagregadora.
Por estas e tantas outras, o homem com discernimento aflorado, canaliza suas energias à serenidade e as relações profícuas e de bem viver. O homem sereno se sacia com os dons do espírito, entretém sua alma e pensamentos com sábias interpretações, não se deixando arrastar pelas correntes caudalosas de suas próprias paixões.
O homem tolo e de pensamento fugaz, provoca a discórdia, a ira e não conhecerá os limites e o direito daqueles que o cercam. Seu falar e agir desagradam, zombam, e zangam, e comumente o leva à fúria e descontrole emocional.





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