ESPIRITUALIDADE, DOZE PASSOS, REFLEXÕES DIÁRIAS, TEMAS SÔBRE DEPENDÊNCIA QUÍMICA

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segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Entrevista (2º Passo)

Entrevistador: Antonio Moura.
Entrevistado: (anônimo) membro de AA. (autorizou a divulgação)

Pergunta: Qual sua visão da importância do segundo passo?

No primeiro passo, convenceram-nos de que somos alcoólicos e que nossas vidas são ingovernáveis. Havendo nos reduzido a um estado de desespero absoluto, agora nos informaram que somente um Poder Superior poderá resolver nossa obsessão. Alguns de nós se recusam a acreditar em Deus, outros não conseguem acreditar e ainda outros acreditam na existência de Deus, mas de forma alguma confiam que ele levará a cabo este milagre. Pois é, nos meteram num buraco sem saída, tudo bem, mas e agora, para onde vamos?
Alguns abrigam a idéia de que o homem, elevado tão majestosamente de uma simples e primitiva célula, é hoje a ponta de lança da evolução e, portanto, o único Deus que ele conhece.
Precisa renunciar a isto para se salvar?
Em primeiro lugar, Alcoólicos Anônimos não exige que você acredite em coisa alguma. Todos os doze passos são sugeridos. Em segundo lugar, para alcançar a sobriedade e para manter-se sóbrio, não é preciso aceitar todo o segundo passo de uma x. em terceiro lugar, a única coisa que você realmente precisa é ter a mente aberta.
Quando deparar com Alcoólicos Anônimos pela primeira vez, você pode pensar que este negócio de Alcoólicos Anônimos é totalmente anticientífico, e simplesmente recusar-se a aceitar por considerar uma bobagem.
Os membros de Alcoólicos Anônimos seguem inúmeros caminhos a procura de fé. Se não se interessar por aquele que lhe sugerem, certamente descobrirá outro que lhe convirá, se ficar atento. Você pode começar a resolver o problema pelo método da substituição. Poderá, se quiser, considerar Alcoólicos Anônimos em si como sua força superior. Muitas pessoas, nele, resolveram seus problemas, com o álcool e, portanto, representam um Poder Superior a você, que nem sequer chegou perto da solução. Esse mínimo de fé bastará. Muitos libertados da obsessão pelo álcool, com suas vidas inexplicavelmente transformadas, chegaram a acreditar no Poder Superior, e a maioria começou a falar em Deus.
Às vezes, Alcoólicos Anônimos é aceito com maior dificuldade pelos que perderam ou rejeitaram a fé, do que pelos que nunca a tiveram, pois acham que já experimentaram a fé e não lhes serviu. Experimentaram viver com fé e sem fé e ambas as formas os decepcionaram.
A religião afirma que a existência de Deus pode ser comprovada; o agnóstico diz que não pode ser comprovada; e o ateu afirma que tem provas da inexistência de Deus. Afastado da fé, o problema é uma confusão profunda, sem qualquer crença nem alcança a convicção do crente, do agnóstico ou do ateu. Fica-se desnorteado. Ao começarmos a obter êxito material, estávamos felizes então, por que nos preocupar com abstrações teológicas e deveres religiosos, ou com o estado nossas almas na Terra e no além? Bastava-nos o aqui e agora. A vontade de ganhar nos levaria para frente. Então, o álcool começou a nos dominar. Finalmente, sem outra saída, tivemos que sair a procura de nossa fé perdida. Em Alcoólicos Anônimos a descobrimos de novo.
Há quem se julgue intelectualmente auto-suficiente. Adoram ouvir as pessoas os chamar de “gênios”; inflam em balões orgulhosos; acham que podem flutuar acima dos outros utilizando apenas o poder de seus cérebros; a sabedoria é onipotente; o intelecto é capaz de conquistar a natureza. O Deus do intelecto substitui o Deus de seus pais. Porém, mais uma vez, a bebida alcoólica tem outras ideais. Eles, que tão brilhantemente haviam vencido sem esforços, converteram-se nos maiores derrotados de todos os tempos. Viram que seria necessário reconsiderar, senão morreriam. A humildade e o intelecto podem ser compatíveis, conquanto que a humildade esteja em primeiro plano. Quando começaram a entender isso, receberam a dádiva da fé, uma fé que funciona.
Outros se sentem desenganados com a religião e suas obras. A bíblia, dizem, está cheia de bobagens. Criticando as pessoas religiosas, sentem-se superiores a elas e não olham para si, para seus próprios defeitos. Esta falsa forma de respeitabilidade é uma desgraça, no tocante à fé. Contudo, compelidos ao Alcoólicos Anônimos, acabam por aprender melhor.
O desfio é a característica predominante de muitos alcoólicos, inclusive o desafio a Deus. Pedem para que Deus lhes dê tudo de bom, inclusive coisas utópicas, isso caso Ele exista, e, quando não conseguem, culpam ao próprio Deus por abandoná-los. Então se convertem em bêbados e rezam a Deus para que os salve. E nada acontece. Essa é a falha mais impiedosa de todas. “Para o diabo com este negócio de fé”, dizem.
Em Alcoólicos Anônimos conhecem o erro de sua rebeldia. A crença significa a confiança e não o desafio. Logo conhecem que a humildade é essencial para sua recuperação.
Vários são cheios de fé, embora cheirem a álcool. Eles se sentem devotos inveterados, mas se esquecem de que o mais importante é a qualidade da fé, e não o volume da prática religiosa. Esse é o ponto cego. Consideram praticar a sério suas religiões, mas são superficiais. Acreditam serem iluminados quando não o são. Confundem emocionalismo com sentimentos religiosos. Querem sempre receber sem dar. Sempre dizem: “concedei-me as coisas que eu desejo”, em vez de: “seja feita a vossa vontade”.
Alguns estarão dispostos a se classificarem de “bebedores problema”, mas não aceitarão a simples insinuação de que estão mentalmente doentes. São amparados nesta cegueira por um mundo que não compreende a diferença entre o beber racional, e o alcoolismo. A “sanidade” se define como “saúde mental”. Contudo, nenhum alcoólico analisando sobriamente seu comportamento destrutivo, poderia se considerar possuidor de “saúde mental”, caísse a destruição sobre um objeto, ou sobre sua estrutura moral. Sejamos agnósticos, ateus ou ex-crentes, podemos nos agrupar neste passo. A verdadeira humildade e a mente aberta poderão nos conduzir a fé, e toda reunião de Alcoólicos Anônimos é uma segurança de que Deus nos levará de volta à sanidade, se soubermos nos relacionar corretamente com ele.


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